Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 | Acredite… aconteceu!


O que ninguém achava que fosse acontecer aconteceu e a segunda parte do último filme da Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 faz o cinema acreditar que ainda há esperança para que os filmes voltem a ser considerados arte.

São cinco filmes em cinco anos que ensinaram os espectadores a apreciar e se apaixonar, não só por pelo amor entre esses três personagens, como pela épica saga que renovou uma mítica cansada e que já se repetia sem foco e despreparada para o que era novo. Baseados nos livros de Stephanie Meyer, A Saga Crepúsculo mostrou ao mundo que vampiros não precisavam mais ser simples e unidimensionais criaturas das trevas, podendo agora brilhar sobre o palco que sempre lhes foi de direito.

E nesse quinto e (infelizmente) último filme, Bella (Kristen Stewart), finalmente, consegue aquilo que sonhou desde que chegou à movimentada cidade de Forks: acordou para a sua segunda vida. Evoluindo de reles humana para agora enxergar cada detalhe e som daquela floresta que a cerca. Caçar aqueles animais que matam pobres cervos e, ainda por cima, arrumar tempo para ¿aproveitar seu casamento¿ enquanto a família de seu marido cuida de sua linda filha (resultado de um CGI que engana a todos), Renesmee.

Mas essa felicidade dura pouco, já que os maléficos ¿Volturi¿, um grupo de vampiros italianos que controlam todos outros clãs pelo mundo, se sentem obrigados a atacar Bella e sua nova família, já que a pequena filha pode representar uma ameaça à eles e ao mundo. Mas tanto o texto de Melissa Rosenberg (que vem desde o primeiro filme), quanto a direção de Bill Condon (que também dirigiu o anterior), sabem que isso não interessa, pois só o ¿amor constrói¿.

Liderado pelo bom ator Michael Sheen, em um dos poucos momentos de genialidade em sua carreira desde sua participação nos três primeiros Anjos da Noite, os Volturi não precisam nem de nenhum desenvolvimento, já que suas motivações são claras: eles são os vilões, e isso pode não bastar para os chatos de plantão, mas aqui é a prova de que a simplicidade e o pragmatismo podem ser suficientes. Já que o amor é pragmático.

E como existem vilões, também há ¿mocinhos¿ e, nesse caso, o posto fica com uma charmosa e carismática trupe de vampiros das mais variadas nacionalidades e personalidades. Tão marcantes que nem ao menos precisam ser aprofundados e apresentados, apenas seus poderes (que deixariam os X-Men orgulhosos). No resto do tempo, bastam algumas ótimas poses e uma ou duas frases para ganharem um espacinho nos créditos finais. Afinal, em uma trama tão grande e ampla, seria difícil arrumar lugar para todos. Mas o importante é que eles recheiam o meio do filme e ajudam a família de Edward (Robert Pattinson) a proteger sua filha nessa batalha final.

E não importa se os Volturi querem matar a menina por ela ser uma ¿criança imortal¿, ou por ser uma ameaça a eles, ou por poder facilitar com que os vampiros sejam descobertos pelos humanos, Amanhecer: Parte 2 é sobre amor incondicional. Daquele tipo que, assim como esse conflito, não pode ser resolvido com uma conversa.

Um tipo de amor que move Bella a deixar para trás sua personalidade e se tornar uma Cullen, já que sabe que seria doloroso e insatisfatório ter um amor pela metade, que ainda deixasse resquícios de sua vida anterior. Um tipo de paixão tão bonito que é completado com uma nova vida decorada pela nora (da sala ao closet), que mostra o quanto ela pode se aproveitar desse novo sobrenome e se tornar alguém maior e melhor, pois até aquele momento era subestimada pelo marido, já que era o único a saber o quanto ela era infeliz até conhecê-lo.

Mas Bella é sim uma nova mulher, renovada, corajosa e forte, que não quer saber mais de amarras e sai correndo atrás do cheiro de um homem desconhecido que escala uma montanha e não precisa mais dar satisfação a ninguém, já que é autossuficiente e, enfim, a estrela que o filme sempre quis. Tão segura que volta a ter um relacionamento adulto com seu ex-namorado Jacob (Taylor Lautner) e o obriga a provar suas intenções com sua filha antes dar seu aval para o relacionamento entre os dois, mesmo que isso signifique alguns tapas bem dados.

E os fãs podem ficar tranquilos, já que em uma decisão inovadora, algumas partes do filme recebem uma narração em off de Bella, e ninguém terá a dificuldade de entender o que está acontecendo. Ao mesmo tempo em que permite que todos se esbaldem nas lindas linhas saídas do livro.

Mas não há dúvidas que cinco anos de filmes só serviram para a épica batalha final entre os aliados dos Cullen e os Volturi, perfilados frente a frente em um cenário de neve e enchendo um plano aberto no meio da floresta. Um duelo tão violento e chocante que faz um monte de decapitações e mortes offscreen ganharem a leveza e o desprendimento de um passeio no parque. Mostrando que na Saga Crepúsculo nenhum personagem é realmente importante para sobreviver e chocar com sua morte.

(SPOILER!) Porém, assim como toda essa enorme batalha pode apenas ser o vislumbre de uma premonição de Alice que convencem Aro (Sheen), talvez nada daquilo pudesse acontecer realmente, ou simplesmente acontecer de modo completamente diferente. Uma segunda chance para qualquer erro. Ou uma realidade alternativa que se forme e seja o oposto de tudo que já foi escrito nesse texto.

E caso você não tenha entendido, pergunte aos índios do Brasil.


The Twilight Saga: Breaking Dawn ¿ Parte 2(EUA, 2012) escrito por , dirigido por Bill Condon, com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Michael Sheen e Dakota Fanning.


Trailer – Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (Final)

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1 Comment

  1. Que texto deliciosamente sarcástico ^^

    Se eu não tivesse lido antes a crítica ao Transformers 3, não teria começado a ler já sabendo que era zoação sua… Mas, alguém que sentiu o mesmo que eu ao ver aquele “acidente automobilístico” não poderia ter uma opinião tão diferente da minha quanto a Crepúsculo

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