Sem Proteção

Em seu nono filme como diretor (com até um Oscar por seu primeiro, Gente como a Gente), Sem Proteção, Robert Redford, reuniu um grande elenco, misturando velhos conhecidos do público, assim como novos talentos, tudo em um thriller Sem Proteção Cartazpolítico que, apesar de interessante e eficiente, não se sobressai.

No caso, o próprio vive um ex-ativista do grupo radical de esquerda, Weather Underground, que, há 30 anos, como protesto contra a Guerra do Vietnã, organizou um assalto a um banco em Michigan que resultou em um policial morto. O problema começa quando uma das três procuradas pelo ato, Sharon Solarz (Susan Sarandon) decide se entregar e, ao investigar a história para o jornal em que trabalha, o jovem jornalista Ben Shepard (Shia LaBeouf) descobre que um certo Jim Grant (Redford) é, na verdade, Nicholas Sloan, outro suspeito pelo assalto. Com o objetivo de limpar seu nome e voltar a viver uma vida tranquila ao lado da filha de onze anos, Sloan vai atrás da última integrante do trio de ativistas procurados, Mimi Lurie (Julie Christie), com que teve um romance naquela época.

O roteiro de Lem Dobbs, baseado no livro de Neil Gordon, é claro e quase didático em sua exposição dos acontecimentos. É uma pena, já que as várias discussões que levanta ficam na superficialidade, sem que o filme saiba muito bem a mensagem que quer passar. Quando Shepard entrevista Solarz, ela faz um emocionado discurso sobre o espírito revolucionário dos jovens de sua época e da passividade da nova geração – mas, mais tarde, Sloan declara ter deixado os dias de ativismo para traz porque “amadureceu”. Personagens discutem como atos revolucionários anti-guerra perdem seu sentido se também matam inocentes, mas não há força nessas discussões.

Sem Proteção constantemente deixa passar oportunidades de elevar o filme e de cutucar o espectador. Seu retrato do jornalismo atual, pelo menos, é consistente, mesmo se não muito original, como o editor, vivido por Stanley Tucci,  típico chefe de redação que cobra o repórter por uma história apenas para, mais tarde, criar obstáculos desnecessários enquanto ele a persegue. Shepard é retratado como um repórter competente e insistente, mas logo se aproxima emocionalmente demais . Redford, pelo menos, consegue arrancar uma atuação decente de Shia LaBeouf, mesmo que o esforço deste ainda seja claro.

Sem Proteção FIlme

Já o restante do elenco – que inclui nomes como Nick Nolte, Chris Cooper, Brit Marling e Brendan Gleeson, apesar de, em sua maioria, oferecer ótimos momentos de atuação, não tem muito o que fazer. Assim como a presença de tantos nomes conhecidos em papéis de pouca importância chegama tirar o espectador do filme (“Olha só quanta gente bacana o Robert Redford conseguiu escalar!”). No papel de agentes do FBI, Terrence Howard e Anna Kendrick, principalmente, são figurantes de luxo.

A obra remete aos suspenses políticos da década de 70 – só que sem suspense ou tensão. Sloan é um viúvo que, após a morte da esposa, cuida sozinho da filha – as cenas entre os dois são bonitinhas, mas uma óbvia tentativa de injetar alguma complexidade no personagem, já que o roteiro não se preocupa muito em desenvolvê-lo. Quais são suas motivações? É difícil de acreditar que este mesmo homem tenha sido, antigamente, um ativista de esquerda. Aliás, a falta de motivaçãos é um problema presente também nas histórias de outros personagens: as decisões finais de Shepard e Lurie, por exemplo, são pouco convincentes, o que enfraquece a conclusão do longa.

Sem Proteção é, assim, um bom filme, mas, ali dentro, há uma obra maior que não foi lapidada.


Sem Proteção (The Company You Keep), escrito por Lem Dobbs, dirigido por Robert Redford com Robert Redford, Shia LaBeouf, Julie Christie, Susan Sarandon, Nick Nolte, Chris Cooper, Brit Marling, Terrence Howard, Anna KendrickStanley Tucci e Brendan Gleeson.


Trailer

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