E aqui uma homenagem ao recém falecido Leslie Nielsen, que mesmo com papeis marcantes em “O Destino de Posseidon” e “O Planeta Proibido”, vai sempre ser lembrado por seu Det. Frank Drebin, por isso, aqui vão 10 filmes que compartilham com Nielsen o gênero que mais lhe deu fama, que quem não conhece, deveria correr atrás deles o mais rápido possível.

por Vinicius Carlos Vieira em 29 de Novembro de 2010

O famoso "Piloto Automático"

Apertem os Cintos os Piloto Sumiu (“Airplane!”, 1980, dirigido por Jim Abrahams, Larry e David Zucker)

“Apertem os Cintos o Piloto Sumiu” não só é até hoje um sucesso, como, muito provavelmente foi primeira paródia que tomou o anárquico como assinatura e que se deixou não ter sentido mesmo atolada em referências, só isso já a qualificaria para essa lista, muito embora, o mais marcante dela é ser genial em todos sentidos. Jim Abrahams, Larry e David Zucker não só estrearam um gênero como o nivelaram de modo tão alto que até hoje ninguém conseguiu chegar nem perto. Totalmente imprescindível para entender o que é humor e como ele chegou onde está hoje (junto com Monthy Phython e Mel Brooks), além de dar ao mundo, pela primeira vez, o Leslie Nielsen rei das paródias.

Anal o que?

Top Secret! Super Confidencial (“Top Secret”, 1984, dirigido por Jim Abrahams, Larry e David Zucker)

A primeira empreitada do trio de diretores acima depois do sucesso de “Apertem os Cintos…”, essa comédia sobre um famoso roqueiro dos Estados Unidos que se torna um espião durante a Segunda Guerra quase não fica atrás de seus sucessor. Os três parecem mais cínicos ainda, mais despreocupados em dar sentido a alguma coisa e muito mais a vontade com todo e qualquer absurdo que vinha em suas mentes.

uma pose para a... para a...melhor não saber

Top Gang! – Ases Muito Loucos (“Hot Shots!”, 1991, dirigido por Jim Abrahams)

Com o mesmo tino cínico, Jim Abrahams volta em 1991 com o gênero que ele mesmo inventou e mais uma vez faz história, dessa vez em cima do sucesso de bilheteria “Top Gun”. A história do piloto destemido está lá (quase tão intacta quanto no filme estrelado por Tom Cruise), mas todo caos que a permeia torna-a, como certeza, um dos momentos mais engraçados que o cinema poderia ver. Seu segundo filme (“Top Gang 2! – A Missão), onde a batata quente cai no colo do Rambo (assim como no de um hilário Saddam Hussein) é igualmente imperdível, e sem dúvida nenhuma fizeram com que o Charlie Sheen de “Platoon” e “Wall Street” se tornasse o que ele é hoje.

god save the queen!

Corra que a Policia Vem Ai (“The Naked Gun – From the Files of Police Squad!”, 1988, dirigido por David Zucker)

E enquanto Abrahams seguia sua vida, os irmãos Zucker (David na direção) não ficaram atrás (se bem que aqui o nome de Abrahams ainda aparece como roteirista), “Corra que a Polícia Vem Aí”, na verdade a adaptação de uma série de TV feita pelos três, que teve apenas seis episódios em 1982, dá aos cinemas o genial detetive Franck Drebin, vivido por Leslie Nielsen (que depois disso não conseguiu mais ser levado à sério) e seu modo insano de não conseguir fazer absolutamente nada direito. O filme ainda teve duas continuações impagáveis (“2½” e “33⅓”), ambas valendo tanto à pena quanto o primeiro.

criador e criatura (ou vice-versa)

Jovem Frankestein

(“Young Frankstein”, 1974, dirigido por Mel Brooks)

Mel Brooks poderia ser lembrado por qualquer filme, já que sua grande maioria tira sarro de alguma coisa ou alguém, mas talvez “Jovem Frankstein” seja o único que, além disso ainda beira uma obra de arte visual, com seu preto e branco marcante pintando momentos e personagens que ficaram para a história do cinema. Gene Wilder, Peter Boyle e Marty Feldman entraram para o inconsciente coletivo com seu Dr. Frankestein, sua criatura e seu fiel ajudante Igor (respectivamente).

esse é o Spinal Tap!

