Sequestrando Stella | Não se destaca, mas funciona


Sequestrando Stella tinha tudo para ser um suspense tenso e surpreendente, mas parece preferir ser mais do mesmo. Talvez uma vontade de agradar a todos e, quem sabe, se destacar no meio do catálogo da Netflix, coisa que não deve acontecer.

O filme é uma produção alemã que vem nessa esteira do serviço de streaming de gastar muito dinheiro (muito mesmo!) na produção de material próprio. Mesmo sem número precisos, é possível que a Netflix tenha investido mais de US$ 8 bilhões em material original. Sequestrando Stella está nesse balaio.

Ele também é quase um reflexo desse novo modelo que deve ocupar grande parte do catálogo e preencher os espaços que sobram diante de grandes produções como Roma e O Irlandês (dirigido por Scorsese e que chega aos cinemas no segundo semestre). Uma ideia interessante, pouco dinheiro com cenários e muita boa vontade.

Um suspense que praticamente se passa em três cenários. Uma antessala onde dois sequestradores travam uma batalha moral e deixam uma tensão intelectual criar um clima interessante. Um quarto transformado em cativeiro onde a filha de um ricaço espera o pai enviar o resgate. Por fim, uma floresta e uma casa de barcos onde o terceiro ato acontece.

Mas mesmo com o começo interessante e agitado, cheio de planos detalhes em uma montagem ágil e interessante, onde todos detalhes que formam esse thriller são montados, aos poucos isso vai se esvaindo em uma monotonia óbvia. Quanto mais perto o espectador chega do final, mais ele percebe o quanto podia adivinhar todas aquelas reviravoltas.

Fica no começo aquela impressão de que o diretor Thomas Sieben está no controle de seu filme, dando as pistas de modo visual e sem palavras. É fácil nos primeiros minutos, entre cordas, camas e uma pequena reforma no quarto imaginar onde tudo pode dar errado. Quando acontece exatamente o que você espera, movido por uma vontade preguiçosa de chegar nessas reviravoltas, o que surge é uma vontade de adiantar o filme e passar logo por tudo aquilo que você imagina que vá acontecer.

Mas você não vai fazer isso, vai ver até o final e acompanhar essa Stella do título tentando fugir enquanto seus sequestradores se permitem seguir o caminho óbvio de seus personagens clichês. É impossível não pensar na possibilidade de inverter as motivações, subverter as personalidades e surpreender seu espectador, mas Sequestrando Stella nega tudo isso e se arrasta até o final desinteressante.

Se Sequestrando Stella não surpreende, pelo menos está longe de chatear. É um thriller comum, sobre um sequestro que dá levemente errado, não tão errado como poderia e chamaria atenção, dá errado o suficiente para você torcer pelos personagens, e talvez isso vá bastar para muita gente e, consequentemente, manterá a Netflix sempre pronta para investir em mais e mais material original, quem sabe numa dessas surge alguma pérola!


Kidnapping Stella” (Ale, 2019), escrito por Thomas Sieben e J. Blakesson, dirigido por Thomas Sieben, com Jella Haase, Clemens Schick e Max Von der Groeben


Trailer do Filme – Sequestrando Stella

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