É mais simples do que parece, enquanto os dois Star Treks dirigidos por J.J. Abrams eram pequenas obras-primas de tensão, com um visual lindo, muitas referências e personagens incríveis, Star Trek: Sem Fronteiras, agora dirigido por Jusntin Lin (dos últimos Velozes e Furiosos), tem em um dos seus ápices kirk atacando uma base alienígena acelerando uma moto. Então, diga tchau para uma aventura inteligente e abrace a mediocridade.

E só para ser mais polêmico ainda, Lin não tira essa falta de sutileza de algum lugar de sua mente corroída por nitroglicerina dos motores, ele vai lá na série clássica buscar essa vontade de ser mediano. Abrams é que saía dessa mesmice e tentativa algo diferente, Lin apenas repete o monte de erros que a franquia já teve.

Pior ainda, deixando de lado a opção de criar um material completamente novo, para se escorar em um monte de ideias batidas e já usadas. Por sorte, assim como nos filmes da franquia com Vin Diesel, Lin faz isso bem feito e o resultado é um filme divertido em sua falta de inspiração.

Nele, em uma provável referência à série original, que durou três temporadas, a tripulação da USS Enterprise está no terceiro ano de sua missão de meia década. Entre muita diplomacia e pouca ação, além das relações começarem a se desgastar, o próprio Capitão Kirk já até coloca em vias de fato a possibilidade de deixar a nave e encarar uma mesa dentro da Frota Estelar em sua nova sede no planeta artificial Yorktown.

Então, em uma espécie de última missão, Kirk, Spock e cia partem para uma missão de resgate em território não mapeado, o que acaba os colocando frente a frente com um vilão com uma sede de vingança que extrapola essa nova fronteira.

Ok (e aqui alguns spoilers), você já viu Kirk com crise de idade em seu aniversário (e essa já não era uma das boas motivações do personagem); você também já viu a Enterprise ser surpreendida por uma missão de resgate que na verdade era uma armadilha (se não no Star Trek, viu em um monte de outros filmes); você também já viu também um “ex-funcionário” da Frota tentando se vingar deles (e isso você viu recentemente, no filme anterior); você também acabou de ver em Além da Escuridão um vilão órfão da guerra e que não sabe viver na paz; no mesmo filme (além de um monte de outros) você também viu a Enterprise (ou nesse caso uma nave mais velha ainda) acabar com a raça de uma nave maior. Enfim, tudo isso você já viu, e isso dá uma preguiça enorme.

Star Trek: Sem Fronteiras Crítica

Ainda que Abrams não tenha feito nada de absolutamente novo e sempre estivesse afogado em um poço de referências, aquilo pelo menos soava novo. Lin agora faz tudo soar empobrecido e comum. E ainda meio “chapa branca” até, já que parece se esforçar demais para colocar todos personagens dentro de um protagonismo que não lhes é caraterístico. Star Trek é sobre a relação do Capitão Kirk e do Comandante Spock, e dessa vez até isso fica em segundo plano, já que os dois só têm um “pequeno grande momento” juntos em um elevador. Só por Sem Fronteiras é impossível achar que a relação deles é a mesma criada nos filmes anteriores.

Parte dessa culpa talvez venha também do roteiro escrito por Simon Pegg (que também interpreta o engenheiro Scott) em parceria com Doug Jung. Pegg vem de um monte de comédias em seu currículo tanto de ator quanto de escritor (e todos aqueles filmes que você viu com ele e Nick Frost, foram escritos por Pegg) e talvez essa veia cômica acabe suavizando demais Star Trek. É essa mesma necessidade de simpatia que dá mais espaço para o médico “Magro” McCoy, que parece mais do que nunca um alívio cômico (e só não vai por água abaixo por Karl Urban ser de longe o melhor ator do elenco).

E falando em atores, enquanto Chris Pine parece pela primeira vez encarar a canastrice “sem fronteiras” do Kirk original de William Shatner, a franquia mais uma vez ganha um baita ator para roubar a cena no papel de vilão. E ainda que Idris Elba fique na maioria do tempo coberto pela maquiagem, seu trabalho vocal é incrível e no pouco momento que tem para usar sua “própria cara” (ainda que com um pouco de maquiagem), faz valer a pena sua escalação.

Mas é bom reiterar que Star Trek: Sem Fronteiras, mesmo com toda vontade de ser esquecido só não erra feio, pela mão de Justin Lin. Que não faz nada nem perto da estética rebuscada de J.J. Abrams, mas trabalha muito bem dentro daquilo que é capaz, consegue encaixar boas cenas de ação (ainda que todas dependam demais do “último segundo”), valoriza bastante a dinâmica entre os personagens e parece se preocupar em entregar aquilo que seu píblico quer. Ainda que isso não seja muita coisa.


“Star Trek Beyond” (EUA, 2016), escrito por Simon Pegg e Doug Jung, dirigido por Justin Lin, com Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Idris Elba e Sofia Boutella.


Trailer – Star Trek: Sem Fronteiras

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2 Respostas

  1. Antonio Manuel Lopes

    Caro amigo, você poderia, por favor, me enviar sua newsletter. Infelizmente, não achei o local próprio para fazer a solicitação. Muito obrigado.

    Responder
    • Vinicius Carlos Vieira

      Oi Antonio, nossa newsletter está sendo remodelada, deve voltar até o final do ano, por isso tiramos a sessão de solicitação. Mas se quiser acompanhar nossas atualizações, temos a fanpage no Facebook (https://www.facebook.com/Cinemaqui/) e o @cinemaqui no Twitter…

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