Isto é Spinal Tap (“This is Spinal Tap”, 1984, dirigido por Rob Reiner)

E quando assunto é paródia, é impossível passar por ele sem lembrar desse “documentário” sobre a “banda” de Heavy Metal de mesmo nome do filme. Rob Reiner dirige essa pérola do cinismo, onde é quase impossível entender como todos ali conseguem encenar tamanho absurdo, provando que o melhor jeito de não levar a sério algo é simplesmente fingir levá-lo à sério até as últimas instancias.

em busca da tal princesa

A Princesa Prometida (“The Princess Bride”, 1987, dirigido por Rob Reiner)

E o mesmo Reiner voltou ao gênero, dessa vez de modo mais corriqueiro e “ficcional”, para contar esse conto de fadas clássico, sobre uma princesa que precisa ser resgatada pelo cara bonitão e sua espada. Por pouco, mas por muito pouco mesmo, “A Princesa Prometida” não se torna um filme sério e clássico, já que o senso de humor de Reiner aqui é quase o mesmo de seu “Spinal Tap”, a diferença é que ele parece fazer questão de não contar para ninguém sobre isso, fazendo com que, na maioria do tempo o espectador se pegue pensando se deve rir ou não daquilo. Mas não se engana, você deve sim rir.

são nessas horas que se percebe o quanto uma crucificação combina com um musical

A vida de Brian (“Life of Brian”, 1979, dirigido por Terry Jones)

E ainda que “Apertem os Cintos…” pareça ter estreado o gênero, é na verdade esse grupo de malucos da terra da Rainha, que já faziam isso desde o fim da década anterior na TV, que podem realmente serem considerados os inventores de tudo isso (bem verdade seu humor pode até ser olhado como o divisor de águas para o que se vê hoje em todas suas subdivisões). Por mais que aqui já tivessem feito sua obra prima “Monthy Phyton e O Cálice sagrado”, é na história desse rapaz confundido com um certo messias que acaba crucificado, que a trupe mais decide ousar e levar seu humor até as últimas conseqüências, pouco se importando com raça, cor e, principalmente, credo.

Ed, Shaun e as criaturas com "Z"

Todo Mundo Quase Morto (“Shaun of the Dead”, 2004, dirigido por Edgar Wright)E não é de se surpreender que, diante de toda decadência do gênero que Hollywood vem tentando promover, o grande exemplo de como tirar sarro de um gênero específico venha justamente daquela mesma ilha de onde surgiu o “Monthy Python”. Edgar Wright e Simon Pegg (o primeiro dirigiu e ambos escreveram) foram quem, talvez, tenham dado aos fãs do gênero umas das poucas paródias que esse novo século pode ter orgulho de ter visto, nela o tom é tão frio e cínico que deixa com que seu filme se torna, isso com certeza, não só uma comédia, mas o melhor filme sobre zumbis da década.

...

Não é Mais um Besteirol Americano (“Not Another Teen Movie”, 2001, Joel Gallen)

Do lado de cá de Greenwich, de todos filmes que vieram depois que “Todo Mundo em Pânico” resolveu estragar a festa, o único que tenha entendido que o melhor jeito de satirizar um gênero seja simplesmente olhar para seus clichês ridículos e levá-los a sério, ao invés de inventar piadas sobre vômitos, diarréias e outras secreções tenha sido esse “Não é Mais um…”. O melhor, é conseguir reconhecer cada sequencia, conflito, personagem, e até ator, de algum filme adolescente que lotou os cinemas nas duas décadas anteriores à ele. Em um lamaçal de referencias desencontradas que as paródias atuais se tornaram, uma última esperança.

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