RED – Aposentados e Perigosos

Nem tão lá no fundo, RED – Aposentados e Perigosos tem uma pontinha do clássico de faroeste  Os Imperdoáveis, não só pela trama, da saída da aposentadoria (e da presença de Freeman), mas sim por dar uma nova oportunidade para o gênero se reciclar e, red-postermais ainda, por não tratar essa “velhice” com um monte de piadas prontas, como fez o fraco Cowboys do Espaço.

O mais impressionante disso, é que essa adaptação da mini-série de Warren Ellis e Cully Hammer, seria terreno fértil para esse tipo de baboseira, já que, ao mesmo tempo em que é um filme de aventura competente, é uma comédia simpática e rasgada.

Nela, Bruce Willis é apresentado como um cara qualquer, aposentado em sua casa no subúrbio, cuidando de seu abacate com duas folhas, tentando se misturar aos vizinhos com uma decoração de Natal, recebendo seu contracheque e tendo como única companheira, a atendente de telemarketing da Previdência Social. Tudo isso é abalado por um grupo de mercenários que invade sua casa.

Na verdade, Willis é Frank Moses, um espião aposentado da CIA que, por alguma razão misteriosa entra nessa espécie de lista negra e passa a ser perseguido. Para ajudá-lo nessa empreitada em busca do porque de ter virado alvo, Moses acaba tendo que ir atrás de alguns de seus velhos companheiros de trabalho pelos Estados Unidos.

É nesse momento que RED ganha sua dinâmica, já que cada ex-operativo da CIA que se junta ao protagonista em fuga (em companhia  da operadora de telemarketing vivida por Mary-Louise Parker), é mais maluco que o outro, e o diretor Robert Schwentke (dos medianos Plano de Vôo e Te Amarei para Sempre) percebe isso perfeitamente, movendo sua trama através disso. Mais ainda, se precocupa em levar essa história sem deixá-la cair de ritmo um minuto sequer. Cada passo de Moses e seus companheiros é dado junto com uma trama que vai sendo criada aos poucos, nada de diálogos burocráticos mastigando reviravoltas e planos egocentricamente vilanescos, tudo surge para os protagonistas no mesmo ritmo que o público vai descobrindo.

Essa estrutura talvez só se equivoque um pouco por não conseguir segurar em suas mãos algumas motivações do lado da CIA, que aparece como vilã, mas, em nenhum momento, o faz com o peso suficiente, tornando-a um pouco sem propósito. Ainda mais quando a figura de Richard Dreyfuss dá as caras.

Por outro lado, diante desse mesmo problema, RED – Aposentados e Perigosos não parece se envergonhas de se sustentar sendo um filme muito mais preocupado em ser uma aventura bem-humorado e cheia de estilo, que compra seu espectador com um visual plástico, personagens interessantes, slow-motion e muito riso. Schwentke faz então um filme explosivo e alucinante, sem a mínima vergonha de rir de si mesmo, nem de criar nenhuma sequencia de ação com cara de revista em quadrinhos, ainda que conte com um visual exagerado e um humor meio cínico.

É impossível não dar risada do paranóico personagem de John Malkovich andando para os lugares com seu porco rosa, muito menos ainda quando ele dá conta de uma bazuca com um revolver. Isso tudo, sem ofender seu público, que, a essa hora já esta acostumado com toda essa loucura. Em um outro momento, dá ainda a Dreyfuss a oportunidade de satirizar a própria “vilanização” de seus personagens, tudo isso, acompanhado pelo olhar vidrado da personagem de Parker, empolgada por ter caído de para quedas em uma daquelas tramas de espionagem que tanto lia em seus livros de bolso. Resumindo, ou você entra na brincadeira e se diverte durante o tempo inteiro, o perde todo um passatempo bacana.

Mas quem faz mais isso tudo funcionar é seu elenco preciso que dá uma credibilidade enorme para toda trama e deixa toda situação meio cínica, justamente por não terem vergonha de fingirem estar fazendo algo totalmente sério e irretocável. Na ponta, Willis demonstra segurança suficiente para entender que é o protagonista, mas o show é dos que estão à sua volta, se fazendo então de líder frio e calculista enquanto deixa todos se divertirem com o que estão fazendo. Ao seu lado, Malkovich continua sensacional como sempre e mais maluco do que nunca, enquanto Mary Louise Parker, definitivamente, tráz sua experiência cômica da ótima serie Weeds, na qual protagoniza uma traficante de maconha mãe de família, para o cinema e acaba não ficando em nada atrás do resto do elenco.

No resto do grupo, Morgan Freeman dá as caras em um papel burocrático que funciona, mas não brilha muito e Brian Cox parece esforçado para dar vida ao ex-espião da KGB com muito menos espaço no filme que os outros. Mas o maior acerto do filme acaba ficando nas mãos de Helen Mirren, no papel da “executora” do grupo, uma escolha que acaba sendo até mais acertada que a primeira opção da produção, que poderia ser Meryl Streep. Não que a maior ganhadora de Oscars da história não fosse fazer bonito, mas Mirren, por um lado impagável, faz ser impossível não deixar o público olhar para aquela senhora de cabelos prateados, metralhando o carro do vice-presidente dos Estados Unidos e não enxergar o papel que lhe deu o Oscar em A Rainha.

Nesse mesmo momento, até se percebe uma preocupação excessiva da direção em não haver mortes, já que o grupo de aposentados está na beirada da lei, mas nunca passa para o outro lado, forçando até que o único assassinato frio fique para o vilão no final (o que o qualifica a ser executado). Mas isso acaba fazendo pouca diferença, já que o cinema pouco vai perceber e se divertir demais com essa reunião de “velhos” companheiros de trabalho que dão as caras para mostrar que uma boa aventura “mentirosa” e bem humorada, ainda pode fazer muito sucesso.


RED (EUA, 2010), escrito por Jon e Erich Hoeber, a partir da mini-série em quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hammer, dirigido por Robert Schwentke, com Bruce Willis, Mary-Louise Parker, John Malkovich, Helen Mirren, Karl Urban, Morgan Freeman, Brian Cox e Richard Dreyfuss


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2 Comments

  1. Te mandei um e-mail, você recebeu?
    no caso interessaria sim… fico no aguardo de uma resposta

  2. Vinicius, aqui é Marcel Plasse, criador da Set e etc. Edito o site Pipoca Moderna, em parceria com portal da MTV, e estou vasculhando a internet atrás de novos colaboradores. Não tem remuneração à princípio, mas pode ser uma grande vitrine para suas críticas. Se tiver interesse, mande um email (editor@pipocamoderna.com.br). abs

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