As Aventuras dos Sete Anões Filme

As Aventuras dos 7 Anões

Colocando os anões da Branca de Neve no centro do resgate da Bela Adormecida quando uma bruxa coloca a princesa e o reino inteiros para dormir, As Aventuras dos 7 Anões desperdiça As Aventuras dos 7 Anões o potencial criativo de sua premissa e se estabelece como um longa tolo e cansativo – o que acaba realçando a precariedade de sua técnica de animação.

Rose, a equivalente à Bela Adormecida do filme, cresceu no reino de Fantabularasa superprotegida pelo pai: quando a princesa ainda era uma bebê, a malvada bruxa Dellamorte lançou uma maldição na garota, declarando que, quando ela fizesse dezoito anos, um espetar em seu dedo a colocaria, ao lado de todo o reino, em um sono profundo que só seria interrompido com um beijo de amor. A garota, porém, não está muito preocupada com isso; ansiosa para livrar-se da armadura que utilizou por toda a vida, Rose sabe que, mesmo que a maldição seja concretizada, seu namorado, o ajudante de cozinha Jack, logo virá resgatá-la. Os sete anões estão presentes na festa, e uma confusão do atrapalhado Bobo garante que Rose seja espetada e, agora, cabe a ele e a seus seis companheiros resgatar Jack das mãos de Dellamorta e de seu dragão Braseiro, garantindo que o reino todo acorde.

Já iniciando com erros narrativos (a abertura mostra Rose vestindo uma armadura tradicional apenas para, quando o filme inicia de vez, vermos a garota utilizando uma espécie de manto metálico), As Aventuras dos 7 Anões não traz nada de original ao gênero a que pertence. Já vimos a mistura de diferentes personagens de contos de fadas antes mas, enquanto a animação Deu a Louca na Chapeuzinho utilizou a premissa para criar um longa esperto e divertido e o recente Os Caminhos da Floresta resgatou o lado escuro dos contos originais, esta produção ignora os avanços nas convenções do gênero, preferindo investir no batido “herói sem querer”.

O problema desse “herói sem querer” é que o próprio, Bobo, jamais convence como herói: enquanto suas trapalhadas são irritantes e diretamente responsáveis pelo sucesso da maldição de Dellamorte, a longa jornada dos sete anões de Fabularasa até a fortaleza da bruxa é repleta de perigos que eles, aparentemente, contornam sem problema algum – a não ser, claro, quando o roteiro resolve gastar mais tempo em algo específico. Considerando tudo o que vimos aqueles personagens fazendo antes e depois da jornada, é impossível acreditar que aquilo teria se desenrolado da forma que vemos; e, portanto, qualquer sensação de perigo ou ansiedade pelos anões se torna nula.

Não ajuda ainda o fato de Bobo ser o único do grupo com a personalidade minimamente desenvolvida; enquanto Nublado ainda consegue se destacar devido a seu visual bastante diferente dos demais, os cinco anões restantes são tão insignificantes por si só que nem seus nomes ficam na memória; eles só estão ali para serem parte dos “sete anões”.
Coisa que, aliás, eles não precisavam ser; a ligação original do grupo com a Branca de Neve é destacada em um único momento durante a festa e, depois, esquecida. E é justamente no aniversário de Rose e na festa que encerra o longa que o filme finge explorar o universo repleto de personagens de contos de fadas que habita: vemos Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau e Cinderela. Jack, o namorado de Rose, divide o nome com o garoto do Pé-de-Feijão, mas o longa jamais estabelece que se trata do mesmo personagem (ou, então, a referência foi perdida na dublagem). Com exceção de uma divertidinha piada envolvendo Branca de Neve e o espelho mágico, As Aventuras dos 7 Anões não aproveita em nada os acontecimentos originais de seus personagens e poderia, portanto, acontecer perfeitamente com personagens inéditos – mas aí, é claro, seria ainda menos atrativo.

No já citado Deu a Louca na Chapeuzinho, a falta de primor técnico se torna secundária diante do roteiro e da direção eficientes; aqui, acontece justamente o contrário: a mediocridade da narrativa torna a animação precária ainda mais incômoda. Se, visualmente, os traços são agradáveis, a animação deixa tudo sem textura, e a luz que banha os cenários, as pessoas e mesmo o brilho nos olhos dos personagens são excessivamente pesadas. O manto de aço de Rose tem exatamente a mesma aparência do vestido que a princesa veste por baixo, enquanto o traje de Branca de Neve parece feito de plástico. Elementos líquidos como a água ou a lava da caverna de Braseiro são particularmente mal animados, havendo uma clara separação entre eles e o ambiente em que se encontram; os sereios, por exemplo, parecem permanecer secos mesmo após um mergulho. Um momento que ilustra bem a falta de qualidade da animação é quando Braseiro atravessa os telhados do castelo e adentra o salão: vemos a poeira que o dragão causa, mas jamais os pedregulhos ou pedaços de construção caindo; a poeira, assim, fica parecendo fumaça. Por falar nos sereios, a reviravolta envolvendo o “canto das sereias” seria divertida e eficiente se as criaturas não fossem baseadas em estereótipos envolvendo homens negros e a cultura do hip-hop.

As Aventuras dos Sete Anões Filme

Chegando até a inserir uma referência a Matrix que não faz absolutamente sentido algum dentro do resto da narrativa – não há quaisquer outras referências semelhantes e o humor do filme é totalmente voltado ao público infantil (e muito pequeno) -, As Aventuras dos 7 Anões parece chegar estar se aproximando de seu clímax diversas vezes, o que arrasta os noventa minutos de duração.

Os diretores Boris Aljinovic e Harald Siepermann ainda cometem erros grosseiros como o broche de coração que Jack abre e admira com amor mesmo que não haja foto alguma dentro (na segunda vez em que isso acontece, a impressão é de que os animadores realmente esqueceram de inserir a imagem da princesa no objeto), ou tolices como o fato de ninguém estranhar que a meia-noite chegou mais depressa no dia do aniversário de Rose ou de que um dragão saberia dar nós.

Já quando o assunto é a trilha sonora tudo fica pior ainda, com canções repetitivas e sem sentimento, que estão lá por uma suposta obrigação do gênero e como uma tentativa desesperada de entreter as crianças da plateia.
E a conclusão é justamente que o público infantil merece mais do que isso. As crianças merecem uma produção que não desvalorize sua inteligência e sua capacidade de acompanhar uma trama. Falhando em todas as suas poucas pretensões de ser inteligente e divertido, As Aventuras dos 7 Anões também não tenta acrescentar nada de novo em seu gênero e, como já vimos essa mesma história outras vezes e contadas de forma muito mais eficiente, não sobra nada para salvá-lo da mediocridade.


“The Seventh Dwarf” (2015), ecrito por Harald Siepermann e Daniel Welbat, dirigido por Boris Aljinovic e Harald Siepermann.


Trailer – As Aventuras dos 7 Anões

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