Não as maiores crianças (ou pré-adolescentes) do cinema, nem as mais rentáveis, apenas algumas que valem a pena serem conferidas, e que tem entre si, além desses papeis marcantes, a certeza de serem ótimas opções para uma passada em qualquer locadora.

Addie Loggins (Tatum O´Neil) em “Lua de Papel” (1973)

Addie Loggins - Lua de PapelTanto no filme, como na vida real, Tatum, na época com seus dez anos, não só contracenou com o pai, Ryan O´Neil, como roubou o filme inteiro para ela, muito talvez por ser esse o único trabalho digno de nota que Peter Bogdanovich fez depois do sensacional Última Sessão de Cinema. No filme, ela é uma recém órfã que acaba desconfiando que o personagem de Ryan seja o pai que abandonou a mãe, com isso acaba saindo com ele pelo interior dos Estados Unidos dando golpes a torto e a direito. Tatum tornou a pessoa mais jovem a ganhar um Oscar (Shirley Temple ganhou com seis anos, mas era honorário) por encarnar esse misto de “caminhoneiro” mal educada com menininha.

“Scout” (Marie Bradhan) em “O Sol é Para Todos” (1962)

Scout - "O Sol É Para Todos"

Esse clássico dirigido por Rubert Mulligan, inspirado no livro homônimo, pode até ser sobre um negro nos anos 30 que é acusado de estuprar uma mulher branca e cabe ao herói/advogado Atticus Finch (eternizado por Gregory Peck) defendê-lo, mas na verdade é tudo isso visto diante a ótica infantil de sua filha “Scout” que acaba crescendo ao mesmo tempo em que vai aprendendo o verdadeiro significado das palavras racismo e preconceito. Um drama que deveria ser obrigatório para quem gosta de bom cinema.

Mathilda (Natalie Portman) em “O Profissional” (1993)

Mathilda - O Profissional

É impossível não ver essa produção do francês Luc Besson e não se apaixonar pela aprendiz de matador de aluguel vivida por Natalie Portman, tanto por uma certa inocência e pelo olhar apaixonado (ou de admiração, dependendo de como você quiser “ler” o filme) dela sempre em direção ao Leon de Jean Reno, quanto pela mágoa, dor, ódio e sentimento de vingança que parece carregar em suas costas. Não é a toa que, quase duas décadas depois Portman ainda é lembrada como a menininha do Profissional.

Damien Thorne (Harvey Spencer) em “A Profecia” (1976)

Demian Thorne - "A Profecia"

Se Peck teve que enfrentar uma sociedade inteira em O Sol é para Todos, nada disso pode ter preparado-o para enfrente o próprio coisa ruim (ou melhor, o filho dele, ou como diria Sergio Malandro “o capeta em forma de guri”). Um cabelo tigelinha que colocou no inconsciente coletivo essa figura demoníaca, junto com seu Rottweiller e sua babá. Bem verdade, o menino em si pouco faz, mas quando faz, faz bem feito (haja vista sua mãe), porém, no resto do tempo faz sempre questão de dar aquela última olhadinha “inocente” que gela a alma de qualquer um.

Joey (Brando de Whilde) em “Os Brutos Também Amam” (1953)

Joey - "Os Brutos Também Amam"

Ele é chato, muito mais chato que a Dakota Fanning na Guerra dos Mundos e o Jaden Smith em O Dia em Que a Terra Parou, só que, muito provavelmente, é só por ele gritando “Shane, Shane” atrás de Alan Ladd no clássico faroeste que o personagem título ganhou toda essa fama. Bom, talvez não seja só por isso, mas é essa visão de pistoleiro cheio de virtudes que o menino tem dele que o move a usar o casaco de franginhas e cinto com duas pistolas, tanto para não decepcioná-lo, quanto para não ver aquela carinha triste.

