Altos Negócios | Todo mundo gosta de um filme sobre uma picaretagem


Histórias sobre grandes fraudes e picaretagens reais sempre chamam a atenção do público. Altos Negócios é um drama alemão sobre essa dupla de caras que fizeram uma fortuna através de um golpe no setor imobiliário, mas o interesse acaba aí.

O filme dirigido por Cuneyt Kaya então vai em busca dessa veracidade de modo ágil e sem preocupação com um clima real, mas nem seu ritmo salva o filme do tédio. Atropelado, excessivamente movimentado e alucinado, Altos Negócios segue uma carreira de cocaína e não deixa nunca que o fundo seja tão empolgante quanto seus picos.

A história acompanha o cabeça da operação, Viktor (David Kross), da juventude sem muita grana, até os primeiros golpes, que levam a um segundo, um terceiro maior ainda e assim por diante. O caminho dele é cruzado por Gerry (Frederick Lau), tipo mais acostumado com esse submundo e que lhe apresenta Nicole (Janaina Ushe), terceira cabeça do esquema.

A dupla, com a ajuda de Nicole, então constrói uma espécie de império imobiliário completamente sustentado por esquemas escusos, drogas, festas e, principalmente, ganância, tanto dele, quanto de suas vítimas. Na verdade, a trama é montada através de uma entrevista de Viktor na cadeia, então é fácil entender o que vai acontecer e aceitar a ideia de que os dois irão pagar por seus pecados.

A aposta nessa estrutura de flashback acaba se mostrando falha, já que a história não ajuda muito. O roteiro escrito pelo mesmo Kaya sentado na cadeira de diretor, não consegue lidar com a enorme quantidade de informações que seriam necessárias para montar o caminho desses personagens. Portanto, é fácil se perder depois do primeiro golpe e não entender direito como eles chegaram nos milhões e milhões de Euros.

Pior ainda, em uma busca por humanizar o personagem principal, ainda tenta a todo custo explicar seu completo mau-caratismo através de um trauma de infância e do distanciamento com os pais. É difícil acreditar sequer por um segundo que isso iria despertar em alguém a necessidade de enganar alguns milhares de pessoas. Com o intuito de desenvolver o personagem, o resultado é apenas um jeitão de desculpa vazia.

E do mesmo modo que essa solução bobinha parece mover a trama, todo o resto parece seguir o mesmo tom. O símbolo de ganhar dinheiro é sempre o mesmo, uma festa em slow motion cheio de drogas e mulheres meio nuas. A briga com a esposa parece saída de um buraco preguiçoso onde residem os piores roteiros. Sem contar uma pequena surpresa final para compensar a picaretagem e que parece obrigatória nesse tipo de filme onde o sorriso do protagonista pilantra sempre deixa aquela impressão de que ele não aprendeu nada.

De qualquer jeito, com uma direção prática e que acompanha bem a ação, Altos Negócios tem um certo bom humor simpático e acaba sendo um passatempo agradável e que vale mais pela ideia de ser uma história real, do que como experiência cinematográfica, essa, com certeza, só servirá para o filme sobreviver por um curto período de tempo antes que você escolha o próximo filme na lista da Netflix.


“Betontausch” (Ale, 2020), escrito e dirigido por Cuneyt Kaya, com David Kross, Janina Ush e Frederick Lau.


Trailer do Filme – Altos Negócios

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