A Casa dos Sonhos

por Vinicius Carlos Vieira em 06 de Novembro de 2011

A Casa dos Sonhos Filme

Não é à toa que o diretor indicado seis vezes ao Oscar (entre roteiros e filmes), Jim Sheridan, tenha lutado com unhas e dentes para tirar seu nome de A Casa dos Sonhos (a montagem final ficou para o estúdio). Mesmo vindo de dois desastres Fique Rico ou Morra Tentando (aquele com 50 Cent) e Entre Irmãos (que não conseguiu captar a sensibilidade do original dinamarquês), A Casa dos Sonhos vai muito mais fundo que essa dupla, a lugares que eles sequer imaginaram chegar.

A primeira impressão que deixa é de uma falta enorme de história para contar, em um começo longo, onde não acontece nada, a trama não é exposta, o personagem principal (Daniel Craig) não é desenvolvido, tudo obrigando o espectador de A Casa dos Sonhos a vagar por um marasmo narrativo sem igual. É verdade que o filme é estruturado para ganhar força diante dessa reviravolta em seu meio, mas mesmo assim, é fácil fazer com que todos no cinema se sintam enganados por essa decisão.

Talvez seja culpa da montagem final (nunca duvidem do poder de um punhado de cortes), mas a impressão que fica é que, mesmo assim, A Casa dos Sonhos teria sérios problemas em razão do roteiro pouco interessante de David Loucka, que não parece ter em mãos uma trama realmente interessante, ao menos no que se refere aos dois momentos do roteiro separados dessa grande reviravolta.

Na história, Craig é um editor que decide largar o emprego na cidade e dar toda atenção à sua família, agora morando em um subúrbio frio e em uma casa em reforma, o problema é que, logo que chegam a ela, acabam descobrindo que ali foi cena de um horrível crime em que um pai matou a mulher e as duas filhas, um crime que, então, acaba voltando à tona para assombrar essa família.

Vista assim, A Casa dos Sonhos já não empolga de jeito nenhum por ter esse ranço “amityvilliano”, o que não deixa ninguém no cinema surpreso quando o pai parece ficar obcecado pelos crimes, mas é então que essa reviravolta dá um novo rumo para a história que, teoricamente, faria com que A Casa dos Sonhos se tornasse esse suspense psicológico, coisa que, infelizmente, não acontece.

A Casa dos Sonhos Filme

Não há como negar que essa surpresa no final das contas é (redundantemente) surpreendente, mas ela só acaba o sendo já que até aquele momento, A Casa dos Sonhos parece decidir que isso não faria parte de seu filme. Não existe uma só dica, ou mistério, ou ângulo de câmera ou qualquer outro subterfúgio que permita que o espectador sequer desconfie do que está para acontecer. E se para muitos isso é para esconder a reviravolta, na prática isso mais parece desorganização narrativa, como se tanto o começo quanto o final não fossem feitos pensados nesse meio, mas sim independentes, como se preocupados somente com eles mesmos.

Pior ainda (aqui começando a discutir certos spoillers!!!) é mais difícil de entender ainda a tentativa de colocar o protagonista no meio dessa trama e não se preocupar com qualquer nível de simpatia do mesmo. Durante o começo chato, Craig, e uma franginha feia demais, parecem uma casca oca e sem personalidade e, do meio para frente, acaba se tornando maluco suficiente para incomodar a todos. E essa esquizofrenia acaba atingindo seu público, que, assim como ele, se mostra incapaz de saber o que era verdade o que era mentira, o que ainda vale para o personagem e o que estava lá só para enganar todos.

A Casa dos Sonhos então peca em ter uma premissa interessante (Scorsese fez maravilhas com a mesma ideia em A Ilha do Medo), mas que acaba sem saber o que fazer com ela, sem saber se, após essa reviravolta, o melhor fosse levá-la pelo drama da situação, pelo terror psicológico (e até paranormal) ou por um suspense de busca pelo assassino, talvez então opte pelos três e dê com os burros n´água. Um filme sem coragem de sacrificar melhor seu personagem diante de sua platéia, que escolha então por uma final mais que corriqueiro e sem graça, ainda que tivesse ferramentas para chegar mais longe.

A Casa dos Sonhos disputa entre ser misterioso e chato, e Jim Sheridan fez bem em tentar pular fora antes do iceberg, mas infelizmente é difícil acreditar que ele não o tenha colocado nem um pouquinho da direção dessa tragédia.


A Casa dos SonhosDream House (Bra, 2011), escrito por David Loucka, dirigido por Jim Sheridan com Daniel Craig, Naomia Watts, Rachel Weisz e Elias Koteas


8 Comments

  1. Gostei, achei um ótimo filme que me fez fazer muitos questionamentos sobre a verdadeira identidade da personagem.

  2. Entediante, faltou coerência, o espectador fica tão perdido quanto o personagem, me pareceu amadorismo.

  3. Assisti ontem ao filme e hoje resolvi fazer uma pesquisa e ler as críticas a respeito do mesmo. Agora estou sabendo que o diretor pediu para que seu nome fosse retirado do filme, entre outras coisas.
    Concordo quando disseram que o filme se perde por não dar ênfase, ou á investigação policial, ou pelo terror psicológico ou pelo drama da situação.
    De um modo geral achei o filme legalzinho, nada espetacular. Eu não sei onde o diretor gostaria de chegar para ter achado a edição final tão ruim ao ponto de querer tirar seu nome do projeto.
    Porém confesso que o diretor deveria ter algo bem mais legal para mostrar, até fiquei curioso em saber o ”verdadeiro” roteiro do filme.

  4. Ameeeeeeeeeeeeei o filme, pois prendeu a atenção minha e do meu marido do começo ao fim! Adoramos assistir esse tipo de fime! Eu recomendo /

  5. É, talvez se não fosse do conhecimento que esse tal diretor resolvesse quicar fora da empreitada as críticas em geral seriam bem diferentes, ah isso seria

  6. Eu gostei… não é espetacular, e sente-se que com um pouco mais de boa vontade (e atuações mais inspiradas) o filme poderia ter sido muito bom, mas dá para entreter do início ao fim. Prende a atenção e faz a gente ficar tentando desvendar a trama, o que já é bem interessante.

  7. Só entende a critica quem assistiu e ENTENDEU o desfecho do filme. Só recomendo para os inteligentes,por ser parecido com A ilha do medo, ele começa confuso mas tem um desfecho brilhante. Recomendo. Só um detalhe para a cena do fogo na casa, quando ele ao procurar um diário escondido na escada, visivelmente o espectador sabe q o fogo e cenografico, pq ele dxa a perna no meio do fogo e nao sente dor e nem queima as roupas. Mas e só um detalhe rsrs

  8. Que crítica horrorosa é essa… não consegui entender nada, um colcha de retalhos sem fim.

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