O Predador | … ou seria “O Caçador”?

O Predador Filme

Um verdadeiro filme dos anos 80 do “gênero brucutu” quando ganhava uma continuação era porque tinha arrumado mais dinheiro para fazer algo ainda maior. O Predador, ainda que tropece nas próprias pernas na maioria do tempo, faz exatamente isso. E como não achar isso divertido?

Esse novo filme, dirigido pelo mesmo Shane Black de Homem de Ferro 3, prefere então tomar esse rumo. Com um “predador” caindo na terra depois de fugir de outra nave. O problema é que ele acaba quase estragando a missão de um atirador de elite do exército, Quinn McKenna (Boyd Holbrook), que está prestes a matar o manda-chuva de um cartel qualquer que fala espanhol.

E como se isso não bastasse para o azar do “predador”, ele acaba apanhando do soldado e sendo capturado por uma agência misteriosa que você não está interessada no nome, mas que é representada por Sterling K. Brown roubando a cena toda vez que aparece. Enquanto isso, o tal soldado acaba indo parar em um ônibus cheio de veteranos malucos, já que a ideia do governo é usar ele de bode expiatório pela bagunça criada pela queda da nave.

Como se isso não bastasse para ter um filme de ação, McKenne conseguiu roubar e enviar para a própria casa o capacete e o bracelete do “predador”, o que faz com que, tanto essa criatura (que obviamente se soltará e matará todo mundo), quanto um outro “predador” acabem então indo em direção ao filho dele, Rory (o incrível garotinho de O Quarto de Jack,Jacob Tremblay), já que ele conseguiu acionar os dois equipamentos e está por ai achando que tudo é uma fantasia de Halloween.

Em algum lugar da trama a cientista vivida por Olivia Munn também entra nessa bagunça toda, mas não se preocupe, em poucos segundos ela se torna uma heroína brucutu como qualquer outro personagem.

E talvez ai esteja a principal qualidade de O Predador de Shane Black, nem por um segundo ele parece se levar a sério. Assim como nos roteiros de Maquina Mortífera e outros exemplos que ele dirigiu como o próprio Home de Ferro 3, Beijos e Tiros e Dois Caras Legais, tudo parece estar ali como uma desculpa para um humor que parece não entender a hora de calar a boca. Um esforço que entrega uma leveza divertida para toda experiência. Portanto, nada parece sair do jeito que você espera, nem os diálogos, nem o teor das piadas e muito menos as cenas de ação.

O Predador Crítica

Sobre o teor das piadas, talvez algumas até cheguem um pouco longe demais, mas esse é o jeito de Black. E isso fica ainda mais curioso se você levar em conta o quanto ele insistiu para, por exemplo, o personagem de Thomas Jane, ter Síndrome de Tourette, já que ele próprio vive o mesmo diagnóstico. E o mesmo pode se afirmar do autismo do Rory. Isso sem contar que todos outros personagens são vítimas de stress pós traumático. Resumindo, aquele “normal” que muitos enxergam, na verdade é apenas uma variação do que é realmente normal.

E esse esforço fica ainda mais claro quando você percebe o quanto Black se preocupa em fazer com que esse excêntrico grupo de personagens seja realmente o melhor do filme (o que conta a favor disso o elenco afinado e divertido!). Uma “loucura boa” que faz com que todos no cinema se divirtam com eles e torçam por seus esforços para frear essa maquina de matar vinda do espaço.

E ai talvez esteja ai outro grande qualidade de O Predador: seu exagero. Quem for ao cinema irá se deparar com mais mitologia sobre os personagens (ainda que tudo pareça ser uma suposição criada por um escritor de fanfics), com muito gore, tripas e sangue e, finalmente, com um “predador” gigante que daria conta de todas outras versões do personagem (e até daqueles tais de xenomorfos que sempre apareceram para estragar os filmes dos “predadores”).
Resumindo, uma clássica continuação de um “filme de brucutu”, ainda que dessa vez, maior e mais cara de pau.

Por outro lado uma quantidade enorme de bobagens e resoluções destrambelhadas gritam em seu ouvido, como os personagens que somem, a comunicação com o “predador” e uma vexatória última cena apresentando um “ultimate prop” que deve vender um monte de bonecos. Black ainda erra feio em alguma cenas noturnas que são simplesmente impossíveis de entender (onde foi parar o personagem de Sterling?!).

Mesmo assim O Predador (ou seria “O Caçador”) acaba sendo essa continuação que percebe que não vai conseguir ser melhor que o original, e chega à conclusão que o melhor mesmo é se divertir com as possibilidades que tem em mãos e rir com elas, já que nem o nome das criaturas, e algumas décadas de cânone conseguem sair impunes.


“The Predator” (EUA, 2018), escrito por Fred Dekker e Shane Black, dirigido por Shane Black, com Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Olivia Munn, Sterling K. Brown, Thomas Jane, Alfie Allen, Augusto Aguilera e Jake Busey.


Trailer – O Predador

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