Lucy Diamond Dawson (Dakota Fanning) em “Uma Lição de Amor” (2001)

Lucy Diamond Dawson  - “Uma Lição de Amor”

É verdade que a pequena Dakota apareceu para o mundo nesse drama sobre um pai com deficiência mental que quer manter a guarda da filha, mas talvez o nome da menininha ainda possa ser citada por mais alguns filmes, e atuações, fortes e adultas antes de começar uma certa derrocada que, hoje, a coloca como parte integrante da horrorosa Saga Crepúsculo em um papel que nem entre os protagonistas está. De qualquer jeito, esse período entre 2001 e 2005 talvez tenha dado ao cinema umas das maiores estrelas mirins que o cinema já viu que, infelizmente cresceu.

Iris (Jodie Foster) de “Taxi Driver” (1976)

Iris - "Taxi Driver"

O filme dirigido por Martin Scorsese é violento, depressivo e incômodo, o taxista sociopata Travis Binkle de Robert de Niro é visceral e à flor da pele, os dois (contando ainda com o roteiro de Paul Schrader) criaram um dos maiores clássicos que o cinema já viu, que chacoalhou uma geração inteira pelos ombros. Mas no centro de tudo isso, existia uma menininha de quatorze anos, prostituta e caminho mais curta para Binkle salvar sua própria alma atormentada, vivida por Jodie Foster e que foi reconhecida com um Oscar por essa atuação que andava na corda bamba da inocência nesse mundo desestruturado e prestes a ruir sob seus pés.

Mickey, Dado, Bocão e Gordo (Sean Astin, Jonathan Ke Quan, Corey Feldman e Jeff Cohen) em “Goonies” (1985)

Mickey, Dado, Bocão e Gordo - "Os Goonies"

Funciona mais ou menos assim: se você tem vinte e muitos anos ou mais e não viu Goonies, provavelmente convive com um vazio cultural enorme em sua alma; se tem menos que isso, azar o seu por não ter compartilhado de um dos fenômenos mais deliciosos que o cinema poderia propiciar para crianças, jovens e, por que não, adultos. Na verdade, o grupo de amigos que se mete em uma caça ao tesouro e dá de cara com a famigerada família Fratelli e o esquisitão Sloth, ainda contava com “irmão mais velho” vivido por Josh Brolin, mas o que importa realmente é a divertida, e aventuresca, caçada ao lendário Willie Caolho.

Danny Torrence (Danny loyde) em “O Iluminado” (1980)

Danny Torrence - "O Iluminado"

Se o tudo que o menininho loirinho sofreu dentro do Hotel Overlook não fosse o suficiente para colocá-lo aqui nessa lista, Stanley Kubrick ainda fez um esforço mais que descomunal para colocá-lo dentro de qualquer lista do tipo, tanto andando com ele pelos sinistros corredores, quanto deixando-o apontar o REDRUM na porta do quarto com uma voz gutural. O psicopata com um machado pode até ser seu pai, interpretado por Jack Nicholson, mas é o garotinho Danny que te faz torcer por alguém, já que Shelley Duvall em seu horroroso trabalho, bem que merecida uma machada.

Regan (linda Blair) em “O Exorcista” (1973)

Regan - "O Exorcista"

Mesmo parecendo que a lista tende para o terror, é preciso lembrar que são nesses momentos que algumas crianças mais conseguiram fazer seus trabalhos entrarem para a história, e a menina Regan foi uma delas. Além de se masturbar com um crucifixo, rodar a cabeça por cima do pescoço, vomitar um troço verde, matar um padre, dizer todos impropérios possíveis para a mãe, descer a escada como uma caranguejo e mais um monte de coisas que eu devo estar me esquecendo, linda Blair, na época com seus quatorze anos, ainda criou, para sempre, um exemplo de possuída pelo demônio para ser comparado por tudo que vier depois dela.

*Bônus

Cole Sear (Haley Joey Osment) em “O Sexto Sentido” (1999)

Cole Sear

Muito provavelmente entraria em um grande número de listas, mas sua pífia carreira depois de ver gente morta, talvez acabe, nesse caso, falando muito mais a favor da genialidade da direção de M. Night Shyamalan (nesse filme) e o tremendo trabalho de Bruce Willis, do que de sua interpretação, ainda assim, está ai uma menção honrosa.

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Uma resposta

  1. Carlos Alberto de Abreu Kaka

    Beleza a dicas

    Gostaria de saber sobre o filme cinema paradiso.

    Responder

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