É lógico que depois da enorme porcaria que foi X-men Origens: Wolverine qualquer coisa que viesse tivesse grandes chances de ser melhor, e Wolverine – Imortal é. Mas também é preciso lembrar que isso vem, justamente, no período em que o mutante canadense mais ficou longe dos holofotes.

E não que isso sirva de desculpa para a Fox ter colocado nos cinemas aquele desastre do primeiro filme solo, mas é impossível não pensar o quanto a superexposição do personagem desde o primeiro “X-Men” não tenha sido o maior vilão do filme passado. Afinal, os títulos podia até fazer referência à equipe do Professor Xavier, mas ambos os três diziam respeito a Wolverine e o colocavam no centro da trama.

Melhor ainda, dessa vez (livremente inspirado por uma minissérie que levava o nome do personagem e era escrita por Frank Miller) Wolverine pode reinar absoluto em seu mundo, sem precisar ficar disputando espaço com um zoológico de personagens com diversos poderes coloridos e idiotas (como era o caso de seu filme anterior). Não bem em seu mundo é verdade, mas sem depender de reviravoltas globais e uma vontade de salvar o mundo ou a raça mutante. Dessa vez Wolverine pode simplesmente salvar ele próprio.

E faz isso sem qualquer pitada de presunção, somente uma pequena história de ação entre um acontecimento mundial e outro, humildade narrativa que o personagem merecer e cria então uma história leve, rápida, eficiente e faz única e exatamente aquilo que se propõe a fazer. E se isso passa por um punhado de situações meio óbvias, reviravoltas sem muita criatividade e um monte de cenas de ação, bom, são os ossos do ofício.

No filme, traumatizado pelos acontecimentos do terceiro filme dos X-Men, Logan decide se refugiar no meio de uma floresta, fazendo de tudo para passar incógnito e despercebido, nada daquela vida heroica, nem daquele animal interior que o guiou. Isso até que um outro detalhe de seu passado voltar a “bater na porta” de sua caverna, já que um grande empresário japonês decide contatá-lo com uma última proposta em agradecimento ao canadense ter lhe salvado durante o ataque americano à Nagasaki.

E nesse momento, a dupla de roteiristas Mark Bomback (do remake de O Vingador do Futuro) e Scott Frank (que entre outros sucessos escreveu o ótimo Minority Report) tem seu maior acerto, já que pode até enrolar no começo com um pretexto bobo e dramático para Wolverine “sacar” suas garras, envolvendo um urso envenenado (referência que depois ainda é mais bestamente usada por um dos vilões), mas assim que o personagem coloca os pés em Tóquio o que o recebe é uma sucessão de acontecimentos que entregam um filme de ação cheio de ritmo que caminha bem entre um punhado de cenas de ação, alguns vilões não muito interessantes e um batalhão de capangas e ninjas prontos a serem trucidados pelo mutante naquilo que ele faz melhor.

Wolverine - Imortal

Afinal, é isso o que todo mundo que for ao cinema quer. E nesse caso, isso é mais que suficiente para que Wolverine – Imortal seja um passatempo divertido diante do pouco que se propõe a ser. Que faz sentido no final das contas, procura dar espaço para o personagem, que mais do que nunca está “na mão” de um Hugh Jackman mais a vontade ainda e transita por objetivos e motivações que, mesmo que soem rasas, são suficientes para levar todas as peças para o final do filme.

O curioso disso tudo é perceber que a grande maioria dos escorregões acontecem, justamente, quando a trama se preocupa demais em preencher toda essa simplicidade, como no inútil poder da “guarda-costas” de Wolverine, Yukio, que não é usado por ela para nada, e nem na hora de explicar o quanto, em certo momento da trama, o próprio herói perde de seu famoso fator de cura. Detalhes que ou ficaram “no chão” da sala de montagem ou simplesmente nasceram convenientes só para servirem de combustível para um ou outro diálogo (e uma reviravolta).

Mas nem de perto isso chega a ser um problema de e Wolverine – Imortal que entrega o que os fãs do personagem no cinema querem, pois quem conhece o personagem de longa data dos quadrinhos vai continuar convivendo com o incômodo de um personagem clássico por seu tamanho diminuto (1,60m contra os 22 cm a mais do ator) ter essa característica deixada de lado de modo mais evidente ainda diante de uma horda de japoneses baixinhos, mas isso já é uma outra história (e coisa de fã chato).


The Wolverine (2013), escrito por Mark Bomback e Scott Frank, dirigido por James Mangold, com, Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Will Yun Lee, Hal Yamanouchi, Brian Tee e Svetlana Khodchenkova.


Trailer do filme Wolverine – Imortal

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