Olhando para as Estrelas é um filme fofinho que não parece enxergar dificuldades, apenas facilidades. Com isso ele perde um potencial drama da vida real, ou o troca pela visão de um mundo de sonhos, onde tudo é possível. Mas se tudo é possível tão “fácil” assim, qual a graça da conquista?

O documentário possui várias virtudes narrativas que encantam desde o começo. Na primeira tomada vemos luzes fora de foco, símbolo do palco, para logo depois vermos as estrelas entrando em cena: dançarinas de balé. Depois aprendemos que elas são cegas. Ou seja, não conseguem ver nem as luzes, e muito menos as estrelas no céu. Isso não impede que a postura dessas meninas durante as aulas de dança, como ensina a professora, seja sempre olhando para o alto.

A história começa prometendo. Vemos a rotina de Geyza Pereira, a mais talentosa do grupo. Geyza pratica há 17 anos. Ela acorda cedo, pega ônibus, toma café na padaria e vai pro salão. Ela não nasceu cega. Foi vítima de um fungo no cérebro. Curiosamente, foi após descobrir o balé que ela se encontrou, e virou outra pessoa.

Ela e Thalia Macedo são colegas de dança. Thalia sofre um pouco com o preconceito das crianças na escola. Além de não enxergar ela usa olhos postiços. Mas ao mesmo tempo ela é boa de escrever. Usa o computador fluentemente. Antes era uma máquina que imprimia em braile, para a surpresa de sua mãe, que não sabia que seria possível para a filha, cega desde os dois anos, a capacidade de aprender a ler.

Olhando Para as Estrelas Crítica

Este filme é muito sobre capacidade. Ele ensina o que os não-acomodados já sabem por instinto: que não há muitos limites para quem quer realmente algo na vida. Essas duas meninas não parecem acomodadas. Parecem campeãs, desde o primeiro momento que a vemos.

Por isso a história delas não tem a ver com conquista ou desafio. Elas já possuem a conquista em seu DNA, e desafios são apenas um dia comum. Elas gostariam de ser independentes, mas nem sempre as calçadas possuem aviso de travessia.

A direção de Alexandre Peralta entrega no começo um filme promissor que lentamente mostra que não sabe direito o que mostrar, senão a cartilha burocrática sobre a vida dos cegos. O mais impressionante mesmo são as lições de balé, que se baseiam no toque e na repetição. As garotas possuem pessoas bondosas e dedicadas em volta, como uma professora, um coreógrafo e dançarinos. Esta é a única instituição voltada para o ensino de balé para cegos no mundo. Isso não impressiona, mas faz pensar:

O quão mais longe cada ser humano consegue ir, dada a oportunidade certa?


“Olhando para as Estrelas” (Bra/EUA, 2016), escrito por Melissa Rebelo Kerezsi, Alexandre Peralta, dirigido por Alexandre Peralta, com Geyza Pereira, Fernanda C. Bianchini Saad, Thalia Macedo, Cesar Albuquerque, Sandra Macedo


Trailer – Olhando Para As Estrelas

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