Quando Margot Encontra Margot | Premissa divertida não consegue manter o interesse


O que você faria se encontrasse sua versão do futuro, teoricamente mais velha e mais sábia, e ela começasse a lhe dar conselhos sobre o que fazer para acertar dessa vez na vida? Quando Margot Encontra Margot é um filme que explora essas possibilidades imaginárias sobre o nosso ser, mas se no começo abre-se um leque de para onde a história pode ir, isso aos poucos vai se fechando em torno de algo mais enxuto que volta para o lugar-comum dos romances franceses.

Esse “lugar-comum” diz respeito ao que uma mulher deve fazer para ser feliz. A jovem Margot (Agathe Bonitzer) está pulando de cama em cama, fazendo sexo casual com quem quer que encontre e ache bonitinho, ao mesmo tempo que desistindo de seu mestrado e de sua vida em Paris. Tudo muda quando ela encontra, vamos chamar assim… a madura Margot (Sandrine Kiberlain), que acaba de voltar do enterro da melhor amiga. Ela perdeu contato em algum lugar no passado e imaginamos que se arrependa, mas ela é uma pessoa, jovem ou velha, desajeitada demais para conseguir explicar seus sentimentos até para si mesma.

A premissa do filme de Sophie Fillières (que dirige e escreve) não é nova, mas é colocada de maneira tão natural e bem-humorada que não importa muito. Sua Margot é uma versão reduzida de ser humano, cujas características são deduzidas por suas ações. O cinema francês tem muito disso.

A narrativa é interessante apenas por essa premissa, o que gera uma ou duas piadas (há uma envolvendo Aurélie Dupont, que faz ela mesma, mas é mal explorada), e o interesse do espectador em saber como o filme acaba consegue arrastar a história sem problemas. Até o momento em que há um acidente na neve e o que se passa depois é tão sem sal que acaba diminuindo a empolgação do filme. E mesmo que depois se perceba a razão e seja por um bom motivo, não valeu a pena. É uma forma preguiçosa de resolver os conflitos que o roteiro criou.

O personagem de Melvil Poupaud, o trivial Marc, é o ponto de encontro das duas em um momento decisivo de suas vidas. Marc é um símbolo de uma escolha que não foi feita e que, assim como abandono da melhor amiga, acompanha Margot pela sua vida. Mas Marc não é um homem especial para elas assim como qualquer outro; o que importa mesmo é o que Margot deseja para sua vida. E essa questão vai sendo costurada com fios soltos demais para alguém que já sabe mais do seu futuro que qualquer pessoa jamais sonharia.


“La Belle et la Belle” (Fra, 2018), escrito e dirigido por Sophie Fillières, com Sandrine Kiberlain, Agathe Bonitzer, Melvil Poupaud.


Trailer do Filme – Quando Margot Encontra Margot

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