Operação Fronteira | Poderia ser um Onze Homens e um Segredo com menos charme e mais tiros… mas não é


Será que um filme com nove anos de produção tem fôlego para resultar em algo minimamente interessante? Talvez não, e Operação Fronteira deve ser um exemplo bem claro do quanto o tempo pode ir destruindo uma produção.

Operação Fronteira nasceu como “um filma na tríplice fronteira com Kathyrn Bigelow na direção e Mark Boal no roteiro”, ambos ganhador do Oscar por Guerra ao Terror. Não se sabia nada sobre o filme, apenas que envolvia traficantes da América do Sul e soldados. A ideia era rechear o filme com um elenco gigante. Mas o tempo passou… depois passou mais um pouco.

Corta para 2017 e a Paramount resolvendo fazer o filme de qualquer jeito, agora com a participação da Netflix. Mark Boal continua no texto, mas recebe a ajuda do diretor J.C. Chandor, dos ótimos O Ano Mais Violento, Margin Call e Até o Fim. O elenco agora é formado por cinco estrelas: Ben Affleck e Oscar Isaac do primeiro escalão e Charlie Hunnam (Sons of Anarchy), Garrett Hedlund (Mudbound) e Pedro Pascal (Narcos) para fechar o que ainda pode ser considerado um elenco de estrelas. Bigelow aparece somente como produtora.

Mas talvez esse monte de tempo tenha feito muito mal para Operação Fronteira, já que nada parece funcionar direito e tudo se arrasta em uma história comum demais e sem emoção. Falta personalidade e uma vontade maior de ser… maior.

Nele, Isaac é Santiago “Pope”, um soldado, aparentemente americano, em uma missão ajudando a polícia/exército de algum lugar na tríplice fronteira entre Venezuela, Brasil e Peru em busca de um chefão do tráfico. O último passo dessa operação acaba sendo uma ação de reconhecimento no meio de uma floresta (que pode ou não ser brasileira), para isso, chama seus antigos parceiros de “operações especiais”.

Sem dar muitos detalhes do passado do grupo, apenas que “negociavam com governos e outros tipos de pessoas”, Operação Fronteira é então sobre esse grupo descobrindo a possibilidade de roubar esse traficante em algumas centenas de milhões e fugir de volta para os Estados Unidos. Portanto, quase um Onze Homens e um Segredo com menos charme e mais tiros.

Isso parece promissor, mas não é. Ainda mais quando a ação não tem muitas surpresas, acontece rápido e, quando você menos espera, está dando de cara com um filme sobre uma fuga desesperada pelo meio dos Andes com um monte de malas repletas de dólares. E é só isso mesmo, mais nada. Meio chato até.

Por mais que todos os personagens tenham lá suas personalidades muito bem organizadas e até um pouco de interesse, como nada acontece, fica difícil acompanhar essa andança toda sem pensar no quanto aquilo tudo poderia ser um filme muito melhor. Por um segundo o roteiro de Boal esbarra na ideia do “guerreiro sem guerra”, mas logo isso é esquecido, assim como a ganância deles, que poderia ser uma motivação para qualquer tipo de desentendimento, simplesmente não acontece. Tudo é ensaiado, mas nada surge desse marasmo.

Falta algo que pareça impedi-los de chegar a seu destino, ou até simplesmente um vilão. Sim, Operação Fronteira não tem vilão, nem conflito, fica apenas esperando por um momento à lá Pagamento Final, onde o tiro não vem da verdadeira ameaça, mas sim da vingança pessoal. Mas isso não é uma surpresa interessante o bastante para carregar o filme para seu final. O acontecimento afeta pouco o grupo de protagonistas e só atrapalha por resultar em mais um corpo a ser carregado.

Talvez eu esteja exagerando, afeta, já que a direção de Chandor, que vinha tentando criar um filme visualmente interessante tropeça a cai de cara no chão enquanto olha através da mira de uma metralhadora e não consegue perceber o quanto isso é brega e preguiçoso. Chandor até acerta em um plano sem cortes durante o assalto e com um acidente de helicóptero visualmente interessante, mas vai ser mesmo lembrado por fazer pouco, mesmo com tudo em mãos para fazer muito.

E talvez esse seja o maior problema de Operação Fronteira, de Bigelow até Chandor, passando por todo elenco e pelo roteirista Mark Boal, todos já fizeram trabalhos muito melhores em suas carreiras, com menos dinheiro e muito mais ideias. Juntos, com toda expectativa, fazer tão pouco seria impensável, mas acreditem, é possível e está ao alcance de seu controle remoto.


“Triple Frontier” (EUA, 2019), Escrito por Mark Boal e J.C. Chandor, dirigido por J.C. Chandor, com Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Garret Hedlund e Pedro Pascal


Trailer do Filme – Operação Fronteiro

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