“Quanto mais perto você olhar, mais fácil será te enganar”, declara J. Daniel Atlas, personagem de Jesse Eisenberg, na cena de abertura de Truque de Mestre. , Porém, uma frase mais adequada para descrever o próprio filme seria “Quanto mais perto você olhar, mais Truque de Mestre Posterfuros vai encontrar”, já que este é um longa que, embora divertido, charmoso e, em momentos, um verdadeiro espetáculo, é prejudicado por revelações sem sentido.

Quatro artistas são contratados por uma figura desconhecida para realizar uma série de tarefas que, se bem sucedidas lhes garantirão  lugar em um grupo de mágicos de elite: J. Daniel Atlas, mágico especialista em desviar a atenção de sua audiência; Henley Reeves (Isla Fisher), mestre em montar um espetáculo; Merritt McKinney (Woody Harrelson), especialista em hipnose que usa sua percepção aguçada para posar de “leitor de mentes”; e Jack Wilder (Dave Franco), um ladrão com ambições de ser mágico – os Quatro Cavaleiros. Entretanto, após uma apresentação em Las Vegas em que eles roubam um banco e distribuem o dinheiro entre a plateia e de uma consequente série de golpes, o agente do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo), auxiliado pela agente da Interpol Alma Dray (Mélanie Laurent) e por Thaddeus Bradley (Morgan Freeman), que ganha a vida gravando programas em que desvenda truques de mágica, passam a ir atrás deles e a tentar descobrir como eles estão aplicando esses golpes.

Sempre mantendo o ritmo acelerado (a câmera está sempre em movimento), o diretor Louis Leterrier, nos dois primeiros atos, mantém uma eficiente estrutura de não estender o “mistério” envolvendo os truques de mágica – que, sim, são necessários para o FBI e, até certo ponto, para o público, mas não são mais interessantes do que o truque em si. E a audiência de um show de mágica sabe disso: por mais que fique se perguntando como os artistas realizaram um truque, é a performance em si e, em alguns casos, a sensação de que não há truque algum, que fascina.

Truque de Mestre Filme

É uma pena, portanto, que Truque de Mestre resolva deixar tudo mastigado para o espectador, ao invés de deixar um pouco para a imaginação. Se a explicação dos truques não atrapalha, a tentativa falha de inserir grandes revelações na trama diminui a conclusão do longa e, o que é pior, o diminui em uma revisitação. A identidade do mandante dos golpes é o melhor exemplo disto: sua identidade é um tanto óbvia apenas porque não poderia ser outra pessoa, mas não há pista ou indicação alguma, antes de descobrirmos quem aquele personagem realmente é, que justifique a revelação, opção que, além disso, torna injustificadas algumas ações e atitudes daquela pessoa.

O filme também não perde muito tempo trabalhando seus personagens – o que é uma pena, pois são figuras interessantes interpretadas por um ótimo elenco. Vemos os Quatro Cavaleiros em ação majoritariamente durante suas performances e, mesmo fora dos palcos, eles ainda parecem estar atuando – o que não é o caso. Ao invés de deixar que conheçamos os personagens, o “leitor de mentes” Merritt McKinney serve quase como um narrador em certos pontos, nos informando que Daniel e Henley já tiveram um romance e que Daniel é maníaco por controle – coisas que não são percebidas ao longo do filme e que não tem relevância alguma para a trama. O filme usa Thaddeus Bredley e suas frequentes explicações desnecessárias (“A pergunta que você está se fazendo agora é: onde está o verdadeiro?”) da mesma forma, ao invés de confiar na inteligência do espectador.

Em certo ponto, a personagem Alma Dray (Laurent) destaca que é a ilusão de que não há truque que o torna fascinante – algo que Truque de Mestre, que acerta ao não se julgar mais complexo do que é e entregar, na maior parte do tempo, truques interessantes e um senso de humor inteligente, falha ao ao esquecer.


Now You See Me, escrito por  dirigido por Louis Leterrier, com Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harrelson, Dave Franco, Mark Ruffalo, Mélanie Laurent, Morgan Freeman e Michael Caine.


Crítica do filme Truque de Mestre

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Sobre o autor

Mariana González é jornalista e colaboradora do CinemAqui desde 2013. Além de escrever sobre cinema, tenta se aventurar atrás das câmeras. No Twitter, pode ser encontrada no @mariszalez.

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