Polar | Muita ação… talvez isso baste

Polar Filme

O que não falta na mitologia do cinema são assassinos profissionais em vinganças pessoais. Polar, novo filme da Netflix, e baseado em um quadrinho da Dark Horse, é apenas mais um desses exemplos.

A novidade aqui fica por conta de uma ideia que deixou de ser novidade alguns anos atrás com John Wick e uma estrutura espalhafatosa que comanda e coordena esses assassinatos. No caso de Polar, uma empresa chamada Damocles que, em um momento de epifania capitalista, resolve aplicar sua própria reforma da previdência eliminando seus funcionários que estão prestes a se aposentar e ficando com o dinheiro deles.

O próximo nome dessa lista é então o “Black Kaiser” (Mads Mikkelsen), que pretende curtir seus dias de aposentado em uma cabana calma em um lago em Montana. É lógico que sua calmaria vai ser atrapalhada por um “último trabalho” e por ainda, por um grupo de assassinos que querem mata-lo.

O filme é dirigido por Jonas Åkerlund, ele próprio um clichê do cinema: Diretor sueco esquisitão que ficou famoso por assinar o clipe de gente famosa como Beyonce, Ramstein, Madona e Coldplay, mas que, de uns tempos para cá, resolveu entrar no cinema. “Polar” é então seu quarto longa, mas os resquícios de sua carreira “videoclípica” estão bem longe de sumirem.

Åkerlund faz então um filme visualmente rebuscado, exagerado e violento, mas esquece completamente de fazer isso ser minimamente interessante perto do fio de história que têm em mãos. Sua câmera busca bundas em fio dental como se estivesse em um clipe, acha engraçado uma ereção em um morto e faz questão de mostrar cada pingo de sangue em uma sessão de tortura, mas nada disso parece condizer com as necessidades dessa história. Tudo parece apenas o chamariz para manter um público específico ligado na tela sem perceber que não está acontecendo nada de interessante.

O roteiro escrito por Jason Rothwell, pelo menos, percebe o pouco de história que tem em mãos e resolve seus conflitos sempre de um jeito objetivo e ágil. Portanto, Polar anda rápido, ainda que não vá para lugar nenhum. Até porque, Rothwell e Åkerlund sabem que o que todos espectadores querem mesmo é o exagero, mesmo vazio.

Tudo em Polar então parece saído de uma versão exagerada do divertido A Última Cartada (de Joe Carnaham), onde todos assassinos tem uma assinatura visual espalhafatoso. Mais ainda, essa referência é vinda diretamente dos quadrinhos em geral, onde cores, trações e proporções permitem que artistas “rebusquem” seus personagens e características. Por um tempo, isso agrada em “Polar”, mas logo acaba entediando.

Os nomes dos personagens pulam na tela, o grande chefe da organização, Blut (Matt Lucas) é uma caricatura viva, sua assistente, Vivian (Katherine Winnick) se veste combinando com a capinha do celular, seu assassinos se vestem como se seus guarda-roupas tivessem sido escolhido por um chapado de LSD montando personagens em um vídeo-game. Enquanto isso, do “lado de lá”, Duncan “Black Kaizer” Vizla é esse brucutu calado que não consegue dormir por ter matado uma família, pelo menos é isso que parece com uns flashs que o assombram.

Mas nada disso importa quando eles começam a se enfrentar e soltar frases de efeito que não fazem muito sentido e nem foram escritas com muita criatividade. E talvez seja isso que seus espectadores esperam, a ação desenfreada que os faz esquecer do resto.

Na maioria dos momentos a ação funciona, principalmente com muitos tiros e sangue digitalmente gerado por computador (que é muito mais barato!). E quanto mais o “Black Kaizer” anda em frente acabando com os bandidos, mais você sente que, realmente, todo o resto não importava para nada.

Curiosamente, no meio de toda essa bagunça a ex-High School Musical, Vanessa Hudgens faz um baita esforço para criar uma personagem assustada e frágil, ao mesmo tempo em que separa para o final uma surpresa interessante e que mostra que um segundo Polar talvez fosse um filme com muito mais coração ao invés de ser refém apenas do visual, como esse primeiro.


“Polar” (Ale/EUA, 2019), escrito por Jayson Rothwell, à partir da HQ de Víctor Santos, dirigido por Jonas Åkerlund, com Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick, Fei Ren, Ruby O. Fee, Matt Lucas, Anthony Grant e Josh Cruddas.


Trailer do Filme – Polar

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