O Sétimo Filho

O Sétimo Filho

Hollywood continua desesperada por encontrar sua nova franquia de fantasia saída de alguma série de livros. O Sétimo Filho é a bola da vez, assim como Eragorn já a foi. E ambos serão esquecidos comoO Sétimo Filho Poster As Crônica de Spiderwick e A Bússola de Ouro foram (sem contar Nárnia e suas crônicas).

Cada um desses será (ou foram) esquecidos por alguma razão, talvez erros dos realizadores, ou custos exorbitantes demais que não contavam com bilheterias menos enormes, mas O Sétimo Filho será deixado de lado nas memórias de todos, por que não tem absolutamente nada de novo ou interessante para contar.

Nesse mundo medieval como tantos outros e que jogadores de RPG estão cansados de habitar, Gregori (Jeff Bridges) é um “caça-feitiço”, uma espécie de “caça-fantasmas” que fica perambulando pelas pequenas cidades e sempre que houve um sino bater em uma delas, sai correndo para enfrentar algum tipo de demônio, mostro ou ex-namorada (e sim, isso foi um spoiler). Em meio a isso, o velho guerreiro descobre que uma antiga e poderosa bruxa, Mãe Merkin (Julianne Moore), está de volta, e para ajudá-lo a enfrentá-la é obrigado a buscar um novo aprendiz, Tom Ward (Ben Barnes, que já viu uma franquia naufragar enquanto era o próprio Príncepe Caspian).

Ward então é quem dá o nome ao filme, já que ele é o sétimo filho de um sétimo filho, e isso, aparentemente lhe dá “super alguma coisa” (já que não fica muito claro durante o filme inteiro). Também não fica claro se todos aprendizes e mestres caça-feitiço vêm desse tipo de linhagem extensa. Mas isso pouco importa, pois no meio do caminho tem ainda um pedra, uma espécie de talismã que lhe dá essa força necessária.

O Sétimo Filho Crítica

Esperar mais do que isso da história é pura presunção. Já que, não só apoiado na Jornada do Heróis de Joseph Campbell como se não tivesse mais nada onde se escorar, O Sétimo Filho chega a ser sonolento e desinteressante diante da ausência total de qualquer tipo de surpresa que possa vir a existir dentro do gênero. E mesmo que isso seja algo complicado, todos outros livros/filmes citados no primeiro parágrafo pelo menos tentaram.

Pelo menos sobra aqui um aparente esforço estético (aqui leia-se “digital”) de criar esse mundo simpático e que, ainda que “certinho demais”, tem uma grandeza que combina com a batelada de efeitos especiais (aqui também leia-se “digital”) que dão estopo para uma ou outra cena de ação mais interessante. O Sétimo Filho pelo menos mostra na tela todo dinheiro gasto com as horas e horas de computador.

Por outro lado, uma quantia que em nenhum momento se faz valer, vem da presença de dois recentes ganhadores do Oscar (e que, curiosamente, contracenaram junto no cultuadíssimo O Grande Lobowski) para carregar o elenco. É óbvio que Bridges e Moore são um baita chamariz no cartaz e no trailer (ela ainda mais que ele, com seu Oscar tremendamente fresco por Para Sempre Alice), mas os dois tem tão pouco com que trabalhar que só sobra o caricato. Ainda que ela se segure para não extrapolar em algum tipo de bruxa de conto de fadas, Bridges enfia o pé na lama e encarna uma mistura de Rooster Cogburn com seu personagem exagerado de R.I.P.D., com tons de guerreiro medieval e um resultado que é um desastre visual e de dicção, já que é bem complicado entender o que o personagem fala na maioria do tempo.

Mas talvez você nem queira saber muito o que ele vai falar, talvez nem interesse e será esquecido, junto com o filme, numa velocidade tão grande que fará Eragorn se sentir um sucesso.


“Seventh Son” (EUA/RU/Can/Chn, 2014), Escrito por Matt Greensberg, Charles Leavitt e Steven Knight, à partir da série de livros de Joseph Delaney, dirigido por Sergey Bodrov, com Jeff Bridges, Ben Barnes, Julianne Moore, Kit Harington e Djimon Housou


Trailer – O Sétimo Filme

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