War Machine começa com suspiro de desgosto pela América. E ele é tão real e natural que poderia estar saindo da boca de qualquer um que tenta entender a bagunça que George Bush e Barack Obama fizeram no Afeganistão.

Para quem não estava no Planeta Terra nos últimos 20 anos, no dia 11 de setembro de 2001, a organização terrorista Al Qaeda enfiou dois aviões de passageiros no World Trade Center, bem no meio de Manhattan à luz do dia. O ato levou os Estados Unidos a uma “Guerra ao Terror” e um dos alvos era o Afeganistão, onde parecia ser a “sede” do grupo (também invadiu o Iraque, mas esse é muito difícil de explicar o porquê).

A “guerra” fica entre aspas, porque sempre esteve mais para uma invasão que a cada passo dentro do “território inimigo”, ao invés de resolver algo, só criava um exercito maior ainda de insurgentes. Isso acabou tomando tempo e dinheiro demais dos Estados Unidos, que em uma decisão esquisita e sem o menor sentido prático fez com que toda operação caísse nas mãos de um tal de General Glenn McMahon (que por razões legais, não foi batizado por seu nome real, General Stanley McChrystal. e no filme é vivido por Brad Pitt).

McMahon (ou McChrystal) ficou “famoso” por dar uma entrevista para a Rolling Stones enquanto liderava as tropas no Afeganistão, uma entrevista que resultou em seu desligamento de suas funções até do exército. War Machine passar por esse momento, mas está mais interessado em mostrar tudo de ridículo que precedeu esse momento.

Sim, o filme de David Michôd (de Reino Animal e The Rover) é uma espécie de sátira que praticamente não precisa escrever nenhuma piada. A graça já está lá na realidade, na bagunça enorme que os Estados Unidos criou, no descontrole da região, na impressão de estarem perdendo uma guerra que nem tinha começado, naquela sensação de que que ora as tropas estavam em um resort, ora estavam matando inocentes. Enfim, são tantos erros que fica fácil para War Machine funcionar por um bom tempo.

War Machine Crítica

Infelizmente o filme mete os pés pelas mãos e decide se levar a série demais do meio para frente, o que não condiz com tudo que foi criado até aquele momento e impede qualquer um de acabar o filme empolgado. Bem verdade, entre um começo confuso que tenta ser ágil enquanto apresenta a equipe de completos malucos que segue McMahon nessa missão e o meio do filme, tudo até funciona bem, mas um esforço em humanizar o personagem lá para o começo da segunda metade só serve para fazer os poucos espectadores que estavam se interessando, perderem esse interesse.

E no momento que uma jornalista vivida por Tilda Swinton, em uma micro, porém especial, participação, rasga a casca do protagonista e o que sobra é uma melancolia que não consegue mais ser recuperada. Principalmente, pois o que vem depois é um “terceiro ato” desinteressante (entre aspas, pois o filme poderia rumar para um final à partir dali, mas decide ter mais uma hora de história).

Esse terceiro momento até parece focado em criar um arco interessante envolvendo um soldado vivido por Lakeith Stanfield (do recente Corra!), que teria sido muito mais forte se tivesse sido contado ao invés de mostrado, mas ao contrário disso é só didático e encontra ação e tiros onde ninguém estava procurando.

Mas a grande verdade é que ter Brad Pitt no elenco (e consequentemente em toda divulgação) vai fazer todos experimentarem War Machine (ainda mais com a facilidade de ser uma produção da Netflix), o que em curto prazo deve fazer muito mal para o filme. Já a grande maioria deve se chatear com esse segundo momento do filme anticlimático, assim como ficarão irritados com Pitt fazendo uma careta por 120 minutos e contando apenas com ela para compor seu personagem, o que é pouco.

De qualquer jeito, War Machine é um daqueles momentos deliciosos onde o mundo real dá uma surra em qualquer imaginação de qualquer roteirista ou escritor. E mesmo que derrape com o material que tem em mãos, é uma daquelas histórias bizarras que precisam ser contadas. Azar dos Estados Unidos, que mais uma vez vai ser motivo de piada.


“War Machine” (EUA, 2017), escrito e dirigido por David Michod, à partir do livro de Michael Hastings, com Brad Pitt, Anthony Hayes, John Magaro, Anthony Muichael Hall, Topher Grace, Ben Kingsley, Alan Ruck, Scoot McNairy e Tilda Swinton


Trailer – War Machine

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