Que Frank Miller se empolgou quando viu seu nome nos cartazes de Sin City, como co-diretor, e em 300 como autor da obra, não é segredo nenhum que ele pegou toda essa adrenalina e canalizou em um modo de destruir um dos maiores personagens dos quadrinhos do século passado, Spirit, isso você descobre assim que começa o filme.

Resumindo, Miller cria uma adaptação incômoda, pelo personagem título usar preto, e não o azul original; pelo filme parecer uma adaptação de Sin City e não da obra de Will Eisner; por um uso excessivo, e patético, de slow motion; por parecer não fazer sentido algum, se tornando um emaranhado de cenas deslocadas; por obrigar todos a escutar Samuel L. Jackson vociferar sandices durante todo filme em roupas risíveis; por não conseguir achar o limite da graça, se tornando meio (ou inteiramente) imbecil; por ter sido escrito por alguém aparentemente sob efeito de álcool (ou coisa pior), com diálogos absolutamente desconexos e absurdamente sem objetividade; e por fim (ufa!), por uma gravata vermelha e um solado de tênis vexatoriamente digitais.

O diretor (ou quase isso), Frank Miller, acaba não conseguindo conviver com o escritor de quadrinhos Frank Miller, montando um filme belíssimo quando parado (ainda que muito parecido com seu Sin City), com composições bacanas e estilosas, mas sem o mínimo senso narrativo, deixando assim um monte de personagens à deriva diante de uma história quase inexistente.

Pelo menos, somos presentados com Eva Mendes, no papel de Sand Saref, desfilando, junto com sua pintinha, nascida de um jeito quase estratégico sobre seu lábio, em decotes, colants, toalhas, vestidos mais que sexys e, até, apenas a luz do luar. Que venha um Spirit Origens: Sand Saref


The Spirit (2008) direção: Frank Miller


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