Se depois da terceira vez que Ponto de Vista voltar ao meio dia você ainda estiver com paciência para todas outras suas voltas, talvez assim, você aproveite um filme diferente. Que conta uma história comum, mas de um modo criativo, porém que, no final das contas, justamente, embola o que era para ser tão simples.

Como se logo de começo, de dentro da ilha de edição que cobre o discurso pacifista do presidente norte americano em Salamanca, um tiro, seguido de uma explosão coloquem um fim em tudo e resuma o que o filme que passar, já que, diante de uma parede de monitores, a diretora, vivida por Sigourney Weaver, escolhe que imagem irá para o ar. Com cada uma mostrando um lado de uma mesma imagem, uma ação sempre rodeada de vários olhos, e cada olhar com sua verdade.

Se o diretor Pete Travis e o roteirista Barry Levy tivessem se preocupado um pouco mais com esse lado tridimensional que a história poderia ter, talvez Ponto de Vista fosse um pouco menos chato e repetitivo. Assim como menos pessoas xingariam cada uma das, cansaveis, sete vezes que o efeito de rewind toma a tela para voltar para aquele fatídico meio dia. De um modo preguiçoso, o filme vai fazendo suspense somente com essas voltas no tempo, que sempre param no futuro em um momento chave que só vai ser deslumbrado a partir do ponto de vista de outro personagem.

A verdade é que nenhum chega a ter um pontos de vista de verdade e graças a isso a hisória se torna muito menos interessante ainda. Nunca a visão de uma pessoa não é aquilo que parece, mas sim apenas uma fragmento da história e, como um lado de um cubo, você não precisa ver o outro lado dele para, pelo menos, imaginar como ele é.

Ao fim do filme, uma impressão de falta de surpresa toma conta de tudo, como um “coelho tirado da cartola” que, com certeza, fará a maioria do público torcer o nariz e não o deixá-lo ser aproveitado, mesmo se apresentando coeso e sem muita firula. Pelo menos com isso, passando em um piscar de olhos, no entanto, chateando muito mais do que divertindo.


Vantage Point (EUA, 2007) escrito por Barry Levy, dirigido por Pete Travis, com Dennis Quaid, Matthew Fox, Forest Whitaker, Sigourney Weaver, Willian Hurt, Eduardo Noriega


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2 Respostas

  1. Vinicius Carlos Vieira

    Então Mariene, acho realmente que 90% (ou mais) do filmes servem como instrumento didático, seja ele bom ou ruim. Na verdade toda crítica é, na verdade, um momento em que o crítico analisa uma porção de fatores (entre eles técnicos, ideológicos etc.), assim como você deve ter feito com seus alunos. Parabéns por você estar usando o cinema como instrumento dentro da sala de aula.

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  2. mariene natal

    Sou professora de história e posso afirmar que o filme é um instrumento didático excelente! O fato, a comunicação, a ideologia, a história, podem ser estudados e debatidos de forma muito atrativa. Prende a atenção de mais de 40 jovens, a cada minuto de projeção. “Nunca a visão de uma pessoa não é aquilo que parece”? Desculpe-me, sr Vinicius, está enganado. É preciso assistir ao filme com outros olhos.

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