Um Amor à Altura | Comédia romântica se diverte com “pequeno” protagonistas

Um Amor à Altura Filme

É estranha a sensação de assistir a Um Amor À Altura, sabendo que esta é uma comédia romântica francesa. Ao mesmo tempo que podemos encontrar situações em sua história tipicamente europeias (e francesas), há um misto com comédia pastelão que dificilmente funciona. E é preciso lembrar que ainda existe um terceiro filme acontecendo: o terrível drama que é o mundo dos ricos e bem-sucedidos. Sim, há até um pouco de Nancy Meyers em uma comédia romântica francesa.

Porém, vamos à história. Iniciando em um plano-sequência com um diálogo inusitadamente divertido, a simpática e insegura Diane (Virginie Efira) marca de se encontrar com um desconhecido (Jean Dujardin) para devolver o celular esquecido em um restaurante. São dois os motivos do estranho, Alexandre, não o ter devolvido de imediato: possuir um claro interesse na moça e aumentar suas chances com ela, já que ele é visivelmente baixo demais para estar acompanhado da “estonteante” Diane.

E já há dois problemas com essa premissa. Primeiro, Diane não é absurdamente estonteante como o filme a coloca, não importando quantos extras olhem para ela na rua e ficarem hipnotizados(as) enquanto ela passa. E segundo, Alexandre não chega a ser absurdamente baixo para que a situação fique tão embaraçosa assim. Se há algo embaraçoso, e isso nunca some, é o efeito visual para que essa mágica fosse feita em Dujardin, não por ela ser mal-feita, pois até é eficiente, mas por fazê-la em um ator de estatura normal, e não utilizando um ator baixo por natureza.

Mas, continuando: junto desse encontro e do universo proposto pelo diretor Laurent Tirard há ainda um terceiro problema: as pessoas do filme são quase sempre indelicadas e muitas vezes rudes com Alexandre, o tratando como uma criança ou uma criatura divertida, mas não humana o suficiente para ganhar seu respeito (Interessante também notar que todos parecem ignorar que Dujardin também é bem-apessoado, rico e bem-sucedido). No fundo, vamos percebendo que aquele universo é populado por criaturas divertidinhas e grotescas, pois exibem uma personalidade ou infantil ou ignorante.

Toda essa distorção da realidade, porém, é necessária para que exista a maioria das situações descartáveis que testemunhamos, como Diane escolher um agasalho para Alexandre em uma loja de roupas para crianças, guardanapos colocados em um móvel impossivelmente alto para seu morador – que, diga-se de passagem, é arquiteto – e até um tropeço completamente absurdo, que leva Alexandre às alturas (sem contar as diversas formas com que ele é levado aos ares pelo cachorro gigante do seu filho, o que desde a primeira ocorrência soa bobo e datado). Tirard parece carregar ainda os cacoetes do muito melhor resolvido O Pequeno Nicolau, que é esquemático, mas já se revela assim desde o começo.

Um Amor à Altura Crítica

Além disso, boa parte da tensão gira mais a respeito se Diane irá levar o relacionamento adiante, e para isso as situações ajudam. Porém, elas muitas vezes são absurdas e fazem o relacionamento andar para trás sem mais nem menos, e quando Diane vai conversar com a mãe sobre algo importante, a mãe está no volante, o que gera uma sequência que você veria em Corra que a Polícia Vem Aí (se ele fosse uma comédia romântica).

Ainda assim, há bons momentos protagonizados pela dupla, e apenas os dois juntos parecem funcionar em sintonia com o coração do filme. Os diálogos dos dois a sós costumam funcionar muito melhor, e é uma pena, portanto, que o terceiro ato de recuse a comunicar através das palavras.

Pelo menos com uma trilha sonora bem escolhida, mas com uma direção de arte genérica e confusa (como a casa gigante de um anão), Um Amor À Altura entretém pelo absurdo e logo é esquecido. Talvez seja como Alexandre fala de sua própria visibilidade: ou as pessoas não param de encarar ou elas nunca o enxergam.


“Un homme à la hauteur” (Fra, 2016), escrito por Marcos Carnevale, Laurent Tirard, Laurent Tirard, Laurent Tirard, Grégoire Vigneron, dirigido por Laurent Tirard, com Jean Dujardin, Virginie Efira, Cédric Kahn, Stéphanie Papanian, César Domboy


Trailer – Um Amor à Altura

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1 Comment

  1. Assisti ao filme e a dupla protagonista parece mais afinada com a proposta do filme do que os atores centrais do filme Argentino O Amor Não Tem Tamanho.que traz a mesma história.Além disso Virginie Efira é muito bonita sim e trabalha em Um Amor á Altura com elegância e emoção,enquanto que Jean Dujardin é mais jovem e tem mais senso de humor do que o personagem do filme Argentino.Comédia,Drama,Romance e bastante ação,com bons diálogos.Vale conferir!

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