A Garota e A Aranha | Crítica do Filme | CinemAqui

A Garota e A Aranha | O mundo é das mulheres

Não é delicioso ver tantas mulheres loiras e bonitas te encarando através da câmera? Essa é a magia por trás de A Garota e A Aranha, um filme cuja maior atração é olhar para essas mulheres e imaginar as mil e uma estripulias que se passam por suas cabeças.

Uma delas está de mudança. As outras vêm ajudar e ficar zanzando pela casa. Há também as vizinhas de baixo e de cima. Cachorros. Gato. Crianças. Funcionários da mudança. E Mara, uma moça sapeca.

A “moça sapeca” apronta quando ninguém está olhando. Ela também gosta de mentir. Vamos descobrindo que todas essas mulheres são ou foram muito sapecas. Menos a que está de mudança. Ela olha para a mãe que veio ajudar, ela está flertando com o senhor da mudança. A filha comenta que nunca sentiu que ela fosse realmente sua mãe. Algo estranho de se falar sobre a própria mãe, não? É algo mais comum de se imaginar do pai, eu diria, mas o filme escrito e dirigido por Ramon Zürcher e Silvan Zürcher explora mais as personalidades do que o parentesco entre os personagens.

Brincando com nossas percepções do cotidiano enquanto estamos sendo encarados por essas charmosas musas, de todos os estilos e idades, o ápice do filme se torna uma pós-balada de boas vindas da nova moradora. No meio da noite uma das garotas brinca com o órgão genital do rapaz com quem dormiu. Outra garota coloca seu capacete de moto, lembrando no escuro uma versão light de Darth Vader nua. Ela adentra o quarto com esse capacete. E de repente você saca: é filme de arte.

As impressões de A Garota e A Aranha nunca são certeiras, mas quase sempre curiosas. O filme é uma viagem. A música-tema, tocada em diferentes tons, beneficia o filme. Beneficia qualquer filme que toque. Voyage Voyage, do cantor francês Desireless, é um hino versátil que atravessa décadas. Aqui coube melhor ainda.

A Garota… reflete sobre o piano abandonado desde a fuga da empregada pianista enquanto observamos uma direção solta, que usa planos bem fechados para nos aproximarmos do tema: as mulheres. As mulheres são o tema, as protagonistas e as líderes de tudo o que acontece no filme. Consequentemente no mundo.


“Das Madchen Und Die Spinne” (Sui, 2021); escrito e dirigido por Ramon Zürcher e Silvan Zürcher; com Henriette Confurius, Liliane Amuat e Ursina Lardi.


O filme faz parte da cobertura da 45° Mostra de Cinema de São Paulo

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