Angry Birds: O Filme | Os passarinhos bravos invadem os cinemas

Angry Birds Filme

Lançar pássaros que não voam com um estilingue para que, assim, eles possam derrotar os porcos que roubaram seus ovos: essa é a premissa do jogo móvel lançado em 2009 e que, agora, chega às telonas em Angry Birds: O Filme. Mesmo com piadas bobas e diálogos, em sua maioria, pouco inspirados, a animação nos apresenta a um mundo divertido — e é eficiente ao combinar a jogabilidade do aplicativo com sua trama.

Aqui, os pássaros não voam — mas para onde eles poderiam querer ir, considerando que toda a felicidade e beleza de que precisam encontra-se em sua ilha isolada? Red (voz, na versão brasileira, de Marcelo Adnet), no entanto, discorda dessa filosofia de seus conterrâneos — o que, juntando-se ao fato de que ele é dado a ataques de raiva e de possuir expressivas sobrancelhas grossas, faz dele um alvo constante dos demais moradores. Após um incidente, ele é “condenado” a passar pelo curso de controle da raiva ministrado por Matilda (Dani Calabresa) — onde, mesmo relutantemente, acaba construindo uma amizade com o agitado Chuck (Fábio Porchat), o explosivo (literalmente) Bomba e o ameaçador Terêncio. Até que os pássaros vem um navio se aproximando. Lá dentro, encontram-se os porcos — que, aproveitando-se da boa vontade de seus anfitriões, colocam em prática seu plano para roubar todos os ovos da ilha.

Visualmente rico, o longa dirigido por Clay Kaytis e Fergal Reilly é repleto de referências e ótimas gags — mérito também do roteirista, Jon Vitti. Assim, acompanhamos o cuidadoso desenvolvimento dos pássaros quanto a sua simpática sociedade, passeando frente a lojas como “Early Bird Worm” e “The Apple Store”. Por outro lado, o diálogo não consegue divertir conforme planeja, e muitos momentos cômicos se estendem além da eficiência — como quando Chuck e Bomba tentam descobrir o grito de guerra da Grande Águia.

Da mesma forma, fica bastante óbvio que inúmeras piadinhas se perderam entre o roteiro original e a dublagem em português — como o momento em que Red diz que algo acontecerá “quando os pássaros voarem”, uma clara referência ao popular ditado em inglês “when pigs fly”. Ao menos, a animação mostra qualidade e cuidado técnicos excelentes — cada pássaro é cuidadosamente distinto um do outro, enquanto ainda mantendo características comuns a todos eles. A cena que os traz brincando em uma lagoa, por exemplo, traz uma animação fluida e bela da água — que, infelizmente, é estragada quando o filme se rende a uma gag boba envolvendo urina.

Além disso, para conquistar também o público adulto, Angry Birds se utiliza da velha estratégia de acrescentar referências a outras obras. Isso funciona muito bem aqui pelo fato de elas se concentrarem no palácio dos porcos, que, assim, se transforma em uma verdadeira “casa dos horrores”, como declara Chuck — com direito a um sinistro corredor em que porcos gêmeos convidam Red para brincar e a um cartaz que anuncia uma montagem de Hamlet estrelada por Kevin Bacon.

Angry Birds Filme

Mas, para funcionar, tudo isso precisa de uma narrativa envolvente — o que é o caso desta produção. Através de uma trama simples, mas eficiente, o filme acerta ao se aprofundar no desenvolvimento de seu protagonista. A raiva de Red nasce de sua solidão e no fato de que ele não se encaixa — algo compreensível ao considerarmos o otimismo sufocante dos demais pássaros. Assim, a facilidade com que os porcos enganam a comunidade se torna verossímil, já que isso é algo que poderia acontecer com personagens que têm aulas de controle da raiva como sua mais alta sentença.

É claro que Angry Birds jamais alcança a complexidade de Divertida Mente — e nem pretende — mas, assim como o filme da Pixar demonstrava o quanto todas as emoções, inclusive a tristeza, precisam trabalhar em conjunto para que possamos experimentar o mundo em sua totalidade, este filme também ilustra que, às vezes, é preciso deixar nossa raiva florescer — o que leva à determinação, à garra e, até mesmo, ao heroísmo.

E isso nos leva a uma das sequências chave do filme, que remete diretamente à estratégia do jogo de forma orgânica e divertida. O momento é, inclusive, bem construído — é possível perceber que ele acontecerá quando vemos os pássaros montando o barco que os levará até o palácio dos porcos a partir dos objetos que estes deixaram para trás na ilha, que incluem um estilingue.

Assim, em sua simplicidade e com sua trama e universo bem construídos, Angry Birds: O Filme é uma produção envolvente, tecnicamente admirável e que alcança (a maioria de) seus objetivos. Honrando suas origens como aplicativo sem fazer disso sua pedra fundamental, o filme torna sua relação — ou fato de relação — com o jogo irrelevante para o entretenimento.


“The Angry Birds Movie (EUA/Finlândia, 2016), escrito por Jon Vitti e dirigido por Clay Kaytis e Fergal Reilly , com as vozes (no original) de Jason Sudeikis, Josh Gad, Danny McBride, Maya Rudolph, Bill Hader, Peter Dinklage, Sean Penn, Kate McKinnon, Keegan-Michael Key e Tony Hale.


Trailer – Angry Birds

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