A Possessão do Mal Poster

A Possessão do Mal

Você já conhece a história: câmeras espalhadas pela casa, acontecimentos estranhos que vão aumentando a cada noite e os especialistas na arte de se comunicar com espíritos. Você até já conhece suas variantes: a família feliz com um final trágico, o cético que precisa de provas concretas de que algo está errado e os “jump scares” que agora usam a câmera subjetiva para assustar. E tudo isso você vai encontrar em A Possessão do Mal.

Ainda assim, o trabalho do diretor estreante David Jung merece seus créditos por pegar todas as fórmulas batidas dessa geração de terror e construir algo minimamente coeso e, com um pouco de sorte, que assuste a noite da maioria dos espectadores.

O filme é centrado o tempo todo na figura de Michael King do título original (Shane Johnson), um documentarista que vê sua jovem mulher morrer por conta de uma decisão fortemente influenciada por uma cartomante. Disposto a colocar a limpo essa questão do sobrenatural, seis meses depois ele inicia um projeto em sua própria casa, enchendo-a de câmeras e carregando sempre uma consigo na esperança de captar a única coisa que as pessoas que mexem com o sobrenatural ainda não conseguiram obter: provas concretas.

A Possessão do Mal Crítica

Ao visitar um ex-padre que ouviu o demônio, um casal de satanistas e seu ritual dark-erótico e um necromante à noite no cemitério, Michael parece pouco se importar com os pesadelos de sua filha, pois se encontra obcecado com o além-mundo. Bom, como diz o ditado, quem procura acha, e agora Michael terá que conviver com o fato que ouve vozes constantes e sofre movimentos involuntários dizendo o que seu corpo deve fazer. A experiência do filme é constatar a visão subjetiva de quem está aos poucos sofrendo um processo de possessão demoníaca. Se demônios não costumam mais assustar as pessoas, uma pessoa perturbada e câmeras de perfil parecem hoje em dia dar um resultado mais eficiente.

A Possessão do Mal então é beneficiado enormemente pela edição de Jake York, seus cortes bruscos no tempo e espaço, tudo para aumentar ainda mais essa sensação de perda de controle que Michael compartilha com o espectador. Com detalhes que vão se somando a cada novo momento filmado, a sensação é que os dias vão se perdendo, e a casa aos poucos vai se transformando em um pequeno antro do inferno.

O resultado é que, mesmo tendo que aguentar as falhas graves de lógica – principalmente quando não há câmeras na mão de Michael, mas magicamente temos a visão a partir de seu rosto – e os sustos desnecessários aliados a falhas grotescas no vídeo que qualquer observação mais atenta relevaria algo muito estranho acontecendo, A Possessão do Mal consegue se sair bem em sua narrativa a ponto de relevarmos seus detalhes e nos concentrarmos no drama que se estabelece no protagonista e que se recusa a sair. Um bom exercício de estilo, ainda que provavelmente seja esquecido rapidamente ao sair da sala de cinema.


“The Posssession of Michael King” (EUA, 2014), escrito e dirigido por David Jung, com Shane Johnson, Ella Anderson e Cara Pifko


Trailer – A Possessão do Mal

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