Quatorze anos atrás um grupo de mutantes mostrou ao mundo que os quadrinhos poderiam ganhar os cinemas. Agora, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é a prova de que os alunos do Professor X ainda têm histórias para contar no futuro. E principalmente por que o filme anterior, Primeira Classe mostrou que nem só de gente voando e poderes malucos vivem os “filhos do átomo”.

E o maior medo de todos sobre esse novo filme era realmente isso, já que saia da cadeira do diretor o interessante Matthew Vaughn (que vinha de outro filme de supe-herói pouco heroico, Kick-Ass: Quebrando Tudo) e voltava ao comando o velho conhecido Brian Singer. E por sorte, um Singer que deixa da lado o exagero, as explosões e o melodrama que imprimiu nos dois primeiros filmes dos mutantes e parece propenso a manter o ritmo e o interesse de Vaugh por uma boa e divertida história, cheia de grandes personagens.

Singer então mata sua obsessão explosiva e vestida em couro durante um futuro próximo, onde os pouco heróis que sobraram no mundo resistem à desolação infringida pelos Sentinelas, robôs criados para eliminar quem tem o “gene x”, mas acabam saindo do controle e passam a dizimar e capturar até qualquer um que um dia vá ter um descendente mutante. E ai entra o esforço do trio formado pelo próprio Vaughn, sua antiga parceira Jane Goldman e ainda Simon Kinberg de colocar de volta nos trilhos uma franquia que ninguém mais sabia onde estava.

Dias de Um Futuro Esquecido junta os jovens Xavier e Magneto (John McAvoy e Michael Fassbender) e seus “alunos” com aqueles “X-Men” de Singer, já que a última esperança do futuro desolado é mandar a consciência de Wolverine (o ainda alto demais para o personagem, Hugh Jackman) direto até o anos 70 para juntar os dois “ex-amigos” e impedir que Mística (Jennifer Lawrence) assassine o empresário Bolivar Trask (Peter Dinklage), criador dos tais Sentinelas.

E indo contra o que se poderia esperar de uma trama que tem coragem de passear por viagens no tempo, curtas e longas, e linhas temporais alternativas, o que se encontra é algo simples, fácil, objetivo e divertido. Ao invés de intrincado e cheio de possibilidades, o filme de Singer aposta no óbvio e segue a cartilha de clássicos como Exterminador do Futuro e De Volta Para o Futuro, além do mais recente Looper: Quando menos se explicar, mais tempo o espectador terá para se divertir, é só ignorar um ou outro furo e relaxar.

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

Isso, principalmente pois é muito mais uma continuação direta do Primeira Classe do que dos filmes anteriores, apostando no pé no chão, nas referências históricas e no desafio intelectual do que nas cenas de ação. Não se engane, elas estão lá, e cada uma delas vale o preço do ingresso, como toda participação do garoto Peter Maximoff e sua velocidade (e o delírio visual de toda sequencia no Pentágono), mas, não tenha dúvidas, o melhor do filme estão nas palavras e ideologias.

No foco da história continuam presentes o jovem Professor Xavier e seu ex-companheiro, tendo que juntar suas forças para salvar humanos e mutantes, mas, mais do que nunca lutando para deixar claro onde cada um pretenderá estar na história desses mutantes. E é essa dinâmica e a ação que nasce disso que é o ponto mais alto do filme, já que delimita uma trama que sobrevive às custas da eficiente e da coerência, tanto das ações de cada um dos personagens, quanto dessa misturada temporal. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é um drama sobre dos amigos que se afastam para seguirem seus sonhos, tudo disfarçado de filme de super-herói, ainda que quase ninguém precise de uniformes para isso.

Até por que, em termos de visual, Singer sabe que o mais importante são seus personagens e a ambientação dessa história, já que a “pitada de sensacional” vem com os poderes e situações. O diretor então aposta em um trabalho burocrático e discreto, que funciona suficientemente bem nas cenas de ação e valoriza o ambiente que contrasta muito bem entre o escuro lúgubre do futuro pessimista e o passado coloridos dos anos 70 que respira a esperança de dias melhores. Um choque visual e emocional que empurra a história em direção a todas suas reviravoltas e surpresas.

Uma história (no cinema) que começou 14 anos atrás, mas só agora encontra seu momento mais maduro e interessante. E se o futuro guarda melhores dias para essa franquia? Bom só ele próprio dirá, já que X-Men: Dias de um Futuro Esquecido fez questão de dar um novo ponto de partida para os mutantes do professor Xavier, ainda que uma cena no meio dos créditos lembre que muitos problemas ainda esperam por eles. Por sorte, para o espectador, sinal de mais diversão.


“X-Men: Days of Future Past” (EUA, 2014), escrito por Simon Kinberg, Matthew Vaughn e Jane Goldman, dirigido por Bryan Singer, com Hugh Jackman, James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Nicholas Hoult, Ellen Page, Peter Dinklage e Evan Paters.


Trailer do filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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