Operação Overlord | Não é um terror!

Operação Overlord Filme

Operação Overlord era para ser um filme de terror. Daqueles que te carregam para um lado e quando você menos percebe te jogam em uma espiral de qualquer tipo de maluquice cheia de gore. Mas não se enganem, Operação Overlord não é um filme de terror.

Até certo ponto, é preciso dizer, ele é até um interessante filme sobre o Dia D -1, aquele momento importante da história da Segunda Guerra Mundial onde um monte de paraquedistas se jogou por trás das linhas inimigas para preparar o terreno para a invasão pela Normandia. Mas tudo isso tem um resultado que não agrada nenhum dos lados, nem o do “filme de guerra”, nem o do terror.

O filme acompanha o inexperiente, Boyd (Jovan Adepo, que esteva em Um Limite Entre Nós) e mais quatro sobreviventes da queda de seus aviões, entre eles, o experiente Ford (Wyatt Russel de Jovens, Loucos e Mais Rebeldes). Sim, dois dos exemplos máximos de clichês do gênero, assim como todos outros personagens em cena.

A missão deles é derrubar uma torre em uma cidadezinha qualquer, onde encontram Chloe (Mathilde Olivier) e acabam dando de cara com uma operação esquisita bem debaixo da tal torre que precisam destruir. O problema é que, até isso tudo começar, mais da metade do filme já se esvaiu em um caminho entediante.

A direção de Julius Avery até funciona na maioria do tempo. Em seu segundo longa, consegue sempre resultados eficientes nas composições e faz Operação Overlord ser um filme claro, mesmo quase todo ele passado no meio de uma madrugada. Não por iluminação, mas sim por saber se posicionar diante da ação. Avery até se diverte em um plano sem cortes que sai de dentro do avião com Boyd e chega até o chão, na verdade um lago.

Do mesmo jeito, Avery também consegue valorizar o visual daquilo que o roteiro acha ser o suficiente para Overlord ser um terror. As criaturas são realmente esquisitas, nojentas e violentas, servindo bem como antagonistas desses soldados. Isso também é graças ao trabalho eficiente do design de produção Jon Henson (que, aparentemente, não tem nada a ver com Jim e suas marionetes), que recria o clima de Segunda Guerra de modo eficiente e faz um ótimo trabalho na hora de permitir que o filme mergulhe nesse laboratório esquisitão e nessas criaturas meio disformes.

Operação Overlord Crítica

O problema é que o roteiro de Billy Ray e Mark L. Smith acham realmente que isso tudo basta para que Operação Overlord seja um terror. Não é.

Um terror tem algo a ver com clima, com personagens tendo que enfrentar um problema maior do que eles, seja no campo da racionalidade ou no do extraordinário. Os monstros estão lá, mas surgem mais como capangas descartáveis de um jogo de tiro em primeira pessoa. Não existe o susto da presença, nem aquela força te empurrando para dentro da poltrona. O inexplicável se torna apenas alcatrão, não as portas do inferno, zumbis ou alguma magia pagã, apenas uma carga de um tipo de anfetamina que faz os ossos de alguns deles pularem para fora e dá super-força para alguns outros.

No final das contas, Operação Overlord acaba se sentindo mais confortável não com as sombras do gênero, mas sim com as pessoas sendo arremessadas e a porradaria comendo solta, típicos de um filme de aventura onde o embate final entre mocinho e vilão mais poderia ser entre “super-mocinho” e “super-vilão”.

Operação Overlord não tem alma, poderia até tomar o caminho de filmes como O Albergue e Abismo do Medo (e até o mais desconhecido Cães da Caça, do mesmo Neil Marshall do último), que carregam seu espectador para uma trama diferente até enfiar todos em um terrorzão, mas prefere se deixar levar por uma aventurazinha que estraga o “filme de guerra” e não deixa ninguém se divertir com um possível terror.

Era para ser um terror, mas fica em um meio termo chato e entediante, se tornando apenas um desperdício de uma ótima ideia.


“Overlord” (EUA, 2018), escrito por Billy Ray e Mark L. Smith, dirigido por Julius Avery, com Jovan Adepo, Wyatt Russel, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk, John Magaro, Iain de Caestecker, Jacob Anderson e Dominic Applewhite.


Trailer do Filme – Operação Overlord

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