É preciso celebrar uma franquia que nasceu da atração de um parque de diversões, patinou por três filmes e ainda encontrou uma inspiração mínima para, num quinto filme, criar algo minimamente interessante. Isso mesmo, não que Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar seja algo tão interessante quanto o primeiro, mas acerta o suficiente para permitir que a franquia respire. Na verdade, respire bem.

O filme é dirigido por dois noruegueses que você não deve ter ouvido falar a não ser que tenha lido os créditos do faroeste “Bandidas”, mas o que vem ao caso é que Jaochim Ronning e Espen Sandberg não tentam seguir os passos de Gore Verbinski (dos três primeiros) e muito menos a incapacidade de encontrar um tom que afugentou Rob Marshall no último. A Vingança de Salazer é simples em todos aspectos, começando pela sua direção.

Na trama, na esperança de salvar o pai, Will Turner (Orlando Bloom), da maldição de ser o capitão do Holandês Voador, Henry Turner (Brenton Thwaites) parte em busca de um tal de tridente de Poseidon. Mas isso não importa muito, já que é só uma desculpa para ele cruzar o caminho do tal Capitão Salazar do título (Javier Barden), agora um fantasma com sua tripulação de fantasmas e com o único objeto de matar Jack Sparrow (Johnny Depp… como se você não soubesse).

Em algum lugar nesse meio surge a cientista Carina Smyth (Kaya Scodlario), que está preste a ser enforcada por ser feiticeira. Ela está em busca do mesmo tridente por alguma razão que você não entenderá direito, mas o que importa é que ela está lá para ser a única personagem minimamente inteligente do filme inteiro.

Mas é isso que todos procuram: piratas não muito inteligentes rumando em linha reta em algum tipo de corrida para ver que chega mais rápido em algum lugar que não interessa muito. E isso é suficiente desde que Sparrow pareça estar bêbado durante todo o tempo e os diretores consigam criar um punhado de cenas de ação minimamente interessantes.

Por um lado, a dupla falha como na introdução de Jack Sparrow na trama, mas no resto do tempo, tudo corre como o esperado. O próprio resgate do pirata, momentos após o fracasso, redime o trabalho dos diretores e mostra o quanto são capazes de aproveitar o visual sempre interessante, surpreender, divertir e valer o preço do ingresso.

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar Crítica

 

A trama em um segundo momento se perde enquanto conversa demais e tenta criar motivações que façam sentido para todo monte de personagens que rumam para um mesmo destino (o sempre interessante Capitão Barabossa de Geoffrey Rush também está por lá, e mesmo que sofra com o desfecho preguiçoso dos roteiristas, é sempre bom ver Rush trabalhando). Mas ainda assim, por ter tudo no lugar, personagens interessantes e um visual divertido, essa enrolação nem por um segundo atrapalha quem for fã dos bucaneiros da série.

E falando em piratas (OK, na verdade, caçadores de piratas), Bardem acaba sendo uma ótima opção, ainda mais quando consegue se soltar em uma latinidade exagerada e que combina com o personagem, só não sendo mais interessante graças aos efeitos especiais e uma ideia que poderia ser boa à primeira vista, mas aos poucos deixa tudo meio confuso. Tanto ele quantos sua tripulação são fantasmas com partes faltando e que parecem ainda estar debaixo d´água, o que resulta em um conceito interessante, mas também em um certa confusão visual e na quase incapacidade de identificarmos qualquer personagem que o rodeia.

Depp, funciona melhor que no filme anterior, já que volta a uma certa “coadjuvância” e deixa bastante espaço para que todos a sua volta tenham seus momentos. Uma opção que, com certeza ajuda ao filme funcionar melhor, mas nem por isso permite que não fique claro e óbvio o quanto o personagem está desgastado, repetitivo e até melancólico. Assim como demonstra como Depp não parece preocupado em fazer absolutamente nada para mudar isso, se deixando levar por uma mesmice que não percebe o quanto Sparrow deixou de ser uma novidade e agora parece ser apenas uma copia mal feita de si mesmo.

Mas de qualquer jeito, se não fosse por uma cena pós-crédito que abre a possibilidade para mais alguns filmes da franquia, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar seria um fim honrado para uma franquia que perdeu a força a cada filme que era lançado. E ainda que o resultado nas bilheterias de todos filmes conflitem com isso (todos números são ótimos), a grande verdade é que era necessário chegar mais perto do primeiro filme, e talvez A Vingança de Salazar consiga fazer isso com propriedade e diversão.


“Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales” (EUA, 2017), escrito por Jeff Nathanson e Terry Rossio, dirigido por Joachim Ronning e Espen Sandberg, com Johnny Depp, Javier Bardem, Geoffrey Rush, Brenton Thwaites, Kaya Scodelario, Kevin McNally e Orlando Bloom


Trailer – Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar

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