Os Estranhos: Caçada Noturna | Por que fazer?

Os Estranhos: Caçada Noturna Filme

Existe um momento em Os Estranhos: Caçada Noturna em que um dos assassinos mascarados do primeiro filme está prestes a tomar um tiro de escopeta no peito e responde a pergunta “por que está fazendo tudo isso”, a resposta dele é simples e vem com outra pergunta: “Por que não fazer?”

E isso foi um spoiler. E porque eu estaria dando um spoiler no primeiro parágrafo? E te respondo: Por que não dar? E mais, por que esse filme foi produzido? O que nos leva a questão: Por que não produzi-lo?

Muito provavelmente eu devo até ter errado o uso dos “porquês”, com seus acentos e separações, do mesmo jeito que todas produtoras envolvidas erram em bancar essa continuação e o diretor errou na maioria do tempo que ficou tentando filmar esse roteiro, que é um erro maior ainda.

É muito erro para pouco filme. Nele, o trio de mascarados do primeiro filme (esse sim é incrível!) ataca, logo de cara, um casal de velhinhos que moram em um condomínio de trailers em algum lugar dos Estados Unidos repleto de eleitores do Trump. Mas lógico, como um bom filme de terror, esse começo é só para lembrar você de onde você está (além de fazer o favor de desgastar a imagem tão legal dos três assassinos… mas “por que não estragar?”).

O filme passa então a acompanhar essa família que vai visitar os tios, donos de um condomínio de trailer (adivinhem quem eles são). Não procure razão aparente, somente um carro lotado de malas e com o porta mala cheio de bagagens (se é que você me entende). O pai e a mãe insípidos, inodoros e incolores, o filho um chato atleta todo certinho e a filha revoltada, que veste uma camiseta do Ramones nova demais para já ter sido usada, uma camisa de flanela xadrez amarrada na cintura e fuma com o dedo esticado só para agredir todos ao seu redor. Enfim, um clichê ambulante.

Mas como vocês bem sabem, você (amante de terror), vai ter que aguentar esses dois chatinhos lutando por suas vidas. Portanto, boa sorte.

E os problemas de Os Estranhos: Caçada Noturna, é que o diretor Johannes Roberts parece estar tentando fazer um filme que refaz o caminho do primeiro, mas só por teimosia e chatice. O ambiente é muito diferente, os ataques são menos interessantes e os personagens aparentam muito mais estarem em um filme de terror (o grande sacada do primeiro é tudo parecer estar acontecendo com pessoas “normais”). E ainda que esse segundo filme cite “baseado em fatos reais”, tudo ali é tão tirado de algum outro lugar que é preciso ter muita boa vontade para acreditar que a vida imitou tanto a arte.

Os Estranhos: Caçada Noturna Crítica

E ainda que câmera de Roberts pareça até começar bem e precisa, se aproximando da ação como se estivesse em um filme dos anos 80 (o que com a música preferida dos “estranhos” compõe uma personalidade interessante), aos poucos vai perdendo esse vigor e se tornando apenas uma repetição barata de um monte de outras sequências esquecidas do gênero. Bem mais lá para frente ele até acerta no visual de uma sequência em uma piscina, mergulhando e voltando à tona e fazendo os fãs lembrarem do já clássica cena de Deixe Ela Entrar (e do remake).

E mesmo que no final ele referencie O Massacre da Serra Elétrica, todo o resto é tão comum que beira o esquecível. Uma cidade no meio de lugar nenhum (vazia depois do “Labor Day”), uma casa no meio do nada, um garota esquisitinha tocando sua campainha no meio da noite, um monte de gente fugindo para o meio de florestas ao invés de entrar no carro e ir embora e, ainda por cima, três assassinos infalíveis demais para um local tão descampado. O que joga qualquer verossimilhança na privada e dá a descarga.

Eles simplesmente sabem onde estar em todo e qualquer momento do filme. Certa hora um dos personagens chega ao exagero de correr por algumas quadras cheias de trailers iguais e entrar em um qualquer, justamente aquele em que um dos assassinos do trio mascarado está esperando no quarto.

Talvez tudo isso pudesse ser deixado de lado com algum gore, mas nem isso acontece. O que se vê em Estranhos: Caçada Noturna é apenas um monte de golpes “off screen” que resultam sempre em um fio de sangue escorrendo pela boca. O que deixa claro o quanto o filme não deve ter tido dinheiro para “aumentar a ideia”.

Enquanto o primeiro Estranhos deve ter custado uma ninharia e rendeu oitos vezes seu custo, esse segundo parece sofrer com pressão por ser algo baratinho que estourasse a boca do balão, algo que talvez impeça que um filme mais bem produzido seja entregue ao público. Ainda mais diante do primeiro, que realmente se tornou um pequeno clássico dentro do gênero.

Mas o resultado é bem diferente disso. Estranhos: Caçada Noturna é um filme chato, desinteressante, previsível e que poderia ter sido deixado de lado e esquecido, “mas por que não fazer uma sequência de um filme tão interessante e ganhar mais umas pilhas de dólares?”, simples, porque o resultado poderia ser esse e fazer com que todos envolvidos morram de vergonha. Como deve ter acontecido.


“The Strangers: Prey at Night” (RU/EUA, 2017), escrito por Bem Ketai, dirigido por Johannes Roberts, com Bailee Madison, Christina Hendricks, Martin Henderson, Lewis Pullman, Emma Bellomy, Damian Maffei e Lea Enslin.


Trailer – Os Estranhos: Caçada Noturna

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