Transformers: A Era da Extinção

Transformers: A Era da Extinção

Em um certo momento de Tranformers: A Era da Extinção, o novo protagonista da franquia, o sempre simpático, Mark Wahlberg, dentro de uma enorme nave alienígena, acaba usando para se defender uma espécie de espada que atira raios. Nas mãos Transformers: A Era da Extinção Posterdo humano ela é usada como uma espécie de rifle, mas não fica um segundo sem soar desajeitada. Mas enfim, é uma espada enorme que atira raios, quem quer mais que isso?

No quarto filme da franquia, Transformers é exatamente isso: destrambelhando, grande demais, mal usado, e sem aparente sentido… mas são robôs de outro planeta que se transformam em carros!!!

E ao que parece, isso realmente basta para Michael Bay, que volta na cadeira de diretor e tenta repetir o mesmo esforço dos outros filmes: encher a tela com tantos robozões, ação e temperar tudo com um som tão alto, que ninguém perceberá as besteiras que ele continua fazendo.

Tranformers: A Era da Extinção começa então com mais um flashback, dessa vez indo lá até a famosa pré-história, cheia de dinossauros, onde uma misteriosa nave alienígena decide acabar com a vida no nosso planeta. Mas não se preocupe, isso pouco tem a ver com a trama do filme, onde anos após a fatídica “Batalha de Chicago”, do último filme (que destruiu metade da cidade), o governos dos Estados Unidos e os Autobots acabaram com sua parceria, deixando então os aliados de Optimus Prime à beira da clandestinidade, além de perseguidos e caçados como se fossem os “inimigos número um” do país.

Mas também esse fiapo de história dura pouco, já que é óbvio que de algum modo os Decepticons tentarão dominar o mundo com algum plano maquiavélico, mas isso também fica só lá para a última hora de filme (e não se preocupe, como o filme tem quase três, ainda tem bastante coisa para acontecer antes disso). Voltando aos Autobots, um inventor falido (Wahlberg) acaba então encontrando Optimus Prime (em sua forma de caminhão) e ao arrumá-lo não só desperta o robô, como ainda fica na mira da CIA, que por sua vez tem a ajuda de um tal de Lockdown, uma espécie de caçador de recompensas galático que só quer o Optimus Prime.

Bem verdade isso tudo se liga com todo o resto por meio de uma grande “empresa má” comandada por um CEO sem escrúpulos (Stanley Tucci) que quer fazer seu próprio exército de transformers (ai os Decepticons!), à partir de um material precioso que serve de “massa de modelar” ultra tecnológica (vulgo “transformium”). Enfiado em algum lugar disso tudo ainda tem a filha de Wahlberg e o namorado dela, mas isso não serve para nada, e está lá só para o “público macho” ter alguém para olhar. E ainda nisso, a presença dela só não é uma vergonha para o filme pois esse troféu fica com o momento em que o protagonista desce de uma nave (portando sua espada que atira laser, lógico!!) esculacha um transeunte qualquer, abre uma Bud Light e… bom, faz um comercialzinho.

Transformers: A Era da Extinção Filme

E se tudo isso soou exagerado, é por que mais do que em qualquer filme de sua carreira, Michael Bay está descontrolado. E não só repetindo (e repetindo…e repetindo) um mesmo movimento de câmera, mas também sem a mínima ideia da existência do conceito de ponto de fuga, ou do significado do uso de uma câmera baixa (contra plomgée) e slow motion. Bay parece interessado em criar algo tão grande que nem ao menos precisa fazer qualquer sentido. Técnica ou narrativamente falando.

Explosões, Bumblebee pegando mais gente caindo, mais uma cidade sendo destruída (na China), uma nave maior ainda, muitos mais robôs, muito mais perseguições sem o menor sentido e (muito provavelmente), muito mais gente completamente perdidas no cinema. Não sem entender a história (essa é fácil), mas sim sem entender onde Michael Bay pretende chegar com tudo aquilo. Ou simplesmente tentando racionalizar onde o diretor quer chegar antes de perceber que já devia ter parado de ir.

Sobre tudo isso, lá no alto está um desespero por levar para a tela mais um punhado de novos Transformers, cada um mais divertido que o outro, com mais “peças incluídas” e cores diferentes. Ótimas pedidas para uma prateleira de bonecos, mas uma péssima opção para as cenas de ação ainda mais confusas. Mas qualquer coisa, Wahlberg está lá com sua arma enorme, seja fugindo pela parte de fora de uma enorme prédio chines, seja tendo ataque de ciúmes com a filha ou salvando o dia de Optimus Prime (com a espada que atira laser!!).

E se nada disso ainda funcionar, não se preocupe, já que o próprio Optimus Prime ainda montará um T-Rex de metal como se fosse um pônei, entrará na cidade de modo épico e salvará o mundo! Sem contar um discurso final e um voo para o infinito em busca de seu criador. Isso mesmo, depois de tudo isso o caminhão azul sobe aos céus com intuito de ajustar contas com o pessoal que montou suas peças. E isso só não é um spoiler por que não faz o menor sentido. Ou faz?


“Transformers: Age of Extinction” (EUA, 2014), escrito por Ehren Kruger, dirigido por Michael Bay, com Mark Wahlberg, Stanlei Tucci, Kelsey Grammer, Nicola Peltz, Jack Reynor, Titus Welliver, T.J. Miller.


Trailer do filme “Transformers: A Era da Extinção”

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