A sétima temporada de Game of Thrones acabou com um grande dragão zumbi, montado por uma White Walker e cuspindo um fogo azul que destrói a grande muralha que separa o Norte. E talvez isso seja um resumo perfeito do que a série se tornou.

Ou melhor, do único caminho que ela poderia ter tomado e tomou. Portanto, não adianta reclamar. Não precisa gostar também, pode preferir o que quiser e quando quiser, tudo está liberado.

No meu caso, vou manter minha paixão controlada por algumas ressalvas. Ainda que esse último episódio tenha me mostrado que ainda tem jeito dessas ressalvas serem queimadas pelo bafo de algum dragão.

Minha chatice vem justamente do que Game of Thrones vem me oferecendo desde o primeiro episódio quase dez anos atrás. Ainda que se tratasse de uma série de fantasia medieval, sua ação era calcada nos corredores desses castelos, nas traições e na honra desses cavaleiros. Mas isso vinha empacotado por personagens incríveis e momentos surpreendentes a cada capítulo dessa história épica.

E isso ai foi cada vez ficando mais e mais poderoso, até que um dos personagens principais é executado em praça pública sem nenhuma cerimônia. Game of Thrones era feita à partir do sangue de seus heróis e isso foi ficando cada vez mais poderoso e violento. Entre um “casamento vermelho” um “julgamento através de luta” que deu muito errado, a quantidade de personagens vivos diminuía, mas o número de espectadores só subia. E isso é ruim? Logicamente que não!

Game of Thrones

Mais gente vendo, mais dinheiro; mais dinheiro, maior a possibilidade de colocar na tela cenas grandiosas e com orçamentos dignos de qualquer produção cinematográfica. Talvez o ápice disso tenha ficado no colo da batalha envolvendo os dois bastardos mais famosos de Westeros, principalmente já que até aquele momento os fãs eram sempre presenteados com a impressão que as batalhas aconteciam na imaginação de seus espectadores.

De qualquer jeito, mais batalhas não são um problema, não se divertir com elas é praticamente impossível. Daenerys e seus dragões chegam a Westeros e dão conta de um exercito inteiro da rainha Cersei. O que nos leva a essa sétima temporada.

Era inevitável que na hora do “vamo ver” os dragões roubassem a cena. Desde que eles surgiram lá no final da primeira temporada eles representavam o poder, então não teria porque eles ficaram caçando cabras enquanto o “pau estava comendo”. Ainda mais quando eles representavam um arco importante para história. Agora, se eu queria tantos dragões ao invés de uma boa trama palaciana? Não, preferia o outro jeito, mais sutil, violento, subjetivo e surpreendente. Mas já que eles estão por ai, é melhor que eles tenham uma razão de existir.

E aparentemente, entre serem um arma infalível e ainda servirem de ostentação, eles acabam se mostrando ainda mais importantes para o que virá à seguir. Aquele primeiro parágrafo cita exatamente o momento onde o grande perigo de além da muralha acaba finalmente chegando no quintal da família Stark, o que moverá a trama para uma oitava temporada envolta por uma guerra que deve separar os vivos dos mortos.

Mas há uma pitada do bom e velho Game of Thrones que fecha essa temporada, ao mesmo tempo em que pensa com carinho naqueles seus espectadores mais lentinhos. De um lado, Cersei Lannister mostra que não adianta ter muitos dragões e uma equipe inteira de efeitos especiais ao seu lado para ganhar uma guerra, para ganhar uma guerra é preciso ser um grandessíssimo filho de uma… Assim como no final da outra temporada, suas ações mostram que “quando se entra no jogo dos tronos, você vence ou você morre, não há meio termo”.

E falando em morrer no jogo dos tronos e sétima temporada, primeiro de tudo, se despedir do Lorde Baelish é como ver as mulheres da família Stark se redimirem de uma temporada que não parou nem um segundo de descaracterizá-las. Por um lado, não adianta achar que elas estavam “fingindo”, já que se fosse esse o caso seria uma idiotice ficarem fingindo enquanto estavam sozinhas em uma cena. Por isso, o que acontece é uma redenção de um desvio, ambas as duas irmãs chegaram nesse momento movidas por um incrível sentimento de sobrevivência, portanto, jogar isso fora para caírem em uma armadilha fraquinha do “Mindinho” iria contra tudo que tinha sido conquistado até aquele momento.

Game of Thrones

Por isso que quando o assunto é descaracterização, talvez o campeão seja mesmo o Lannister mais simpático de Westeros, Tyrion, que parece ter surgido na pele de um outro personagem no começo da temporada. Sério demais, tenso e sem um pingo da coragem, esperteza e picardia que o fez se tornar o personagem preferido de muita gente por aí. Por sorte, o roteiro desse último episódio também o redime, o que nos leva a crer que ele funciona muito melhor em King´s Land do que andando por ai.

Mas voltando aos espectadores menos espertinhos, em um dos diálogos expositivos mais fraquinhos da série, Bran explica para Sam (e para todo mundo que ainda não tinha entendido… acredite, eles existiam) a verdadeira origem do ex-Jon Snow, agora Aegon Targaryen. Mas aposto que você já tinha entendido isso no final da outra temporada.
De qualquer jeito, cheio de dragões cuspindo fogo, enorme batalhas de milhões de dólares e ainda um pouco de ação sutil, sobra daí um terceiro episódio, “The Queen´s Justice”, que desde já entra para a lista dos grandes episódios da série. E note que isso acontece justamente diante de uma invasão anticlimática a um castelo vazio (ao melhor estilo Guy Ritchie e Steven Soderbergh, moderno e com as reviravoltas da batalha acontecendo enquanto elas estão sendo discutidas nas hora do plano está sendo montado). E se essa interessantíssima sequência ainda termina com uma surpresa, o ápice do episódio acontece dentro de uma sala com um diálogo movido a uma dose de veneno e uma verdade muito mais mortal.

Mas também os chatos (como eu!) precisam entender que depois de seis temporadas e todas as peças se posicionando desse grande tabuleiro, Game of Thrones acaba essa temporada mostrando que seu espectador (seja o chato ou o empolgado) está de frente para o terceiro ato de uma história épica, e um terceiro ato que se preze tem muita ação, reviravoltas, o mocinho ficando com a mocinha e, quando possível, alguns dragões.

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Uma resposta

  1. Aguida Mafessolli

    Gostei. Concordo.
    Acho que os dragões fazem parte do show e não me chateiam.
    Não vou deixar de ser apaixonada pela série nunca, mas acho q ela ficou descaracterizada do que acostumamos ao longo de seis temporadas e que me apaixona… pegar minhas expectativas e rasgá-las em mil pedaços! Disso sim eu sinto falta!
    1 temporada inteira com o que? Duas mortes significativas e momentos e relações previsíveis?
    Ficou diferente, mas isso não quer dizer que ficou péssima.
    Talvez tenha sido necessária essa temporada para justificar a próxima, aguardemos.
    Claro que vou esperar ansiosa e assistir tudinho!

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