A Sétima Alma

por Vinicius Carlos Vieira em 12 de Dezembro de 2010

O pôster de “A Sétima Alma” anuncia Wes Craven como “Mesmo diretor de ‘Pânico’”, a versão americana ainda estende para “A Hora do Pesadelo” e “Aniversário Macabro” (esse último, lembrado muito provavelmente, apenas por ter tido uma refilmagem recente, “A última Casa”). O problema disso é que, com “Quadrilhas de Sádicos” também entrando nessa lista, acaba se obtendo praticamente uma curtíssima lista de acertos em uma carreira que já chega perto de quatro décadas. Muito pouco para um nome tão celebrado, e “A Sétima Alma” não ajuda em nada.

E o pior de tudo é que aqui, Craven acaba não conseguindo nem ao menos fazer um filme que faça sentido no afã de contar uma história que poderia muito bem ser esquecido. Nela, dezesseis anos depois de uma série de assassinatos, a pequena cidade de Riverton ainda convive à sombra desse suposto “Estripador de Riverton”, principalmente as sete crianças que nasceram exatamente na noite em que o homicida, supostamente, morreu. Para a lenda que se forma, ao morrer o “estripador” dividiu suas múltiplas personalidades no corpo desses sete jovens, até o dia dele voltar para pegá-las.

Em resumo, Craven, que também escreveu o roteiro, tira as lâminas afiadas de seu Freddy Kruger (assim como todo charme) e brinca de escrever a mesma história, com um bando de jovens tendo que pagar a pato de algo que não tiveram nada a ver pela mão de um assassino sádico. É bom lembrar que aqui, a história no fim das contas até ruma para um lado menos sobrenatural, mas depois ela volta para esse lado, visita uma porção psicológica da idéia e por fim… por fim, ele mata o maior número de personagens possíveis e encerra seu filme.

Wes Craves acaba então assinando uma copia canhestra e mal feita de si mesmo, fazendo exatamente o que o cinema de horror fez aos rodos depois que Freddy, Jason, Michael Myers e Letherface deram as caras: arrumou um desculpa qualquer para matar um monte de colegiais, mesmo que, infelizmente, nem isso ele consiga.

Além de não criar nem uma estrutura minimamente surpreendente, já que dos sete, seis são mais que óbvias vítimas a espera do abate, o diretor peca mais ainda em não conseguir equilibrar isso tudo. Depois da introdução, onde o tal “Estripador” é apresentado (sequencia que vai arrancar muitas risadas, mesmo não sendo essa a intenção, com a teimosia dele em morrer) “A Sétima Alma” vaga entre os personagens sem muita importância, sem aprofundamento nenhum, apelando para uma dinâmica manjada de corredor de escola nos Estados Unidos, para só então, muito tempo depois, matar metade do elenco em sequencia sem interrupção, com isso, praticamente telegrafando qualquer outra surpresa que o espectador pudesse esperar.

Isso, ao mesmo tempo em que dá ao seu protagonista alguma espécie de problema mental (talvez múltiplas personalidades, esquizofrenia, ou até a explicação horrorosa que ele saca ao final do filme, envolvendo absorção de almas) que, realmente, pouco importa, já que no fim das contas ela não vai ter muito importância. Ainda mais quando ninguém tem tempo de ver a reação disso tudo, bem verdade nem disso, nem de nada mais. Craven é apressado e como tudo acontece no período de um dia, a solução acaba sendo mortes em blocos, uma sequencia de revelações e um final corrido, que até dura bastante tempo, mas não tem a menor das preparações, e quando surge, só serve para, pelo menos, avisar ao público que toda aquela besteira está perto de terminar. Para o bem de todos.

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My Soul to Take (EUA, 2010), escrito e dirigido por Wes Craven, com Max Thieriot, John magaro, Denzel Whitaker, Zena Grey, Nick Lashway, Paulina Olszynski, Emily Meade e Jessica Hetcht

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