A Força da Natureza | Sei lá o que o Mel Gibson está fazendo em Porto Rico…


Muita gente não sabe, mas Porto Rico é um troço chamado “território não incorporado dos Estados Unidos”. O que isso quer dizer é bem complicado, mas fique com isso em mente na hora de ver A Força da Natureza, nova produção lançada na Netflix que tem cara de filme americano e cheiro de filme americano, mas é em Porto Rico só para variar um pouco.

São mais de três milhões de cidadãos americanos morando nessa ilha no Caribe, mas a língua falada por lá é o espanhol, por mais que o “tira” vivido por Emile Hirsch, Cardillo, não fale ela, mesmo com o sobrenome latino. O policial acabou indo parar lá depois de um trauma em Nova York. Agora ele só quer ficar em sua mesa esperando nada acontecer, mas uma tempestade o obriga a ficar responsável pela evacuação de um prédio qualquer. Mas não existe “prédio qualquer” em um filme de ação com um roteiro pouco preocupado com o bom senso.

O lugar tem alguns moradores excêntricos e que são perfeitos para um filme de ação descartável. Tem um cara que cria um felino selvagem qualquer, tem um médico que não está lá, mas tem um kit de primeiro-socorros providencial, sem esquecer de um americano doido que acha que o mundo vai acabar e ter dezenas de armas do apartamento, mas ele também não está lá. Quem está é um alemão sinistro, Blas, o Mel Gibson, um “ex-tira” de Porto Rico que não quer sair de casa, e sua filha enfermeira (lembra do kit?).

Mas como Cardillo e sua nova parceira (Stephanie Cayo) estão em um filme de ação, precisam enfrentar a quadrilha comandada pelo bandido cruelzão “João Batista” (David Zayas, que é o único porto-riquenho do elenco). Os bandidos estão procurando umas obras de arte escondidas em algum lugar. O resto é aquilo de sempre ao melhor estilo Duro de Matar, mas sem nenhuma de suas qualidades.

Esse desastre é dirigido por Michael Polish e isso não quer dizer muita coisa. Bem verdade algumas cenas de ação funcionam e as poucas lutas que estão no filme são bem coreografadas e fáceis de entender. Mas em nenhum momento o filme parece ter o ritmo suficiente para entreter o espectador. A própria tempestade não serve para nada, assim como os vilões, que em nenhum momento parecem ser minimamente treinados para aquele trabalho.

O roteiro de Cory M. Miller também não ajuda. Ainda que vez ou outra surjam algumas linhas de diálogos divertidas e inteligentes, no resto do tempo o que o espectador vai ganhar é um desfile de bobagens e desculpas sem sentido para que a trama siga em frente. Mesmo que aquilo não faça sentido. E não faz.

A doidera chega ao ponto de fazer o tal grande felino selvagem não identificado não gostar de policiais e, sabe-se lá como, fazer o vilão (com 1,90m e 90kg) vestir o uniforme do mocinho com 20cm a menos de altura e 20kg a menos de peso. Um uniforme que só na rasga, pois o que rasga é o bom senso.

E isso tudo porque você ainda nem sabe que a trama toda gira em torno de um nazista… em uma tempestade… em um prédio em Porto Rico… com o Mel Gibson fazendo sei lá o que no meio disso tudo.


“Force of Nature” (EUA, 2020); escrito por Cory M. Miller; dirigido por Michael Polish; com Emile Hirsch, Mel Gibson, David Zayas, Kate Bosworth, Stephanie Cayo e William Catlett


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