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A Toda Prova

Steven Soderbergh é realmente um realizador interessante e inquieto. Entre mega-produções, como Traffic (que até levou o Oscar) e seus Homens e Um Segredo, e produções completamente independentes, como Bubble e Confissões de uma Garota de Programa, ainda encontra tempo para passear entre os mais diversos gêneros, e A Toda Prova se encaixa com louvor nessa terceira linha.

A ideia é óbvia: um filme simples, com uma trama mais simples ainda, que se disfarça em uma linha não linear, mas que quer mesmo é ver a campeão de MMA, Gina Carano, descendo a porrada em um punhado de vilões. Na história, ela é Mallory, uma ex-fuzileira naval que trabalha para uma espécie de empresa terceirizada de operações especiais (Black ops), mas que acaba virando alvo dos próprios chefes quando decide largar o emprego.

E mesmo que essa aparente falta de criatividade do roteiro de Lem Dobbs (que permeia sua carreira entre besteiras como “A Cartada Final” e o interessante Dark City) não dê tanta esperança assim, a vontade de Soderbergh de fazer algo interessante compensa isso e faz com que A Toda Prova seja muito mais eficiente do que aparenta. Tanto em termos visuais como narrativos.

Durante todo tempo, Soderbergh parece se preocupar em criar esse filme de ação visceral, que inquieta o estampido dos tiros e olha de longe os tiroteios, já que deixa bem claro que, assim como fez com a atriz pornô Sasha Grey em Diário de Uma Garota de Programa, quer mesmo é explorar a presença física de Carano em cenas de luta perfeitamente bem coreografada e que acabam valendo o filme. Até por que, em busca de mais um gênero para sua filmografia, Soderbergh parece querer mesmo é colocar seu A Toda Prova lado a lado com filme de ação descartáveis, daqueles que enchiam as locadoras nos anos 80 e tanto davam audiência nas noites de domingo na TV aberta.

A diferença aqui é o estilo. Com a ajuda de Peter Andrews na direção de fotografia (que na verdade é o próprio Soderbergh) e Mary Ann Bernard na montagem (que também é um pseudônimo do diretor), o filme se torna um exercício dinâmico de como um filme de ação descartável poderia ser enriquecido nas mãos de um diretor em busca de algo além. Em uma perseguição pelas ruas de Barcelona, Soderbergh não se contenta enquanto não encontra um número infindável de planos fixos nos lugares mais incomuns que todo cenário lhe permite, tudo isso à jato, com os quadro pulando à sua frente; em outro, menos ágil e que serve de preparação para a ação do grupo comandado por Mallory, tudo parece caber e funcionar, de uma câmera mexida ao preto e branco (passando pelas imagens estouradas e, “até”, convencionais). Tudo isso, pois Soderbergh entende completamente como “modernizar” e dar ritmo a uma cena, mesmo de modo artificial e manipulatório.

Assim como sabe perfeitamente que o único jeito de surpreender seu espectador é destruindo suas expectativas (como faz com os tiroteios), e em uma luta entre duas pessoas, o único modo de fazer isso é, justamente, acabar a luta. A Toda Prova não permite que vilão nenhum recobre a consciência e ataque uma última vez, já que isso seria impossível com uma bala na cabeça ou prestes a morrer afogado, assim como, na contramão dos dias de hoje, coloca a personagem para ser ajudada por, ninguém mais ninguém menos, do que o próprio governo dos Estados Unidos, grande vilão atual do cinema de espionagem e ação.

Soderbergh tem controle total sobre o que fazer com cada peça de seu tabuleiro (e o elenco cheio de caras conhecidas faz com que isso não se torne mais óbvio ainda), e, se coloca de modo óbvio e preguiçoso um rapaz qualquer para escutar a história da protagonista, mesmo que seja difícil entender por que ela está fazendo isso naquele momento, não se esquece de brincar com isso, “lembre-se desse nome”, avisa Mallory para o garoto (ou será para o espectador), como se tentasse lembrar para sua plateia “afinal é ele que vai ser o meu ponto de virada” (e talvez ela não esteja ali para ficar se repetindo).

E se em certo momento o vilão vivido por Ewan McGregor comenta que sua principal motivação é “sempre o dinheiro”, acaba sendo bem diferente de A Toda Prova, que lembra que, para Soderbergh, mais que blockbusters e filmes independentes, sua motivação é continuar fazendo cinema.


Haywire(EUA, 2012) escrito por Lem Dobbs , dirigido por Steven Soderbergh, com Gina Carano, Ewan McGregor, Bill Paxton, Antonio Banderas, Michael Douglas, Michael Fassbender, Channing Tatum e Michale Angarano.


Trailer

2 comentários em “A Toda Prova”

  1. Vinicius Carlos Vieira

    O Antonio Banderas aparece no mínima uma meia dúzia de vezes antes do final do filme….

  2. filme lixo não entendi nada disso pq o Antonio Banderas aparece só no final e qm é ele no filme

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