O cinema adora contar histórias sobre a relação entre alunos e professores. Afinal, a premissa consegue discutir os anos na escola, que são fundamentais e marcantes na vida de qualquer um, a importância da educação e, muitas vezes, amizade improvável entre duas realidades bastante distintas — como é o caso de O Melhor Professor da Minha Vida, que acompanha um professor que deixa uma prestigiada escola parisiense para lecionar em uma instituição de classe mais baixa.

François Foulcault (Denis Podalydès) é detestado por seus alunos. E não podia ser diferente, já que seu obviamente respeitável intelecto faz companhia a uma também enorme arrogância. Foulcault adora humilhar seus alunos na frente de seus colegas, destacando com uma alegria pouco disfarçada a incompetência acadêmica da turma. Até que ele é chamado pela Ministra da Educação a participar de um programa que visa levar educação de qualidade às escolas mais carentes, de onde os alunos saem menos capacitados para o mercado de trabalho e o ensino superior do que seus companheiros privilegiados. Relutantemente, Foulcault aceita o convite e, assim, vai parar na sala de aula frequentada por Seydou (Abdoulaye Diallo) e seus amigos.

Histórias como essa sempre enfrentam o problema de trazer uma figura privilegiada (aqui, um homem branco) inserindo-se em um contexto mais vulnerável (os novos alunos de Foulcault têm problemas familiares e financeiros, e muitos deles são negros) para “ensinar lições de vida”, como se tudo o que aquelas crianças precisassem fosse da sabedoria daqueles que vivem vidas com muito menos obstáculos do que as suas. Isso acontece também em O Melhor Professor da Minha Vida, principalmente na maneira com que o professor insiste que a turma “não quer saber de nada” — ora, seus alunos no colégio parisiense também “não queriam saber de nada”, mas a atitude dele faz parecer que eram jovens gênios.

O Melhor Professor da Minha Vida Crítica

Entretanto, o diretor e roteirista Olivier Ayache-Vidal acerta em cheio na forma com que caminha entre os tons cômicos e dramáticos do longa, algo que permite que O Melhor Professor da Minha Vida transmite sua mensagem de forma mais natural, sem martelar lições de moral no espectador. Com isso, a relação entre Foulcault e Seydoux torna-se mais verossímil e carismática, especialmente na última conversa entre os dois, que encerra o filme com louvor. Abdoulaye Diallo vive Seydoux com energia e carisma, fazendo do garoto um personagem multifacetado que é muito mais do que o professor enxerga de início. Por sua vez, Denis Pdalydès encarna Foulcault de maneira estoica e fechada que, ocasionalmente, consegue deixar o sarcasmo e a arrogância de lado para relaxar quando começa a ganhar a confiança de seus novos alunos.

Como diretor, Ayache-Vidal não faz nada particularmente marcante, mas pelo menos constrói um ritmo agradável para o longa, que flui com ritmo e leveza. E é dessa forma que o filme todo se desenrola: com cuidado e carinho, fazendo rir com o excesso de seriedade e autoconfiança de Foulcault e nos envolvendo com a personalidade de cada um dos alunos, especialmente Seydoux. Assim, mesmo que o resultado final seja ameno, O Melhor Filme da Minha Vida cumpre bem sua proposta.


Les Grands Esprits” (Fra, 2017), escrito e dirigido por Olivier Ayache-Vidal, com Denis Podalydès, Abdoulaye Diallo, Marie-Julie Baup, Léa Drucker, Pauline Huruguen, Mona Magdy Fahim, Alexis Moncorgé, François Petit-Perrin, Marie Rémond e Tabono Tandia.


Trailer – O Melhor Professor da Minha Vida

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