522. Um Gato, Um Chinês e Meu Pai | Um recomeço simpático


Uma história simpática sobre perdas e recomeços, 522. Um Gato, um Chinês e Meu Pai acompanha a espanhola George (apelido de Georgina, nome que também foi de sua avó) e sua busca pela reconexão com sua família: o pai que percorre o mundo escrevendo guias de viagem, sua falecida mãe, e sua também falecida avó em Portugal.

George (Natalia de Molina) é agorafóbica e não consegue se afastar mais do que 522 passos de sua casa. Ela mantém uma rotina milimetricamente calculada, que inclui paradas rápidas no supermercado para comprar ração para seu gato e visitas semanais de um dos vizinhos de seu prédio. Um dos poucos amigos de George é um lojista chinês (Alberto Jo Lee). Certo dia, o gato da jovem foge de casa e acaba sendo atropelado, e George decide ir até Portugal para que possa “reunir” o animal e sua avó (que foi sua dona original).

Para tanto, George e o lojista transformam a van dele em uma “réplica” do apartamento dela. Aos poucos, a protagonista passa a se sentir mais confortável para se afastar mais do veículo e explorar os arredores que trazem tantas lembranças e sentimentos à tona. Porém, o diretor e roteirista Paco R. Baños entende que a condição e os traumas de George não vão sumir de uma hora para outra e não se propõem a “curar” a personagem, mas a entendê-la e expandir seus limites. Isso é feito de forma leve — o longa não exatamente se aprofunda em seus temas —, mas eficaz e envolvente. A dinâmica entre Natalie de Molina e Alberto Jo Lee e a compreensão e amizade crescentes entre eles também é um ponto forte.

Trazendo elementos divertidos, como a rima criada a partir das várias pessoas que acenam em despedida a George conforme a van se afasta, 522. Um Gato, Um Chinês e Meu Pai é uma simpática obra sobre o quanto nossas vivências em família impactam quem somos e o que fazemos para nos afastar — e nos aproximar — disso.


“522. Un Gato, Un Chino y mi Padre” (Esp/Port, 2019); escrito e dirigido por Paco R. Baños; com Rafael Afonso, Miguel Borges, Martim Baginha Cardoso e Natalia de Molina.


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