(ou 10 filmes de terror que mudaram minha vida)

Para estrear essa coluna de especiais, um jeito mais que… “especial” para compartilhar com vocês uma das minhas paixões dentro dessa outra paixão que é o cinema, deixando então  que o lado cinéfilo tome a frente do lado crítico.

A seguir, não os 10 melhores filmes de terror da história (até por que me sentiria pouco a vontade, taxativo e egocêntrico com um título desses), mas sim uma dezena (fora de ordem) que me permitiram ver por que esse é o gênero mais apaixonante de todos. Afinal, todos adoram tomar um susto no escuro do cinema.

Ringu banner-vertical-
(idem, 1998, direção: Hideo Nakata)
Talvez o modo de imprimir cenas chocantes sempre com uma certa poesia oriental, ou até por ter um roteiro extremamente bem estruturado que saia da mesmice que o gênero se encontrava pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos, Ringu seja lembrado logo de cara. Esse filme japonês de 1998, então não só provocava arrepios e sustos genuínos em quem já não tinha esperanças de ter essas mesmas sensações de frente para um filme, como também virou um poço de referencias para tudo que veio depois . O filme dirigido por Hideo Nakata ainda deu o ponta-pé inicial nessa moda de terrores orientais, com meninas fantasmas ,cabelo na cara e passados que precisam ser desenterrados. Além disso, ainda foi primeiro dessa leva a ganhar Hollywood (e salvar o gênero por esses lado do globo) em uma adaptação, O Chamado, que resultou, sem sombra de dúvida, na única adaptação que realmente prestou até os dias de hoje.

O Iluminado
(“The Shinning”, 1980, direção: Stanley Kubrick)
Stanley Kubrick
pegou a obra de Stephen King, rasgou em pedacinhos e jogou no lixo, e mesmo assim criou um filme de tirar o fôlego. Extremamente visual e fazendo tudo se encaixar em uma verdadeira experiência, um terror que te pegava desprevenindo, espreitando-se nas curvas dos corredores do Hotel Overlook. Talvez um dos filmes que mais tenha deixado referencias “pop” para a história, do passeio de triciclo, ao texto do livro repetido pendendo da maquina de  escrever, a mulher no quarto, “Redrum” e é claro, Jack Nicholson com a cara no buraco da porta (…entre muitas outras). Na verdade, leia o livro, veja o filme e descubra como dois gênios conseguem tratar tão diferentemente uma mesma história.

O Massacre da Serra Elétrica
(“The Texas Chain Saw Massacre”, 1974, direção: Tobe Hopper)
Com certeza umas das piores experiências que eu já tive na vida. Uma tensão sufocante que tomava tudo ao meu redor (isso porque só o vi, pela primeira vez, em DVD) e me fazia lembrar por que eu gostava tanto de filmes de terror. Pessoas morriam sem o mínimo perdão do roteiro, de uma hora para outra quase todo elenco já tinha virado defunto e nem o personagem na cadeira de rodas se salvava. Era tudo muito simples: se estava vivo, era um candidato a morrer. Como em poucos filmes de terror fica impossível não torcer pela mocinha desesperada no meio da floresta coberta de sujeira fugindo do tal Leatherface e sua serra “elétrica” (que, obviamente funcionaria a motor, sendo então uma motosserra, mas enfim…). Do lado de cá da tela, o espectador só respira normalmente de novo quando o carro se afasta da bizarra criatura de terno no meio da estrada.

O Gabinete do Doutor Caligari
(“Das Cabinet de Dr. Caligari , 1920, direção: Robert Wiene)
Ate vê-lo, nunca imaginara que um filme mudo (do gênero) pudesse ser tão complexo e com uma estrutura narrativa tão contundente. Além de inaugurar uma das reviravoltas mais manjadas da história do cinema, ao mesmo tempo em que aqui, ela ainda reside com um frescor incrível . Com certeza um filme que não perde em nada para a grande maioria das produções de suspense/terror feitos um século depois.

