Quando um novo bebê chega ao lar, ele se torna o rei do lugar. Ou melhor, o chefe. É ele quem passa a governar todos os horários da casa e, com seu choro, é capaz de controlar os atos dos adultos e conquistar o que quer. Mais importante, a atenção é totalmente voltada para ele. Esse cenário pode parecer particularmente desolador para uma criança imaginativa como Tim. O Poderoso Chefinho, nova animação da DreamWorks, explora essa premissa com energia e irreverência, relevando-se uma produção divertida e envolvente.

Quando a “gravidíssima” mãe de Tim pergunta ao garoto se ele gostaria de ter um irmãozinho, ele simplesmente diz “Não, obrigado”, obviamente sem ainda ter percebido que o bebê já está a caminho. Aos 9 anos, ele está acostumado com todo o amor e atenção dos pais… Até que o bebê chega na área e acaba com a vida perfeita de seu irmão mais velho. Mas Tim logo percebe que alguma coisa está errada nessa situação, pois o bebê chega de táxi, vestindo um elegante terno e carregando uma maleta. Pelo menos, é isso que nos conta o Tim adulto, que atua como narrador da história.

Descobrimos, então, que o Chefinho realmente não é um bebê comum. A fábrica de bebês funciona lá em cima e, para definir se eles estão aptos a receber uma família, os pequenos passam por um teste de reação a estímulos. Os que falham tornam-se funcionários da empresa, e o Chefinho é particularmente eficiente em seu trabalho. O atual dilema da companhia é o fato de que, cada vez mais, os adultos estão abrindo mão de ter filhos, preferindo dedicar-se aos filhotes de cachorro.

Agora, para ter a chance de ser promovido e transferido para um escritório no canto, com vista espetacular e pinico privado, o Chefinho teve que se infiltrar na família de Tim para investigar a “arma secreta” que está sendo desenvolvida na empresa em que os pais dele trabalham: um filhote de cachorro que jamais cresce. Se ele chegar ao mercado, é o fim dos bebês.

A imaginação fértil de Tim permeia toda a produção, sendo a “desculpa” perfeita para o diretor Tom McGrath e o roteirista Michael Cullers investirem em diversas brincadeiras visuais e com outros gêneros. Assim, uma “reunião” de bebês na casa de Tim transforma-se em filme de terror, enquanto o quarto do garoto torna-se uma desolada prisão quando seus pais o colocam de castigo “para sempre”. Acostumado à energia frenética da franquia “Madagascar”, McGrath percorre essas mudanças com facilidade, transacionando de uma gag para outra com um ritmo ágil e envolvente, como quando a já citada “prisão” de Tim retorna ao normal conforme o Chefinho abre a porta do quarto.

O Poderoso Chefinho Crítica

Além disso, a personalidade inventiva do protagonista transforma O Poderoso Chefinho em um espetáculo de cores vibrantes e divertidas, na medida certa para agradar em cheio ao paladar dos pequenos. A trama e ação movem-se com velocidade, estabelecendo um senso de urgência que funciona especialmente quando Tim e o Chefinho fazem uma visita à fábrica de bebês.

O diálogo acompanha essa velocidade toda, rendendo piadas eficientes e que, mesmo não sendo particularmente originais ou inteligentes, funcionam na maior parte do tempo. Isso se deve em grande parte, é claro, pelo simples fato de estarmos vendo bebês adoráveis agindo como executivos. Nesse sentido, é interessante perceber que, mesmo com cérebros de adultos, eles são realmente bebês e, por exemplo, são propensos a de repente cair no sono, uma piada simples que faz rir sempre que aparece.

Toda essa história narrada pelo Tim adulto conta a maneira com que ele e o irmão mais novo superaram seus conflitos para estabelecer um relacionamento fraterno sincero. Esse lado da trama de O Poderoso Chefinho também funciona bem, pois Tim e o bebê desenvolvem uma parceria eficiente conforme passam a trabalhar juntos: o Chefinho quer finalizar o serviço para retornar à empresa, enquanto Tim quer que ele cumpra sua missão para poder voltar a ter seus pais só para si.

O longa traz um senso de humor ágil que é irreverente e inventivo o bastante para agradar aos adultos, enquanto a velocidade da trama e as cores da animação impecável da DreamWorks mais do que cumprirão seu papel de envolver as crianças. Assim, O Poderoso Chefinho é uma agradável surpresa.


“The Boss Baby” (EUA, 2017), escrito por Michael McCullers a partir do livro de Marla Frazee, dirigido por Tom McGrath, com as vozes (no original) de Alec Baldwin, Miles Christopher Bakshi, Toby Maguire, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow e Conrad Vernon.


Trailer – O Poderoso Chefinho

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