Terra Estranha é um filme corajoso no formato de televisão. Ele é corajoso em entediar o espectador por quase todo o tempo para em seus minutos finais trazer a redenção de tudo aquilo que o filme pretende tratar. Sua coragem, aliás, vai além, pois descarta um final convencional pelo bem do argumento. E tudo isso na Austrália, terra da “aventura fácil”, do clichê Hollywoodiano e das histórias de amor selvagem.

Mas tudo isso é deixado de lado logo no começo, quando somos apresentados a uma família que está quebrada há muito tempo. A filha lasciva de quinze anos, Lily (Maddison Brown), parece ser a responsável por todo comportamento ressentido de todos os outros, até do filho mais novo, Tom (Nicholas Hamilton), que é facilmente aliciado por ela, já que importante para eles é sobreviver com os pais sob o mesmo teto até não dar mais. O almoço de família é convenientemente dividido pela mesa em pais e filhos, assim como os créditos iniciais vão convenientemente sumindo como areia no deserto.

O jogo de foco, contra-foco, planos-detalhe de personagens e panoramas da pequena cidade e do deserto são os truques bem sucedidos da diretora Kim Farrant, que estreia no ficcional com esse filme. Todos esses truques mantêm a tensão de maneira eficiente, mesmo que imersos em um marasmo e calor inebriantes. Menos feliz se sai a trilha sonora de Keefus Ciancia, que exagera em seu tom dramático e comenta de maneira lúdica e burocrática demais um filme que está tentando criar um drama muito mais complexo que uma simples história de desaparecimento. Mas, ainda nos aspectos técnicos, a fotografia exuberante de P.J. Dillon consegue extrair beleza da morte (deserto) e pobreza da vida (a cidade) através da dualidade do limpo e sereno (deserto) versus o sujo e ruidoso (cidade).

Não é de hoje que a filmografia australiana explora a herança dos abusos de uma terra invadida e violada pelos europeus. A Austrália, em específico, consegue servir de palco muito mais místico, tanto pelas lendas aborígenes quanto pelo clima desértico e isolado, que apesar de quente parece esfriar o coração de seus habitantes.

Terra Estranha Crítica

Em Terra Estranha isso se torna mais óbvio por se tratar de uma cidadezinha isolada, onde os habitantes antes de serem amistosos são desconfiados. Não que isso seja uma reação estranha à família dos Parkers, recém-chegada e com um passado misterioso. Porém, essa estranheza é ressaltada quando o desaparecimento das crianças coloca seus habitantes indiretamente envolvidos com o futuro da família.

E é daí que surge a maior força do longa, que extrai de pessoas ainda estranhas à família a mesma sensação que compartilham dentro de seu próprio lar: de serem estranhos vivendo sob o mesmo teto, por conveniência ou para se esconderem de quem realmente são. Todos estão com medo de aceitarem qualquer coisa fora do convencional, e isso é tão comum para todos que o filme vira uma metáfora fascinante sobre como a vida pode ser complicada ao viver com os outros.

Dessa forma, embora não tenha tanta ação, Terra Estranha pode ser uma ótima combinação entre drama e tensão, e embora o formato meio enlatado não forneça evidências disso, seu modo honesto e persistente de narrar a história acaba fazendo valer o tempo gasto.


“Strangerland” (Australia/Ireland, 2015), escrito por Michael Kinirons, Fiona Seres, Fiona Seres, dirigido por Kim Farrant, com Nicole Kidman, Joseph Fiennes, Hugo Weaving, Lisa Flanagan, Meyne Wyatt


Trailer – Terra Estranha

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4 Respostas

  1. Renato

    Bom elenco, boas atuações, boa fotografia, se perde totalmente na trama, hora misterio aborigena, hora insesto e abuso infantil, hora algum jovem da area, hora misterio entre o casal e no fim nada, simplesmente nada. Tipico filme onde o diretor se acha demais e pensa que fez um puta filme. Nao vale a pena assistir final tosco trama sem fim. Lixo.

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  2. Mauro Jorge

    Péssimo filme, sem sentido…aliás sentido só na cabeça do roteirista e diretor. Perda de tempo!

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  3. Wanderley Caloni

    Bom, daí o “Ele é corajoso em entediar o espectador por quase todo o tempo para em seus minutos finais trazer a redenção de tudo aquilo que o filme pretende tratar.”. Esteje avisado 😉

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  4. viny

    UMA P-O-R-C-A-R-I-A DE FILME, PERCA DE TEMPO NÃO ASSISTAM AO MENOS Q QUEIRAM PASSAR RAIVA

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