O medo e a expectativa se tornaram paixão, surpresa e admiração, e não há fã no mundo que possa falar o contrário de Star Wars: O Despertar da Força. OK, um ou outro xiita vai reclamar do peso do sabre de luz ou das pontas soltas, mas esses caras seriam capazes até de reclamar da ausência do Jar Jar Binks caso não encontrassem mais defeitos. Uma modalidade de chato que não percebe que perdeu a oportunidade de viver mais uma fez a Força.

E “O Despertar” é justamente sobre isso: reviver aquele sonho que em 1977 conquistou o mundo. Em outras palavras, começar uma nova trilogia do mesmo jeito que George Lucas o fez. Não copiando, mas sim se inspirando, homenageando e repaginando toda mítica. E se tem alguém que sabe fazer isso como poucos é J.J. Abrams.

Na TV, Abrams “refez” o gênero de espionagem com Alias e até hoje é copiado (mesmo sem as pessoas perceberem), juntou a maior quantidade de referências à ficção científica em Lost, de um jeito que abalou as estruturas da cultura pop. No cinema, remodelou Missão Impossível depois do desastre de John Woo, brincou de Steven Spielberg em Super 8 e deixou um futuro à ser (re)escrito em Star Trek. Mas tudo parece um ensaio para que ele se tornasse agora o melhor diretor a ter passado por Star Wars. E isso não tem nenhum pingo de exagero.

Abrams, junto do roteiro do veterano Lawrence Kasdam (dos próprios Episódios V e VI) e Michal Arndt (Toy Story 3), recriam os passos da jornada de Luke Skywalker em Uma Nova Esperança, só que do único jeito que o século XXI poderia aceitar. O Despertar da Força é então mais inteligente, mais complexo, melhor encaixado e mais surpreendente que qualquer outro filme da série. E lógico que o “No. I Am Your Father” explodiu a cabeça de muita gente, mas o que se vê agora é uma vontade de surpreender a cada sequencia. Até o momento “Blow your mind” desse episódio XII é tratado de um jeito diferente: com calma, sensibilidade e um amor enorme pelo material.

Como se nada estivesse fora do lugar. Nenhuma trama, nenhum personagem, nem nenhuma ação parece estar ali gratuitamente. E não se surpreenda a perceber que cada um do quarteto de personagens principais está ali em uma jornada só sua. Jornadas que esbarram e se relacionam com os filmes antigos e citam as obras passadas como uma paixão contagiante.

Na ponta disso está Rey (a contagiante e apaixonante Daisy Ridley), uma catadora de lixo de Jakku, que acaba cruzando o caminho de Finn (John Boyega) e de um droide redondinho e bonitinho, BB-8, que traz consigo uma informação que tanto a Resistência (comandados pela General Leia), quanto a Primeira Ordem (uma sobra do Império, agora capitaneada pelo “meio sith” Kilo Ren) estão em busca: o paradeiro de Luke Skywalker. E alem disso (que está escrito no famoso texto em amarelo que sobe pela tela para abrir o filme), tudo e qualquer coisa dita aqui estragaria as surpresas.

É lógico que todos sabem que Han Solo e Chewbacca estão lá em algum lugar da trama, assim como o piloto Poe Dameron (o ótimo Osca Isaac, que, muito provavelmente, deve ganhar mais espaço no resto da trilogia), mas é o modo como a trama corre por todos esses personagens e os angaria para ela é que é a verdadeira estrela de Star Wars: O Despertar da Força. Isso tudo sem esquecer daquilo que todos mais queriam: Batalhas aéreas, sabres de luz cortando o ar, um conflito político e até um jeito extremamente criativo de recriar a famigerada Estrela da Morte.

Em resumo, Star Wars: O Despertar da Força não só é tudo que os fãs queriam, como é ainda tudo aquilo que eles nem faziam ideia que estavam em busca.

Star Wars: O Despertar da Força Crítica

Talvez ninguém nem fizesse ideia do quanto a série precisasse de personagens tão complexos quanto Finn, Ray e Kylo Ren. Cada uma a seu jeito, todos estão ali como resultado de um passado que os empurrou até aquele presente de modo tão significativo que é fácil entender suas motivações logo de cara. É descomplicado olhar para Ren e entender como um Sith meio descontrolado pode surgir em meio a uma Força que nunca esteve dão desequilibrada, mas mesmo assim dali nascer um poder tão incrível a ponto de parar no ar um tiro saído de um blaster. E é muito mais simples ainda acompanhar Finn em sua jornada de redenção e dessa vontade de pela primeira vez na vida tentar fazer algo certo.

É lógico que Boyega e Adam Driver (Kylo Ren) ajudam em muito para que seus personagens funcionem, com definitivamente o primeiro roubando o filme para ele, mas é o modo como Abrams enxerga seu filme que mais permitirá que O Despertar da Força possa até mais para a frente ser considerado por muitos o melhor filme da série.

Pela primeira vez temos um diretor empolgado com o material que têm em mãos. Que move sua câmera pelos cenários, acompanha a Millenium Falcon em um voo incrível, se diverte com o peso dos diferentes impactos das armas e explosões enquanto tenta criar a maior quantidade de cenas de ação na maior quantidade de ambientes diferentes. Desde o hangar de um Destroier até um duelo de sabres de luz em uma floresta gelada e branca. Um Abrams que surpreende todos com um movimento de câmera simples ao encarar a “sucata” que um dia foi de Han Solo ou um AT-AT que agora serve de moradia no meio do deserto.

Tudo bem, você pode não saber quem é Han Solo ou que era um AT-AT, e mesmo assim Star Wars – O Despertar da Força foi feito para você, que também não sabia que precisava de uma nova “guerra nas estrelas” em sua geração, assim como em 1977 talvez não soubessem, mas que a partir de agora terá a certeza de que não poderá mais viver sem ela. E “que a Força esteja com você” nesses próximos anos, pois o que não faltarão serão histórias “há muito tempo atrás em uma galáxia distante”, daquelas que você não tinha a menor ideia de que precisava viver.


“Star Wars: Episode VII – The Force Awakens” (EUA, 2015), escrito por Lawrene Kasdan, J.J. Abrams e Michael Arndt, dirigido por J.J. Abrams, com Harrison Ford, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Lupita Nyong´o, Andy Serkis e Domnhall Gleeson.


Trailer – Star Wars – O Despertar da Força

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