Serial CinemAqui | Ares – Rico só pode ser coisa do Demônio


Ares conta a história de Rosa (Jade Olieberg) e Jacob (Tobias Kersloot), amigos da faculdade de medicina que são convidados para entrarem na sociedade estudantil Ares, que existe desde a Idade Média na Holanda (ou Países Baixos, como querem ser chamados agora). Composta por membros da elite econômica e intelectual do país, os jovens então tem que decidir até que ponto querem realmente fazer parte do grupo, à medida que acontecimentos cada vez mais estranhos ocorrem.

Primeira série original Netflix holandesa, Ares começa forte, com cenas surpreendentemente elegantes de violência e muito mistério, para ser no final um grande exemplo de frigidez cinematográfica, com amplas quantidades de provocações e insinuações e pouquíssima satisfação.

Exceto o primeiro episódio e o terceiro ato do oitavo – que traz mais acontecimentos em dez minutos do que nas três horas anteriores – o que temos é uma enorme enrolação, com desenvolvimento de personagens deficiente, para dizer o mínimo, e crítica social rastaquera.

A protagonista, Rosa, é de origem negra e, evidentemente, teve e tem dificuldades financeiras apesar de ter um cérebro privilegiado e bastante ambição, o que explica, pelo menos em parte, sua incrível capacidade de não enxergar o óbvio, principalmente quando toda a cerimônia de iniciação na Ares se demonstra violenta e sem sentido. A motivação dela é principalmente se encaixar na elite, pois todos os membros da sociedade estudantil são brancos e multimilionários.

Mesmo quando seu amigo Jacob acaba descobrindo que a fonte do poder da Ares, nas catacumbas da sede, pode ser nada recomendável, Rosa insiste em ficar, fascinada pelo poder, mesmo quando descobre que sua família foi afetada pela participação dela e que Jacob pode estar enlouquecendo.

Dessa forma, acompanhando os episódios, todos com curta duração (de 25 a 32 minutos cada), somos sujeitos a toneladas de atmosfera, com um trabalho de câmera lento e contemplativo, excelente fotografia de ambientes escuros, uma boa trilha sonora que cria um ambiente e vários aspectos esquisitos curiosos (a tendência dos membros de regurgitar óleo negro e até ovos pela boca, a liberalidade sexual, insinuações de magia negra) para… chegar a lugar algum.

Elenco frio, roteiro supostamente crítico social – Rosa seria a primeira membro não branca em centenas de anos – e uma clara ojeriza dos realizadores à elite social e econômica da Holanda, deixam a série com a clara chancela de cancelamento sem deixar saudades, mesmo para os fãs do gênero.

Daria um filme razoável de terror adolescente de 90 minutos, só que ficamos apenas com um coito interrompido de 4 horas de duração. Talvez se o contrato fosse para mais de uma temporada, teríamos uma série mais bem finalizada, com mais cuidado com o espectador e que não deixasse tantas pontas soltas.

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