A Família Wolberg

por Vinicius Carlos Vieira em 24 de Janeiro de 2011

Uma das coisas mais agradáveis que o cinema pode lhe dar é esse convite para acompanhar a história e um grupo de personagens, com seus problemas e suas alegrias. O Problema é quando se faz isso sem falar para os seus espectadores o que sentir diante de tudo aquilo, infelizmente “Família Wolberg” se esquece disso.

Logo de cara, “Família Wolberg” parece ser uma daquelas comedias cínicas sobre personagens chatos à procura de uma risada difícil, como no discurso do protagonista para um grupo de crianças. Não que isso seja um defeito, o cinema dito “independente” de Hollywood está cheio de exemplos com essas mesmas características que dão certo.

A trama é justamente sobre essa família, com o pai prefeito de uma pequena cidadezinha, a mãe apaixonada, sentada na mesa de jantar servindo a todos e dois filhos, o menor, meio esquisitinho, cego de orgulho pelo pai e a maior, perto de completar 18 anos e assim poder viver sua vida (talvez a primeiro a se mostrar problemático desde seu início). Esse círculo ainda conta com o irmão do protagonista, um “boêmio” (como o próprio irmão o aponta para o filho) que leva a vida viajando pelos lugares e o pai deles, ainda preso ao passado recente da morte da esposa.

E do mesmo jeito que o parágrafo anterior, “Família Wolberg” aos poucos vai se transformando em um filme reprimido por seus dramas familiares, como se optasse por varrer para fora toda sujeira que estava por baixo do tapete. Não segredos (ainda que a mãe acabe tendo um), mas sim sentimentos escondidos, doenças e discussões mal resolvidas. O filme dirigido por Axelle Ropert então parece sofrer de uma bipolaridade que não o permite sair de uma confusão entre alegria e depressão, que prende o ritmo do filme e impede que ele seja nada a não ser uma experiência desempolgante.

Ropert ainda falha com uma mão pesada e repetitiva, que não deixa o filme ter ritmo, assim como não consegue fazer com seu enorme número de planos detalhes tenha força, tudo de modo artificial demais, como se fosse refém deles dentro da narrativa.

Por outro lado, seu roteiro (também de Robert) acaba se mostrando espalhado demais, sem uma linha mais concreta a ser seguida, o que prejudica os próprios personagens que, embora sensíveis e verdadeiros na medida, não parecem presos a uma linha. A um objetivo. Um foco.

No fim das contas, “Família Wolberg” é triste e melancólico, o que deve agradar algumas poucas pessoas (podem acreditar elas existem), mas pelo menos se esforça para contar a história dessa família, que não é perfeita (como a maioria), mas pelo menos segue unida (mesmo que de modo solitário) até o fim. Não uma lição de vida, somente uma reflexão frágil.

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La Famille Wolberg (Fra, 2009), escrito e dirigifo por Axelle Robert, com François Damiens, Válire Benguigui, Valentin Vigourt, Léolpolidne Serre e Serge Bozon.

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