Semana passada o séquito de fãs de Neo, Morpheus e companhia foram pegos desprevenidos com a notícia de que a Warner estava em vias de fato de colocar um novo filme da franquia Matrix nos cinemas. O resultado: uma internet em polvorosa “xingando no Twitter” e enchendo o Facebook de textões.

Por um segundo as redes sociais deixaram de lado os “coxinhas” e “esquerdopatas” para se unirem diante de uma causa maior: Matrix. Passado alguns dias, Big Brother, Masterchef e umas carnes com papelão, o assunto esfriou e é hora de olharmos para ele com um pouco mais de frieza.

E a grande verdade é que esse hype de “MEU DEUS NÃO OUTRO MATRIX” em dois segundos de trailer deve se transformar magicamente em excitação e gritinhos histérico de prazer. Eu, por exemplo, que vi o primeiro Matrix bagunçar completamente minha cabeça dentro do cinema escuro (mais precisamente no Iporanga, em Santos, com meu primo) estou esperando ansioso para que mais um Matrix chegue ao mundo.

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Melhor ainda, seja do jeito que for. Um reboot, continuação, remake ou um spin-off. Primeiro de tudo, pois o mundo que as irmãs Wachowskis criaram é tão rico e cheio de possibilidades que tudo isso se encaixa sem nem ao menos resvalar ou ferir o original. Quem jogou os jogos de vídeo game ou viu a série de curtas Animatrix sabe o quanto ainda existem possibilidades a serem exploradas.

Muito provavelmente nem as Wachowskis e nem o produtor Joel Silver devam voltar ao filme (ainda que a ideia de uma sequência tenha nascido na Warner através de Silver), com o único nome envolvido até agora nele sendo o do roteirista Zak Penn, que logo de cara já declarou que o filme não será um reboot e nem uma continuação. Na sequências das fofocas, surgiu ainda o nome do astro Michal B. Jordan no elenco, o que levou as especulações a apontarem um prequel com a ação focada em um jovem Morpheus.

Porém, a grande verdade é que tudo isso funcionaria perfeitamente, só bastaria uma boa história. Lembrar o quanto certas opções estéticas e de efeitos especiais ficaram datadas e o quanto desde lá a tecnologia envolvendo captação de movimento de CGI evoluiu, só me deixa mais esperançoso por mais Matrix.

Mas existe um detalhe que vem me importunando desde o momento que a primeira notícia foi divulgada: Matrix já é um reboot e uma continuação, assim como sempre deixou as portas abertas para mais e mais histórias. Lembram daquela cena no segundo filme onde Neo discute “a vida o universo e tudo o mais” com o Arquiteto em uma sala cheia de telas? E o Merovíngio dando a entender que Neo não era o primeiro? E o final entre Oráculo e Arquiteto? Enfim, tudo leva a crer que aqueles três filmes são um fragmento mínimo de uma batalha que não acabou nem acabará. Então por que não explorar ainda mais isso?

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Recentemente duas franquias que tiveram início nos anos 70 ganharam continuações/spin-off/reboots que conquistaram os fãs e até foram apontados por muitos (inclusive eu) como melhores filmes dos anos em que foram lançados: Rogue One e Creed. Sem contar que o Despertar da Força só não é um remake, pois não joga isso na sua cara, assim como anos antes Star Trek reencontrou o sucesso nos cinemas quando se viu remodelada.

Sim, grandes franquias não morrem facilmente. O que mata as grandes franquias não são remakes, continuações ou spin-off, mas sim histórias ruins (vide O Exterminador do Futuro). Até histórias que não necessariamente precisariam ser contadas (como em Rogue One), quando são feitas de modo interessante só ajudam essas franquias a chegarem mais longe. E não tenha dúvidas, Matrix é um exemplo vivo de grande franquia.

“Vivo” ainda por cima, pois até hoje influencia o cinema atual de ficção científica. Do mesmo jeito que ainda não conseguiram fazer algo mais relevante em termos visuais e narrativos do que Matrix até hoje desde seu lançamento. E perceba que estamos chegando em duas décadas de seu lançamento em 1999. Sim, o filme das irmãs Wachowskis é o último fenômeno cultural (original) que o cinema viu, então nada mais coerente do que tentar explorar ainda mais esse mundo.

“Ahhh, mas as Warner só quer encher os bolsos de dinheiro”, sim, mas se essa motivação deles for o suficiente para dar vida a uma nova boa história dentro do universo de Matrix, eu vou ser o primeiro a ficar de pé e bater palmas para ela.

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