A Última Casa da Rua

Última Casa da Rua Filme

Durante vários de seus filmes, Hitchcock provou que mais do que descobrir o vilão nos momentos finais, conviver com ele durante todo tempo é a arma correta para afundar qualquer espectador na poltrona do cinema. Por um momento, A Última Casa da Rua Última Casa da Rua Filme Posterparece que vai fazer isso, até perder completamente o controle de onde quer realmente chegar.

Nele, uma mãe e sua jovem filha (Elizabeth Shue e Jennifer Lawrence) se mudam para uma nova casa em uma nova cidade, uma casa enorme, mas que, aparentemente, só cabe em seus bolsos por ser vizinha de uma outro (no fim da rua) onde ocorreu um assassinato quatro anos antes. O problema é que, tão logo chegam ali, a filha acaba se apaixonando (ou algo do tipo, já que o roteiro não se preocupa em delimitar isso) pelo filho das vítimas, que hoje mora recluso e enfrenta o preconceito de toda cidade.

Pior ainda, na verdade (aparentemente, como o começo do filme mostra) os pais do garoto foram mortos pela própria irmã, com camisola surrada, cabelo caído na frente do rosto e tudo o mais. Mesma figura que, de acordo com uma “lenda urbana” que se formou, fugiu para o meio da floresta e vive lá até hoje.

A Última Casa da Rua então se sustenta por meio de dois pilares e um spoiler (se é que ninguém percebeu isso até agora): a tal da irmã que pode voltar para matar a todos como em um slasher qualquer, a verdade sobre o crime que só aos poucos vem à tona e a descoberta que o garoto ainda mantém a irmã sedada em um quarto. Razões mais que suficientes para prender a atenção do espectador que, por sorte, ainda é surpreendido, um punhado de vezes, com algumas boas reviravoltas e até um “complexo de Norman Bates” que dá uma baita profundidade ao filme (e só perde o peso quando o próprio filme “tem” que explicar isso no último plano, menosprezando a inteligência de seu público).

Mas todo esse esforço não presta para nada quando o roteiro de David Lucas (que também escreveu o problemático “A Casa dos Sonhos”), a partir de uma história de Jonathan Mostow (que escreveu e dirigiu o ruim “Os Substitutos”), não faz a mínima ideia do clima que quer impor em sua história. Se tenta ser um suspense normal, com correria fugindo do assassino no final, se prefere um monte de surpresas, ou até se quer “brincar de Hitchcock” e fazer o espectador conviver com o vilão. É lógico que tudo isso poderia conviver em harmonia, mas não é o que acontece.

Primeiro por um esforço enorme de limpar a barra do assassino (e sim, isso foi um spoiler…) com música triste, pais problemáticos (com direito a drogas, culpa etc.) e até uma espécie de bullying de toda cidade contra o “coitado do jovem sofrido”. Como se lutasse com unhas e dentes para vencer o preconceito imposto pelo meio e convencer o público de suas razões. Mas tudo isso vai por água abaixo quando, justamente, todos estão certos e o cara é, realmente, um doido psicopata. Situação que embaralha o coitado do espectador, que acaba o filme achando que certo estava o outro jovem de uma família abastada que finge “acabar com a fome” enquanto organiza animadas festas/orgias.

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Uma confusão ideológica que impede que A última Casa da Rua faça sentido por todo tempo que passou antes do final. Que deixa ser difícil entender quem estava observando as novas moradoras por trás dos arbustos, e de quem exatamente era o cobertor encontrado no meio da floresta fechada enquanto a personagem de Lawrence “dava uma andada para conhecer por ai”.

Isso tudo combinado com uma direção equivocada de Mark Toderai, que confunde planos fechados demais (e montagem picotada de planos detalhes) com estilo, mesmo que em ambas as situações ele não consiga mostrar nada que realmente interesse. Principalmente diante de uma série de trabalhos fracos, de um elenco mais fraco ainda liderado pelas duas loiras que já escolheram melhor seus trabalhos (independente do tempo de carreira de Lawrence).

E essa constatação vem, justamente, ao olhar A Última Casa da Rua à distância e perceber que, mesmo com um par de surpresas bem amarradas (e por que não, desperdiçadas em um punhado de equívocos que não as valorizam), o resultado talvez só quisesse ser um suspense descartável, ainda que tenha em mãos todas as ferramentas para afundar o espectador na poltrona, e não torcer para que ele aguente ficar até o final do filme nela, que é o que acontece.


House at the End os the Street(EUA, Can 2011) escrito por David Loucka e Jonathan Mostow, dirigido por Mark Tonderai , com Jennifer Lawrence, Elisabeth Shue, Max Thieriot e Gil Bellows .


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