O Último Mestre do Ar

The Last Airbender (EUA, 2010) escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, com Noah Ringer, Dev Patel, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Shaun Toub e Cliff Curtis

 por Vinicius Carlos Vieira

Desde o começo de sua produção, “O Último Mestre do Ar” já nasceu repleto de expectativas, não só por ser a adaptação em carne, osso e pixels da animação de sucesso do canal à cabo Nickelodeon (que recebe o título de “Avatar”, mas que, por razões óbvias perdeu-o nos cinemas), como por ser mais uma tentativa de volta por cima do cineasta indiano, radicado nos Estados Unidos, M. Night Shyamalan. Para sorte dos fãs, uma das expectativas é cumprida, para infelicidade do cineasta, ainda não foi a vez dele.

O filme conta a história de um mundo desconhecido, dividido entre quatro nações, cada uma ligada a um elemento e para equilibrar toda essa equação uma única figura, o Avatar, só que essa pessoa sumiu há um século e é nesse período que a Nação do Fogo começa a sua investida para a dominação dos outros povos. A história tem início justamente quando um casal de irmãos acabam descobrindo o tal Avatar, congelado, podendo assim dar início a uma espécie de resistência contra a Nação do Fogo.

Esse seja talvez o grande acerto de Shyamalan, um esforço para respeitar a história da animação, por mais fantástica que ela seja, criando um visual caprichado que enche os olhos e um ritmo de primeiro capítulo, de apresentações, onde todas peças são colocadas nos tabuleiros para um jogo posterior (esse que dependerá do resultado nas bilheterias). E ainda que o roteiro do próprio diretor peque em um falta de ritmo e até de uma falta de prepotência, acaba resultando em um passatempo que agradará aos fãs e fará muita gente sair satisfeita do cinema.

Só não fará o trabalho completo por parecer ter medo de criar um épico dramático, conseguindo apenas fazer um filme de aventura infanto-juvenil que diverte, mas não empolga. Principalmente por não conseguir equilibrar seus personagens com a própria trama, deixando pouco a vontade diante de suas conclusões, já que nenhum deles é desenvolvido o suficiente para que, quem esteja do lado de cá da tela, se identifique. Um melodrama exagerado onde tudo tem seu destino, suas batalhas finais e suas reviravoltas, sem precisar tomar muitas decisões para chegar àquele ponto.

E talvez seja exatamente essa pressa narrativa que não deixa Shyamalan voltar a ser, se não aquele cara que “via gente morta”, pelo menos o mesmo cineasta de “Corpo Fechado”. Aqui, nada parece ter seu peso, o tal Avatar, embora citado antes de sua aparição, pouco parece fazer sombra a sua importância, exatamente como a chamada Nação do Fogo, que faz pouquíssimo para ser encarada como o império vilanesco a lá Sauron e seu amigos que lhe é pintado. Além disso, acaba praticamente esquecendo de usar a dupla de irmãos, tornando-os descartáveis, sem uma dinâmica que talvez pudesse até dar ao filme um lado engraçado que é lembrado em apenas um momento, envolvendo os poderes da irmã, mas que é ignorado em sua totalidade, acabando por se levar a sério demais.

Diante disso, resta ao filme apenas  se mover através de algumas sequencias de ação, que acabam se repetindo diante de uma armadilha do próprio roteiro, que decide fazer um filme de artes marciais e que não tem absolutamente nenhum lugar, a ir a não ser combinar essas lutas com os poderes de cada nação. Portanto, mesmo com esforço visual de Shyamalan, com planos longos e slow motions que enchem os olhos e satisfazem no visual, o que sobra é sempre um dos personagens “dominando” um dos elementos e atirando-o na direção do inimigo, o que talvez pudesse ser substituído por sequencias mais empolgantes, uma ou outra fuga ou até algum perigo que não seja um batalhão de soldados da Nação do Fogo.

Por fim, “O Último Mestre do Ar”, mesmo inevitável em sua estrutura, tem lá suas bolas dentro, principalmente no visual, nas caracterizações dos personagens e em suas sequencias de batalhas e não chateia tanto assim, mesmo com um Shyamalan bem longe daquela promessa, mas que nem parece (como em seu “O Fim dos Tempos”) se esforçar para fazer isso. Quem sabe ainda não seja essa a hora de seu nome voltar aos topos, mesmo que o cinema já tenha dado mais de uma chance a ele para isso acontecer e talvez fique para a próxima.

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