13° Distrito

13° Distrito

Não é exagero dizer que Luc Besson está bem no meio de todo esse “revival” do cinema de ação que Hollywood tem nadado. Uma onda que simplifica o gênero e aposta justamente naquilo que seu espectador mais espera: ação. 13° Distrito faz parte disso, na 13° Distritoverdade já fez, e agora chega aos Estados Unidos para continuar relevante dentro do gênero.

Relevante dentro do gênero nem de longe quer dizer que o resultado seja um filmão, não é. E por mais que entregue quase tudo aquilo que promete (pelo menos para quem viu o original francês, de 2004), o esperado é bem pouco. Suficiente para divertir, bem verdade, mas bem pouco para quem entrar no cinema esperando algo mais épico que um monte de recortes de outros filmes do gênero.

O remake então tem um pouco do próprio B13 – 13° Distrito original, tem um policial disfarçado vivido por Paul Walker se juntando a um “anti-herói” (do mesmo jeitinho que ele fez em “Velozes e Furiosos, só que dessa vez em parceria com David Belle, repetindo o papel do original francês), sem contar a premissa de um cara se jogando de cabeça dentro de um território caótico (as tais Brick Mansions do título original, que no francês era o 13° Distrito) empurrado por um cronômetro (nesse caso uma bomba) comandado por um bandido mal e um monte de capangas armados (igualzinho Fuga de Nova York).

O pouco do original surge justamente do “parkour”, que em 2004, dirigido Pierre Morel (que usou esse trabalho como credenciamento para sua passagem para Hollywood, onde dirigiu Dupla Implacável e Busca Implacável) ainda era novidade, mas que hoje já soa cansado, já que até o 007 andou pulando por ai. Por sorte a direção do estreante Camille Delamarre valoriza bem cada momento dele (com muito slow motion e uma câmera precisa, principalmente sua sequencia inicial) enquanto ainda aposta em um clima quase cartunesco que conquistará boa parte da plateia e fará o tempo passar rápido e cheio de diversão.

13° Distrito

E a culpa dessa “falta de novidade” talvez seja do próprio Luc Besson, que escreveu (e produziu) tanto o original quanto esse, mas agora acabou “americanizando” demais um gênero que já foi “americanizado” lá na França, justamente pelo próprio Besson nos anos 90 (em Taxi entre outros). Sai então boa parte do confronto corpo a corpo e das perseguições a pé do original e entra algumas sequencias com carros, com direita até ao clássico “tira pendurado para fora”.

Felizmente, assim como as cenas de “parkour”, Delamarre (que já trabalhou com Besson montando Colombiana, produzido por ele e dirigido por Oliver Megaton) acaba fazendo um bom trabalho, preciso e ágil. E melhor, que ainda por cima consegue valorizar o pouco talento de Paul Walker, chegando muito mais perto de seu trabalho coerente em No Rastro da Bala do que em todos péssimos momentos da franquia Velozes e Furiosos. Ajudando então o ator recentemente falecido a deixar um legado ainda mais interessante dentro do gênero.

E falando em gênero (ou talvez no sub-gênero heróis-em-menor-número-em-um-lugar-onde-todos tem-armas-e-querem-te-matar) é bom lembrar o quanto Besson tem ajudado Hollywood a ganhar rios de dinheiro e dessa vez não fará diferente. O diretor francês de Nikita e O Profissional não só vem produzindo tudo que Pierre Morel fez depois de “B13”, como também bancando o citado (acima) Megaton em projetos como Carga Explosiva 2 (tendo escrito todos filmes da franquia) e Busca Implacável 2. Isso sem esquecer o texto do divertido A Família e do movimentado Sequestro no Espaço. Sem dúvida nenhuma um verdadeiro funcionário padrão à serviço da ação.


Brick Mansions (Fra/Can, 2014), escrito por Luc Besson, dirigido por Cammile Delamarre, com Paul Walker, David Belle, RZA, Gouchy Boy, Catalina Denis, Carlo Rota e Aysha Issa


Trailer do filme “13° Distrito”

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