2019 – O Ano da Extinção

Por Vinicius Carlos Vieira e o1 de Setempo de 2010

Se a saga Crepúsculo não fez nada de bom pelo cinema, pelo menos possibilitou com que qualquer filme sobre os lendários sanguessugas pudessem cair nas graças dos fãs do gênero, por pior que fosse a produção, como uma bóia em um naufrágio, já que pior do que está, não poderia ficar. E é nesse vácuo que o misto de ficção e terror Daybreakers (que por aqui chegou às locadoras com o nome terrível de 2019 – O Ano da Extinção) fará a alegria de muita gente.

Primeiro de tudo por uma trama interessante, sobre um futuro recente onde a humanidade foi sobrepujada por uma população de vampiros, mas que, no ano do título nacional, acabam se vendo de frente com uma eminente escassez de seu alimento primordial: o sangue. É diante desse panorama que um vampiro hematologista de uma grande corporação, vai à busca de um substituto sintético e acaba indo de encontro à sua humanidade.

Na verdade, o que mais chama a atenção em tudo isso, é o quanto os diretores gêmeos alemães Michael e Peter Spiereg se divertem fazendo esse Daybreakers, construindo um mundo completo, uma sociedade que se sustenta narrativamente sozinha. Explorando extremamente bem esse paradoxo onde o mundo passa a viver enquanto a luz do sol se esconde, criando um monte de detalhes deliciosos, que extrapolam o clichê do vampiro a favor de sua história. Desde o jornal anunciando o alto nível de queimadas florestais causadas por combustões de vampiros ao sol, até um “alerta de UV” dos carros e mais um monte de “brincadeiras” com o tema que farão o espectador se aproximar mais ainda da trama.

Mas, talvez esse cuidado exacerbado reflita diretamente em uma narrativa pouco inspirada, que, por mais que consiga equilibrar bem todos conflitos da trama, fazendo tudo caminhar com propriedade para um final, que, se não é o mais empolgante, é, pelo menos coerente, acaba tomando uma proporção global demais ao mesmo tempo em que não parece ter vontade de sair daquela cidade. Sem saber exatamente até onde aquele crescimento da tal subespécie se dá, fica difícil entender, e até imaginar, até onde aquela própria sociedade “vampírica” se estende, mesmo que no final encare tudo como a apoteose de um novo mundo.

Sobre tudo isso pelo menos, a dupla de diretores acaba mostrando um apuro visual interessante, que parece sempre preocupado com uma ou outra composição mais plástica, que acaba não movendo sua câmera com o mesmo apreço, mais ainda assim faz tudo funcionar visualmente, principalmente por uma combinação bacana entre CGI e maquiagem que tempera tudo com gore (e ainda um visual bacana de ambas espécies de vampiros) suficiente para agradas aos amantes do gênero.

Todo esse capricho acaba refletindo (por falar nisso, a brincadeira com o reflexo dos personagens é sempre interessante) em uma falta de recursos financeiros que dão as caras em algumas cenas de ação, que acabam sendo algo que ajudará o filme a ser encarado com uma produção menor, mesmo com o apuro visual dos diretores. Sem falar em um elenco que, mesmo com nomes interessantes, não faz jus a isso, com um Willen Dafoe exagerando na dose de herói durão, um Ethan Hawke que prova mais uma vez que só funciona na mão de alguns poucos diretores (o que não é o caso aqui) e um Sam Neil apagado, como vem fazendo nos últimos anos.

O bom disso tudo, no final da contas, é que Daybreakers (“2019…”) acaba sendo uma opção interessante não só para quem gosta de terror, ou esta à procura de uma ficção científica meio apocalíptica, mas acima de tudo para quem busca matar a saudades de um monte de vampiros que acabam encarando seu estado post morten como uma maldição, que morrem na luz do sol, e passam a ter um problema de “coração partido” só quando encontram com uma estaca cravada em seu peitos.


Daybreaker (Aut/EUA, 2009) escrito e dirigido por Michael Spiereg e Peter Spiereg, com Willen Dafoe, Ethan Hawke, Sam Neil e Claudia Karven


5 Comments

  1. É impressão minha ou tu está criticando minha crítica, Antônio?

    PS: e percebeu que eu te critiquei sem te chamar de babaca? O nome disso é evolução….

  2. Criticar é fácil, difícil é fazer melhor! Cai na real Vinicius Carlos Vieira! Faz melhor seu babaca!

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