Halloween
(idem, 1978, direção: John Carpenter)
O primeiro brutamontes invencível com uma faca matando jovens suburbanos. A primeira música tema que assombrou as noites de muita gente. A primeira festa (ou dia, ou época, ou evento especial) a virar título de filme de terror. A primeira mocinha que grita mais do que qualquer coisa durante o filme inteiro. Resumindo, John Carpenter praticamente criou o gênero slasher e só isso já basta. Ver Halloween é como ver um pedaço da história do cinema, mas passe longe dessa refilmagem canhestra dirigida pelo metaleiro/diretor Rob Zombie.

A Quadrilha de Sádicos
(“The Hills Have Eyes”, 1977, direção: Wes Craven)
Wes Craven (Hora do Pesadelo) busca filme tão desconcertante que é impossível vê-lo e não criar uma opinião. Na minha: sensacional. De um lado, um bando de “mutantes” (no sentido de deformidades congênitas) que acabam com as férias de uma família em seu trailer, do outro, personagens que se mostram tão complexos que a crueldade com que são abatidos se dá muito mais pela profunda relação que a família cria com o lado de cá da tela. E o melhor é ver a transformação desses personagens, quase tão selvagens quanto seus algozes. Sensacional (como eu já falei) e ainda ganhou uma refilmagem recente que até vale a pena.

A Profecia
(“The Omen”, 1976, direção: Richard Donner)
Poucas mortes, mas todas extremamente marcantes, e além disso de uma história bacaníssima, que brinca com um conceito popular e uma criança (com cabelo tigelinha) que quase não abre a boca, mas é um dos maiores antagonistas da história do cinema. Para fechar com chave de ouro, ainda tem um final que até hoje choca, onde o bem é derrotado sem a menor cerimônia. Me fez ter medo de Rotweillers por anos.

Noite das Brincadeiras Mortais
(“April Fools Day”, 1976, direção: Fred Walton)
O fim com um grande “enganei você” quase estampado na tela do cinema deve ter deixado um bando de gente com vontade de sair andando, mas aí estava a beleza de tudo, que saia da mesmice e brincava com certezas concretas. Aproveitou uma piada que nunca mais poderia ser contada, já que perderia a graça. O filme nem é lá essas coisas, mas uma das coisas mais bacanas do cinema é ser enganado por ele…

O Exorcista
(“The Exorcist”, 1973, direção: Willian Friedkin)
Tenho medo até hoje e ponto final.

A Bruxa de Blair
(“The Blair Witch Project”, 1999, direção: Daniel Myrick e Eduardo Sánches)
Além da campanha de marketing sem igual que mostrou o quanto a internet e seu modo “viral” de ser podiam mudar o cinema, Daniel Myrick e Eduardo Sanches fizeram um filme de terror que tinha como única e maior arma, a mente do espectador e seu medo do que não estava na tela. Sabendo que podiam se apoiar na imaginação de quem estava vendo para criar seus monstros e assassinos, fazia então com cada um, sentado ali, naquela poltrona no escuro, imaginasse o perseguidor que quisesse e pegasse o filme para si, abraçando-o com tanta força que era fácil ver pessoas saindo do cinema acreditando naquilo que tinhas visto. A Bruxa de Blair se tornou uma experiência como o cinema há tempos não via, mas que fez questão de copiar a exaustão depois disso.

(+1) Menções honrosas

E aqui um momento para lembrar aqueles que não chegaram na lista, mas não podem ser esquecidos, com A Noite dos Mortos Vivos e seus zumbis, Os Outros e seu final estarrecedor, Sexto Sentido e seu jeitinho de te fazer olhar para o lado errado (e o final, lógico!), Alien pelo sufoco, Evil Dead (ou sua sequencia Uma Noite Alucinante) pela segurança em ser Trash, Psicose por ser do mestre, Jogos Mortais por sua eficiência, [REC]por saber extrapolar a idéia de Bruxa de Blair, Nosferatu pelo teor clássico e O Enigma do outro Mundo por puro carinho meu. Esses e, muito provavelmente esquecendo mais um monte… que eu devo ter esquecido (ou ainda não visto).

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2 Respostas

    • Vinicius Carlos Vieira

      valeu… se quiser alguma outra lista de algum assunto específico é só falar…

      Responder

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