Anjos da Noite – O Despertar

Lá em 2003, Anjos da Noiteaté fez seu sucesso misturando todo látex e câmera lenta (e pessoas andando pelas paredes com armas nas duas mãos) de Matrix com esse mundo onde os Vampiros e os Lobisomens travam uma guerra milenar. Um sucesso que não Anjos da Noites - O Despertargarantiu que o segundo filme fosse assim tão visto (e que, pior ainda, quase permitiu que o terceiro não fosse visto por ninguém), mas que agora, quase uma década depois, permite que Anjos da Noite 4 – Despertar se possa dar mais uma chance para a série.

Nele, Katie Beckinsale volta como Selene, que não tinha participado do terceiro filme, e pelo que resume nos primeiros momentos de Despertar nem se importa muito com isso, já que prefere ignorar tudo que ocorreu à série em sua ausência. Na verdade, de modo acertado Anjos da Noite 4, nesses primeiros minutos de “lembranças”, só recorre àquilo que lhe interessa para que a série perdure por mais alguns filmes.

Na história, tanto os vampiros quantos os lobisomens (lycans, como eles preferem ser chamados) acabam sendo descobertos pela humanidade que então resolve exterminar completamente as duas raças. No meio dessa “temporada de caça a vampiros”, Selene, então, tenta fugir do país com seu amado híbrido, Michael Corvin (que já foi vivido por Scott Speedman e nesse filme é representado por algum dublê/câmera afastada/CGI), mas acabam sendo capturados.

Selene então acorda dentro de um laboratório doze anos depois disso e descobre que sua filha (…é, isso foi um SPOILER!), uma híbrida como o pai e que foi criada por cientistas, conseguiu escapar e agora está sendo perseguida. Resta então à heroína salvar a filha e descobrir uma trama que envolve o futuro tanto dos vampiros quantos dos Lycans.

Mas com um roteiro escrito a quatro pares de mãos, seria difícil acreditar que Anjos da Noite 4 – Despertar fosse mais que uma colagem de situações e uma trama que precise de mais que duas sequências para se formar, desenvolver e resolver, mesmo que entre esses nomes estejam o de Len Wiseman, criador de toda ideia original desde o primeiro filme e ainda, o experiente, J. Michael Straczynski (que recentemente escreveu Thor, mas ficou conhecido por sua série Babylon 5 e sua passagem pelos quadrinhos), tudo isso para, praticamente, nada.

Durante a maioria do tempo, Selene corre de alguém, enfrenta uns outros tantos, empilha um monte de corpos e, só lá para depois de boa parte do filme, acaba achando um objetivo maior (que não só salvar a filha) e que finge ser importante e suficiente para servir de motivação para os outros vampiros, porém em vão, já que nenhum a segue e faz com que essas causas se tornem inúteis.

Entretanto, em meio a diálogos atrapalhados que repetem a mesma informação e personagens chegando a conclusões sem deixar o espectador entender como, Anjos da Noite 4 – Despertar, ainda assim, tem uma história coerente que, talvez se melhor usada, até funcionasse diante uma reviravolta inesperada que mostra quem são os verdadeiros vilões da trama. Tudo isso com efeitos especiais que, se não são brilhantes, ao menos são minimamente competentes e fazem bem o trabalho de ludibriar o espectador/fã da série que nem percebe a quantidade de furos que movem a trama em direção ao seu final.

Mas Anjos da Noite 4 – Desperta” é isso mesmo, um filme de ação com vampiros (que mesmo muito menos afrescalhados que seus parentes em Forks, ainda se perdem em todo melodrama de calabouços escuros, sobretudos de couro e muito látex), lobisomens (bem pouco inteligentes quando preparados para uivar para lua), um futuro onde as noites “duram dias”, a dúvida eterna de onde Selene guarda os pentes de munição naquela roupa apertada e um 3D que só serve para aumentar o preço do ingresso.


UnderWorld – Awakening (EUA, 2012) escrito por Len Wiseman, John Hlavin, J. Michael Straczynski e Allison Burnett, Mans Marlind e Bjorn Stein , com Kate Beckinsale, Stephen Rea, Michael Ealy, Theo James, Kris Holden-Ried e India Eisley.


Trailer