Rosas Selvagens | Luta contra seu conformismo

Rosas Selvagens Filme

Rosas Selvagens é uma combinação perigosa e sutil entre a defesa da liberdade da mulher e as regras rígidas e sem sentido da religião católica. Quer dizer, algo mais ou menos nessa linha, porque a sutileza do roteiro e atuações nos mantém sempre pouco atentos para o que o filme realmente quer dizer. Trocando em miúdos: é um filme que desperta o desinteresse pela sua heroína.

Iniciando com um mistério em torno de sua visita ao hospital, onde não sabemos se ela possui uma doença grave ou está grávida (e se for a segunda opção, se fez um aborto ou entregou o bebê), essa mãe de duas crianças é hostilizada pela filha mais velha, que possui problemas de temperamento e claramente nunca aprendeu limites com sua mãe, isso, além de soltar as observações mais perspicazes do filme inteiro. Isso vindo de uma menina de uns 10 anos de idade é algo a se considerar.

As atuações de Rosas Selvagens não ajudam nem um pouco. A diretora polonesa Anna Jadowska não consegue se desvencilhar dos olhares de perfil e de baixo de seus atores e com isso nós, espectadores, pouco conseguimos extrair dos personagens do filme. Depois de quase uma hora inteira construindo a tensão, o evento climático ocorre, o único no filme, e que termina com um anti-clímax. E ainda por cima o final é tão conformista que gera verdadeira repulsa.

Mais empenhado em nos mostrar belíssimos enquadramentos da natureza polonesa em ação, com diferentes tons claros de vestidos longos sempre iluminados pela luz do sol, Rosas Selvagens, como o próprio nome já parece acusar, é uma telenovela sem paixão e sem diálogos. Um verdadeiro quebra-cabeças de três ou quatro peças que é disposto sempre da forma errada para o espectador por todo o tempo da projeção.

Porém, o exercício de tentar entender aquelas pessoas sem sequer entender quem são aqueles personagens, poderia ser um estudo da sociedade polonesa, ainda entregue fortemente às tradições católicas, incluindo a moral e os bons costumes. Mas nem isso é forte o suficiente, pois como já citei, uma criança que acaba de fazer a comunhão é a criatura mais mal-educada de um vilarejo que teria tudo para ficar escandalizado; mas nem isso temos para alimentar a tensão.

Todos odeiam essa mulher cuja filha a repudia e o marido distante desconhece. Ela vive em uma verdadeira solitária cercada de pessoas estranhas, incluindo sua própria mãe. Se este é o grande problema do filme ele não parece entregar nada além do conformismo covarde e desnecessário.

Esse texto faz parte da cobertura da 42° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo


“Dzikie róze” (Pol, 2017), escrito e dirigido por Anna Jadowska, com Marta Nieradkiewicz, Michal Zurawski, Natalia Bartnik.


Trailer – Rosas Selvagens

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