Um Espião e Meio | Carisma da dupla garante diversão

Um Espião e Meio Filme

Centrado em uma dupla de atores carismáticos e com excelente timing cômico, Um Espião e Meio sabe que não precisa de muito além disso para funcionar e, portanto, investe em uma trama simples para destacar a dinâmica dos protagonistas. Com um ritmo ágil e coadjuvantes também divertidos, a comédia de espionagem faz rir e nos leva a nos importarmos com seus personagens.

No ensino médio, o excesso de peso de Robby Wierdich (Dwayne Johnson) o tornou o alvo favorito dos bullies locais. Já Calvin Joyner (Kevin Hart) era o garoto mais popular da escola, craque em todos os esportes que praticava e o mais promissor da turma, além de namorar a beldade da cidade, Maggie (Danielle Nicolet). Após uma humilhação particularmente cruel, Calvin é o único a defender e ajudar Robby. Vinte anos depois, porém, Calvin se vê preso a um trabalho de contabilidade no qual não tem perspectiva alguma de crescer e, enquanto sua agora esposa Maggie comanda uma firma de sucesso, ele surge decepcionado por não se considerar à altura das expectativas que todos tinham para ele na juventude.

Até que um tal de Bob Stone o adiciona no Facebook e, assim, Calvin reencontra o ex-colega de escola, que transformou os quilos extras em puro músculo e, agora, anda com a forma e o tamanho de Dwayne Johnson (na cena introdutória, o ator é transformado em um jovem gordo através de bizarros efeitos digitais). Após tomarem umas e se divertirem pela cidade, Bob revela a Calvin que precisa da ajuda dele para resolver alguns “problemas contábeis”. Logo, porém, a CIA entra em ação, revelando a Calvin que Bob é um ex-agente procurado por traição e pela morte de seu ex-parceiro, Phil (Aaron Paul, com pouco para fazer, mas trazendo uma pequena e divertida referência para os fãs de “Breaking Bad”). A versão de Bob para a história, porém, é que ele é o único interessado em capturar Gambá Negro, este sim responsável pela morte de Phil, e que a ajuda que ele precisa de Calvin é para interceptar uma transação financeira e, assim, descobrir a identidade do Gambá.

Quando analisada de perto, os detalhes da trama são repletos de furos, mas o interesse de Um Espião e Meio está mesmo em destacar os contrastes entre Johnson e Hart (evidenciados também no título brasileiro, mais eficiente do que o pouco inspirado “Central Intelligence” original). Assim, enquanto a personalidade de Bob faz rir por ser inesperada, também é divertida — e, por vezes, ameaçadora — a imprevisibilidade de seu comportamento, responsável por fazer com que Calvin relute em confiar no ex-colega. Nesse sentido, fica claro que o personagem foi desenvolvido especialmente para Dwayne Johnson, que naturalmente o complementa com seu carisma, docilidade e, claro, imponência física.

Mas Kevin Hart não fica atrás: o ator faz de Calvin um homem frustrado por sua falta de sucesso e glória profissionais e pessoais, sim, mas que não é completamente derrubado por isso. Ao lado de Maggie, ele construiu um casamento saudável e amoroso — e é por isso mesmo que dói tanto para ela ouvir o marido dizendo que sua vida “não tem nada de especial”. Os dois têm um relacionamento baseado no diálogo e, mesmo não tendo muito tempo de tela, Maggie é uma personagem independente e interessante por si só — se o sucesso dela frustra o marido, não é por sua masculinidade ferida, mas sim pelo fato de ela ter conquistado o que ele próprio não teve garra para buscar.

Um Espião e Maio Crítica

Hart diverte especialmente com suas reações apavoradas e de sua ignorância quanto ao que está enfrentando, assim como em suas tentativas de mostrar-se heroico — que, claro, eventualmente começam a se tornar mais eficazes. Afinal, outro ponto bastante destacado pelo roteiro de Ike Barinholtz, David Stassen e do também diretor Rawson Marshall Thurber é a reconexão de Calvin com o jovem ambicioso e determinado que ele era, algo que funciona por termos visto que, naquela época, ele era realmente um garoto bondoso e inteligente (e que ele retém essas características, mesmo sem ter “conquistado o mundo” como esperado).

O bullying sofrido por Bob, por sua vez, é tratado de maneira séria e, assim, vemos os resultados da humilhação sofrida por ele na escola: ele cresceu solitário e, além da drástica mudança física, aprendeu a ignorar aquela época e suprimir todos os sentidos trazidos por ela — o que, claro, não é nada saudável e, portanto, Bob deve aprender a lidar com isso de uma vez por todas. Por outro lado, mesmo esse assunto ganha alguns ineficientes contornos piadísticos. Além disso, a transformação de Johnson em um jovem gordo é artificial e exagerada, transmitindo ainda a ideia de que perder peso é necessário para livrar-se de humilhações (e é curioso notar como Darla, a garota por quem Bob era apaixonado na escola e a qual também reencontramos, não passa por nenhuma transformação física).

Eficiente também ao investir em gags irreverentes e inesperadas como o nome dado a uma cobra de estimação e os números “007” presentes na placa de um carro utilizado pelos protagonistas para fugir da CIA, Um Espião e Meio é uma comédia despretensiosa e divertida, funcionando principalmente por sua agilidade e pelo carisma da dupla central.


Central Intelligence (EUA, 2016), escrito por Ike Barinholtz, David Stassen e Rawson Marshall Thurber, dirigido por Rawson Marshall Thurber, com Kevin Hart, Dwayne Johnson, Amy Ryan, Danielle Nicolet, Jason Bateman e Aaron Paul.


Trailer – Um Espião e Meio

Outros artigos interessantes:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *